“Forremo-nos à tarefa de descrever os seus últimos momentos....

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Q3880398 Português
Canudos não se rendeu


   Fechemos este livro.

   Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a história, resistiu até ao esgotamento completo. Expugnado palmo a palmo, na precisão integral do termo, caiu no dia 5, ao entardecer, quando caíram os seus últimos defensores, que todos morreram. Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente 5 mil soldados.

   Forremo-nos à tarefa de descrever os seus últimos momentos. Nem poderíamos fazê-lo. Esta página, imaginamo-la sempre profundamente emocionante e trágica; mas cerramo-la vacilante e sem brilhos.

   Vimos como quem vinga uma montanha altíssima. No alto, a par de uma perspectiva maior, a vertigem...

   Ademais, não desafiaria a incredulidade do futuro a narrativa de pormenores em que se amostrassem mulheres precipitando-se nas fogueiras dos próprios lares, abraçadas aos filhos pequeninos...

   [...] Caiu o arraial a 5. No dia 6 acabaram de o destruir desmanchando-lhe as casas, 5.200, cuidadosamente contadas.
“Forremo-nos à tarefa de descrever os seus últimos momentos. Nem poderíamos fazê-lo. Esta página, imaginamo-la sempre profundamente emocionante e trágica; mas cerramo-la vacilante e sem brilhos. “
Assinale a afirmativa incorreta sobre esse segmento do texto.
Alternativas

Comentários

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"O texto indica a limitação do autor do texto diante de alguns." essa alternativa não está incompleta?

5 pessoas contra 5 mil soldados não era crueldade. Agora nessa foi crueldade. Vá entender!

O erro da alternativa D está em criar uma falsa relação de causalidade. A FGV adora pegar dois fatos que existem no texto e conectá-los com um "porquê" que o autor não usou.

  • Fato 1: O autor diz que é impossível descrever os últimos momentos ("Nem poderíamos fazê-lo").
  • Fato 2: Os fatos foram extremamente cruéis (mulheres se jogando no fogo com os filhos).

A alternativa D afirma que a impossibilidade de descrever ocorre por causa da exagerada crueldade. Na visão cirúrgica da FGV, isso é uma extrapolação. O autor não diz que é impossível escrever porque é cruel. Ele diz que é impossível porque a narrativa perdeu a glória épica, tornando a página "vacilante e sem brilhos".

Além disso, a prova de que a crueldade não o impede de escrever é que ele relata a crueldade logo em seguida. No parágrafo seguinte, ele menciona as mães nas fogueiras com os filhos. Sobre a crueldade, o que o autor afirma é que narrá-la desafiaria a incredulidade do futuro (ou seja, as pessoas do futuro não acreditariam em tamanho absurdo), e não que a crueldade tornava a descrição impossível para ele.

E ninguém conseguiu fazer um comentário sobre a alternativa E não estar incorreta...

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