Paciente chagásico, de 40 anos, é admitido na emergência com...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q1654665 Medicina
Paciente chagásico, de 40 anos, é admitido na emergência com quadro de sonolência, oligúria, extremidades frias, pulsos finos e pressão arterial de 70 x 40 mmHg, com frequência cardíaca de 68 bpm. À ausculta pulmonar, não apresenta estertores ou outro ruído adventício. Faz uso de digoxina, carvedilol, captopril, aldactone e lasix, com boa adesão ao tratamento. Traz ecocardiogrma com fração de ejeção de 20% e hipocinesia difusa.

A conduta CORRETA será a de iniciar
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Tema central: O caso refere-se a um paciente com cardiomiopatia chagásica, insuficiência cardíaca grave (fração de ejeção 20%), em quadro de choque cardiogênico (hipotensão, hipoperfusão, oligúria) sem sinais de congestão pulmonar.

Justificativa da alternativa correta (C – soro fisiológico):
O paciente apresenta sinais clínicos inequívocos de baixo débito (PA 70 x 40 mmHg, sonolência, extremidades frias) e ausência de congestão (sem estertores pulmonares). Segundo a Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca Crônica e Aguda (2018), recomenda-se expansão volêmica cuidadosa (solução salina isotônica) para pacientes com sinais de hipoperfusão, na ausência de congestão pulmonar significativa. Isso visa restaurar o volume intravascular, melhorar o retorno venoso e otimizar o débito cardíaco.

Destaque: Expansão volêmica é a conduta inicial neste contexto, pois pode reverter a hipoperfusão de maneira rápida e segura quando não há congestão pulmonar.

Análise das alternativas incorretas:

A) Dobutamina: É inotrópico de escolha em choque cardiogênico refratário, mas a retenção volêmica insuficiente limita seu efeito. A diretriz recomenda usá-la após tentativa de expansão volêmica se não houver resposta.

B) Noradrenalina: Vasopressor reservado para hipotensão persistente após reposição volêmica adequada ou na presença de instabilidade grave. Não é primeira escolha sem tentar expansão volêmica.

D) Levosimendan/milrinone: São alternativas inotrópicas, principalmente se houver bloqueio beta-adrenérgico importante, porém não substituem a expansão volêmica inicial quando há volemia reduzida.

E) Prova de atropina: Indicada em bradicardia sintomática relevante, o que não é o caso do paciente (FC 68 bpm). Não é indicada para tratar choque cardiogênico.

Pegadinha clássica: Neste contexto, muitos candidatos tendem a escolher inotrópicos de imediato. Atenção aos sinais de volemia e congestão: a ausência de estertores favorece abordagem volêmica antes da inotrópica!

Segundo a Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca Crônica e Aguda (2018): “Em pacientes com insuficiência cardíaca aguda e sinais de hipoperfusão periférica, a expansão volêmica com solução salina isotônica pode ser considerada, especialmente na ausência de congestão pulmonar significativa.”

Dica para prova: Em pacientes sem sinais de congestão e com hipoperfusão, inicie com soro fisiológico antes de avançar para drogas vasoativas.

Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo

Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

A resposta correta é a alternativa C, iniciar soro fisiológico. O paciente apresenta sinais de choque hipovolêmico devido à hipotensão e oligúria, e a ausência de estertores pulmonares sugere que não há congestão pulmonar. Além disso, o uso de digoxina, carvedilol, captopril, aldactone e lasix indica que o paciente já está em tratamento para insuficiência cardíaca e não há evidência de falha terapêutica nesse momento. A opção de administrar um inotrópico que não interage com betabloqueador (alternativa D) pode ser considerada caso haja evidência de falha terapêutica, porém, não é a conduta inicial apropriada. A dobutamina (alternativa A) é uma opção para choque cardiogênico, mas no caso do paciente apresentado, o quadro sugere choque hipovolêmico. A noradrenalina (alternativa B) é indicada para choque distributivo, como na sepse, mas não é a primeira escolha para choque hipovolêmico. A prova de atropina (alternativa E) é indicada para bradicardia sinusal, mas não se aplica ao caso apresentado.

Clique para visualizar este comentário

Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo