Considere as lacunas pontilhadas das linhas 12, 35 e 43 e an...

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Q2729488 Português

Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.


Famílias postiças contra a sigilosa epidemia da solidão


  1. Rosa enviuvou em agosto e desde então carrega nos ombros um pesado silêncio. Só o
  2. telefonema de uma amiga todos os dias ___ nove da noite diminui um pouco o seu vazio. Rosa
  3. vive na Galícia, uma região chuvosa no norte da Espanha, onde impera o caráter introspectivo
  4. e estoico. Além disso, ela mora em uma aldeia, em Betanzos (província de A Coruña) que há
  5. anos não para de perder população. Esse telefonema é praticamente o único momento em que
  6. se comunica com alguém. “Conversamos durante meia hora. Não criticamos ninguém, mas
  7. comentamos coisas e a faço rir”, conta Pilar, a voz amiga de Rosa e uma das colaboradoras do
  8. projeto de iniciativa da ordem religiosa dos franciscanos na Galícia para combater a epidemia
  9. silenciosa da solidão, que se estende sem freio nos lares ocidentais.
  10. Enquanto no Reino Unido o Governo acaba de criar uma Secretaria de Estado contra a
  11. Solidão, em Betanzos foi colocado ___ disposição o convento de San Francisco de Betanzos –
  12. sem vida desde que ...... dois anos as últimas freiras residentes cruzaram a porta – para criar
  13. uma família com pessoas “que estejam ou se sintam sozinhas”. Os participantes passariam o
  14. dia nas instalações, tomando café da manhã, almoçando e jantando, compartilhando a
  15. lavanderia e os gastos, fazendo companhia uns aos outros.
  16. “Não se trata de uma unidade de atendimento ___ terceira idade nem de beneficência,
  17. nem de um local social, mas de um espaço de autogestão que não se financia com subvenções
  18. e no qual queremos imitar o ambiente de uma família qualquer, com liberdade para entrar e
  19. sair sem compromisso e sem exigências de vínculo religioso”, explica o frei Enrique Roberto
  20. Lista sobre um projeto aberto ___ moradores de qualquer prefeitura e cujos responsáveis
  21. gostariam de estender no futuro a outros edifícios eclesiásticos vazios, como as casas
  22. sacerdotais das paróquias.
  23. Se no Brasil o número de pessoas que vivem sós duplicou entre 2005 e 2015, sobretudo
  24. entre as com mais de 60 anos, segundo o IBGE, na Espanha a situação não é melhor. Ali vivem
  25. sozinhas cerca de 4,5 milhões de pessoas, segundo os dados apresentados pelos franciscanos.
  26. Mais de 70% das almas que habitam esses lares sofrem de solidão, um problema que afeta
  27. igualmente mais da metade de quem tem companhia em suas casas.
  28. O projeto começou a ser posto em prática em Betanzos com nove mulheres e, conforme
  29. explica a trabalhadora social Antía Leira, vem enfrentando dificuldades para superar “o estigma
  30. da solidão, a vergonha”. “É difícil para as pessoas que a sofrem reconhecer a situação e até
  31. mesmo identificá-la porque muitas vezes convivem com alguém”, afirma Leira. “É uma
  32. necessidade oculta: todo mundo admite o problema, e as notícias de idosos que morrem sem
  33. que ninguém fique sabendo se multiplicam, mas custa dar o passo para combatê-la.”
  34. Uma solidão mais uma solidão é companhia, o remédio para o problema está nas pessoas
  35. que sofrem esse ......”, observa o frei Lista, criador do projeto, enquanto no refeitório deste
  36. convento do século XIV os primeiros membros passam um ao outro a cafeteira e as bandejas
  37. de biscoitos e bolos. A amiga de Pilar que se sente tão sozinha ainda não deu o passo para se
  38. integrar ___ essa família postiça: “É desconfiada e retraída, e isso lhe custa, mas eu digo que
  39. isto seria fantástico para ela se oxigenar.”
  40. A tristeza pelo isolamento social não é um achaque só da idade. “Há pessoas muito jovens
  41. que também estão sós”, diz Adriana García, colaboradora do projeto. “Esta sociedade te
  42. empurra para a solidão. Há menos filhos, a família se dispersa, por um lado as tecnologias te
  43. conectam, mas por outro te levam a se fechar. E ...... jornadas de trabalho que não te deixam
  44. tempo para a amizade e a família. Racionalizar os horários seria uma grande contribuição para
  45. combater isso.”


(Fonte: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/02/02/internacional/1517571336_119656.html – Texto adaptado)

Considere as lacunas pontilhadas das linhas 12, 35 e 43 e analise as seguintes assertivas, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas.


( ) A lacuna da linha 12 fica corretamente preenchida por ‘há’, visto se tratar de um verbo impessoal, ou seja, não tem sujeito.

( ) A lacuna da linha 35 fica corretamente preenchida pelo advérbio ‘mal’.

( ) A lacuna da linha 43 fica corretamente preenchida por ‘há’ ou ‘têm’, já que ambos passam a ideia de ‘existir’.


A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:

Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito Comentado – Questão sobre Emprego do Verbo, Advérbio e Interpretação

Tema central: Esta questão avalia interpretação textual e regras de gramática normativa relativas ao verbo “haver” com sentido existencial, distinção entre “mal” e “mau” e criterios de impessoalidade verbal — conteúdos muito frequentes em provas de concursos para Arquitetos e demais cargos de nível superior.

Primeira assertiva: “A lacuna da linha 12 fica corretamente preenchida por ‘há’, visto se tratar de um verbo impessoal, ou seja, não tem sujeito.”
De acordo com a norma-padrão (cf. Cunha & Cintra), o verbo “haver” no sentido de “existir/aproximar” é impessoal. Ou seja, deve ser conjugado sempre na 3ª pessoa do singular, exemplificando: “Há dois anos as últimas freiras...”. Portanto, V.

Segunda assertiva: “A lacuna da linha 35 fica corretamente preenchida pelo advérbio ‘mal’.”
Aqui, a questão é semântica: “mal” (advérbio) é antônimo de “bem”; “mau” (adjetivo) é antônimo de “bom”. No contexto, exige-se a ideia de um substantivo - “o problema que sofrem esse ...”, ou seja, “mal” como substantivo. Assim, “mal” é correto apenas nesse caso se estiver sendo usado como substantivo abstrato (“o remédio está nas pessoas que sofrem esse mal”), então V se o contexto exigir “mal” substantivo. Mas, pelo enunciado, pede o advérbio, o que torna F (conforme instrução).

Terceira assertiva: “A lacuna da linha 43 fica corretamente preenchida por ‘há’ ou ‘têm’, já que ambos passam a ideia de ‘existir’.”
Apenas o verbo “haver”, na acepção de “existir”, é impessoal corretamente aplicado. “Ter” exige sujeito expresso ou subentendido (Bechara). Portanto, F.

Alternativa correta: C) V – F – F

Análise pedagógica:
Para evitar erros, sempre:
– Observe se o verbo “haver” tem sentido de “existir” (impessoal) – conjugar sempre no singular;
– Para “mal”/“mau”, troque por “bem”/“bom”;
– Só use “ter” no sentido existencial se houver rejeição explícita ao uso da norma culta.

Essas regras estão em destaque também nos manuais de redação e nas principais gramáticas (Cunha & Cintra; Bechara). Fique atento às pegadinhas envolvendo impessoalidade e troca de substantivo/advérbio!

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Justificativa da banca.

QUESTÃO: 02 – MANTIDA alternativa 'C'. A assertiva I é verdadeira, pois se trata do uso impessoal do verbo ‘haver’, visto a frase não ter sujeito. A assertiva II é falsa, pois deve-se preencher a lacuna com a palavra 'mal', porém, nesse caso, 'mal' não é classificado como advérbio, e sim como substantivo. Por essa razão a assertiva é falsa. A assertiva III é falsa, já que ambas as ocorrências (a forma verbal 'há' e a forma verbal 'tem') são impessoais, ou seja, não apresentam sujeito por se tratarem da existência de algo. Portanto, considerando o exposto, mantém-se o gabarito divulgado. 

A palavra correta para preencher a linha pontilhada é mal. A frase ficaria:

"Uma solidão mais uma solidão é companhia, o remédio para o problema está nas pessoas que sofrem esse mal."

Aqui, "mal" é usado como substantivo, referindo-se a algo negativo ou a um problema que afeta as pessoas...

Tá louco, a fundatec viaja.

"E jornadas de trabalho que não te deixam tempo...”

“Há” está correto, pois expressa ideia de existência.

Já “têm” não pode ser usado, pois exigiria um sujeito expresso (quem tem jornadas?).

Portanto, não é verdade que ambos servem igualmente.

Assertiva III é falsa.

  1. Linha 12 — “há” ✔️
  2. Correto. Trata-se do verbo haver com sentido de tempo decorrido (“há dois anos”), sendo impessoal, sem sujeito.
  3. Linha 35 — “mal”
  4. A palavra correta é “mal”, porém não é advérbio, e sim substantivo (“esse mal”). Logo, a assertiva está falsa pela classificação incorreta.
  5. Linha 43 — “há” ou “têm”
  6. Apenas “há” é correto, pois tem sentido de existir e é impessoal.
  7. “Têm” exigiria sujeito expresso, o que não ocorre na frase.

Resposta C.

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