Durante operação policial destinada ao combate ao tráfico de...

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Q4040751 Direito Constitucional
Durante operação policial destinada ao combate ao tráfico de drogas, uma unidade policial estadual adota protocolo interno que autoriza abordagens e revistas pessoais coletivas e aleatórias, sem necessidade de fundada suspeita individualizada, em determinada comunidade classificada como “área de risco”. O protocolo fundamenta-se em decreto estadual que visa aumentar a eficiência da repressão penal. Em ação judicial proposta pela Defensoria Pública, sustenta-se que o referido decreto viola direitos humanos e garantias fundamentais, bem como tratados internacionais ratificados pelo Brasil. Considerando a relação entre ciências policiais e direitos humanos, a Constituição Federal de 1988 e o controle de constitucionalidade, analise as assertivas a seguir:

I. A adoção de protocolos policiais que autorizem revistas pessoais sem fundada suspeita individualizada afronta o princípio da dignidade da pessoa humana e o direito fundamental à liberdade pessoal, podendo ser objeto de controle de constitucionalidade concentrado ou difuso.
II. À luz das ciências policiais contemporâneas, a eficiência da atividade policial justifica a relativização de direitos fundamentais, sendo legítima a restrição genérica de garantias individuais quando respaldada por decreto do Poder Executivo.
III. O controle de constitucionalidade pode reconhecer a inconstitucionalidade do decreto estadual por violação direta à Constituição Federal, independentemente da compatibilidade do ato com normas infraconstitucionais.
IV. O respeito aos direitos humanos e aos tratados internacionais ratificados pelo Brasil deve orientar a atividade policial, sendo possível o exercício do controle de constitucionalidade e do controle de convencionalidade de forma concomitante pelo Poder Judiciário.

Quais estão corretas?
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: CPP, art. 244: "Art. 244. A busca pessoal independerá de mandado, no caso de prisão ou quando houver fundada suspeita de que a pessoa esteja na posse de arma proibida ou de objetos ou papéis que constituam corpo de delito, ou quando a medida for determinada no curso de busca domiciliar." CF, art. 1º, III: "Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: III - a dignidade da pessoa humana;" CF, art. 5º, caput: "Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:" CF, art. 102, I, a: "Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe: I - processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal;" CF, art. 125, § 2º: "§ 2º Cabe aos Estados a instituição de representação de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos estaduais ou municipais em face da Constituição Estadual, vedada a atribuição da legitimação para agir a um único órgão." Como o decreto estadual autoriza revistas pessoais coletivas e aleatórias sem fundada suspeita individualizada, ele contraria o regime legal da busca pessoal, vulnera liberdade e dignidade e pode ser submetido a controle difuso e, em tese, concentrado, além de admitir exame concomitante de convencionalidade.

Tema central: Controle de constitucionalidade
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta porque inclui a assertiva II. O erro jurídico da II é admitir que eficiência policial autorizaria restrição genérica de direitos fundamentais por decreto. A base afasta isso expressamente: decreto estadual não pode dispensar a exigência legal de fundada suspeita do art. 244 do CPP nem criar limitação abstrata a garantias individuais.
B
Errada
Incorreta porque exclui a assertiva III, que está correta. A base afirma que decreto estadual pode sofrer controle de constitucionalidade por violação direta à Constituição Federal, independentemente de prévia discussão sobre compatibilidade infraconstitucional, desde que a ofensa constitucional seja direta. O suporte normativo está no art. 102, I, a, da CF.
C
Errada
Incorreta por dupla razão: inclui a assertiva II, que contraria o art. 244 do CPP e os limites constitucionais ao poder regulamentar, e exclui as assertivas I e IV, ambas juridicamente sustentadas pela base. Não há autorização para revistas aleatórias sem fundada suspeita, e o Judiciário pode controlar o ato tanto à luz da Constituição quanto dos tratados de direitos humanos.
D
Certa
A alternativa D está correta porque reúne exatamente as assertivas compatíveis com a base jurídica da questão. A I está certa, pois revistas pessoais sem fundada suspeita individualizada afrontam o art. 244 do CPP e, no quadro apresentado, colidem com a dignidade da pessoa humana e a liberdade protegidas pela Constituição. A III também está certa, porque o decreto estadual, como ato normativo estadual, pode sofrer controle de constitucionalidade por violação direta à Constituição Federal, inclusive em tese por via concentrada, além do controle difuso. A IV igualmente procede, já que a atividade policial deve observar direitos humanos e tratados internacionais ratificados pelo Brasil, sendo possível ao Judiciário exercer simultaneamente controle de constitucionalidade e controle de convencionalidade.
E
Errada
Incorreta porque considera correta a assertiva II. Essa assertiva é incompatível com a base decisória: eficiência policial não legitima relativização genérica de garantias individuais por simples decreto do Executivo, sobretudo quando o ato afasta requisito legal expresso da busca pessoal.
Pegadinha da questão
A banca explorou a confusão entre eficiência policial e validade jurídica da restrição a direitos fundamentais, como se decreto estadual pudesse afastar a exigência de fundada suspeita e, ao mesmo tempo, induziu o candidato a esquecer que ato normativo estadual pode sofrer controle de constitucionalidade e também controle de convencionalidade.
Dica para questões semelhantes
  • Quando a medida estatal envolver busca pessoal sem mandado, confira primeiro se há fundada suspeita nos termos do art. 244 do CPP.
  • Ato infralegal não pode criar restrição genérica a direitos fundamentais nem afastar requisito legal expresso.
  • Se o ato for normativo estadual e a ofensa à Constituição for direta, lembre da possibilidade de controle difuso e, em tese, concentrado.
  • Em temas de direitos humanos, verifique se a questão admite controle de constitucionalidade e de convencionalidade de forma cumulativa.

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Comentários

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I. CORRETO. O STJ consolidou que a revista pessoal sem mandado judicial exige fundada suspeita (indícios objetivos), não bastando a "atitude suspeita" ou "tirocínio policial" subjetivo, pois isso viola a dignidade da pessoa humana e o direito à intimidade. Essas revistas abusivas podem ser contestadas judicialmente via Habeas Corpus (controle difuso) ou por ações diretas contra as normas que as autorizam (controle concentrado).

II. INCORRETO. A "ciência policial contemporânea" e a eficiência não justificam a relativização genérica de direitos fundamentais, nem a restrição por decreto executivo. Direitos fundamentais são cláusulas pétreas e qualquer restrição deve ser proporcional e individualizada.

III. CORRETO. O controle de constitucionalidade pode sim reconhecer a inconstitucionalidade de decretos estaduais ou normas infralegais que violem diretamente a Constituição Federal.

IV. CORRETO. Tratados internacionais de direitos humanos ratificados pelo Brasil (como o Pacto de San José da Costa Rica) possuem status supralegal, obrigando o controle de convencionalidade, que pode ocorrer simultaneamente ao controle de constitucionalidade pelo Poder Judiciário

A alternativa correta é a D) Apenas I, III e IV.

As assertivas I, III e IV estão corretas, enquanto a II está incorreta.

I. Correta: A revista pessoal sem fundada suspeita individualizada ("busca pessoal" genérica) é ilegal e inconstitucional, violando a dignidade humana (art. 1º, III, CF) e a liberdade individual (art. 5º, XV, CF), passível de controle pelo Judiciário.

II. Incorreta: A eficiência policial não justifica a supressão de direitos fundamentais. A Constituição não admite a relativização genérica de garantias individuais por meio de decreto, prevalecendo o núcleo essencial dos direitos humanos.

III. Correta: O controle de constitucionalidade concentra-se na verificação de compatibilidade com a Constituição Federal, podendo invalidar decretos estaduais que violem direitos fundamentais nela previstos.

IV. Correta: A atividade policial deve pautar-se nos Direitos Humanos e tratados internacionais. O judiciário exerce o controle de constitucionalidade (Constituição) e de convencionalidade (Tratados/CIDH) de forma conjunta para garantir a legalidade.

Rv

rv

PPRS bora bora

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