Em relação à interpretação do texto, pode-se afirmar que o ...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q1621600 Português
O trecho a seguir foi extraído da obra ‘Memórias do Cárcere’, de Graciliano Ramos. Leia-o atentamente para responder à próxima questão.

“Nunca tivemos censura prévia em obra de arte. Efetivamente se queimaram alguns livros, mas foram raríssimos esses autos-de-fé. Em geral a reação se limitou a suprimir ataques diretos, palavras de ordem, tiradas demagógicas, e disto escasso prejuízo veio à produção literária. Certos escritores se desculpam de não haverem forjado coisas excelentes por falta de liberdade - talvez ingênuo recurso de justificar inépcia ou preguiça. Liberdade completa ninguém desfruta: começamos oprimidos pela sintaxe e acabamos às voltas com a Delegacia de Ordem Política e Social, mas, nos estreitos limites a que nos coagem a gramática e a lei, ainda nos podemos mexer”.
Em relação à interpretação do texto, pode-se afirmar que o autor:
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Comentário sobre a questão – Interpretação de Texto

Nesta questão, o tema central é interpretação de texto, que exige a compreensão do sentido global e das intenções do autor. O candidato deve identificar a ideia principal expressa no fragmento de “Memórias do Cárcere”, analisando não só as informações explícitas, mas também elementos implícitos e relações de sentido entre as frases.

Segundo a gramática normativa (Cunha & Cintra, Bechara), a interpretação textual pressupõe analisar a coerência entre as partes do texto, observar palavras de transição e compreender o posicionamento do autor.

Justificativa da alternativa correta - C:

A alternativa C afirma que o autor “argumenta que a ausência de liberdade total não foi um grande obstáculo à produção literária de alta qualidade”. No texto, Graciliano Ramos diz que “liberdade completa ninguém desfruta” e enfatiza que, “nos estreitos limites a que nos coagem a gramática e a lei, ainda nos podemos mexer”. Além disso, ele critica quem culpa a censura por não produzir obras excelentes, sugerindo ser um “ingênuo recurso de justificar inépcia ou preguiça”. Isso demonstra que o autor reconhece restrições, mas as considera superáveis, não atribuindo à falta de liberdade a causa para uma literatura de menor qualidade.

Análise das alternativas incorretas:

A) Errada ao afirmar que o autor denuncia censura prévia; ele afirma exatamente o oposto (“nunca tivemos censura prévia...”).

B) Incorreta, pois sugere que o autor se queixa dos ataques do Estado prejudicarem a literatura, quando, na verdade, ele diz que isso teve impacto escasso.

D) Equivocada ao afirmar que gramática e lei impediram completamente o desenvolvimento literário. O autor reconhece as restrições, mas reforça que ainda há espaço para criação (“ainda nos podemos mexer”).

Estratégia para concursos: Ao interpretar textos, atente-se às negações, minimizações e ironia presentes nas palavras do autor, além de evitar inferências não sustentadas pelo texto.

Esse tipo de abordagem segue a orientação das principais gramáticas de referência: para ser aprovado, desenvolva o hábito de buscar a ideia central e analisar criticamente as alternativas, como orientam Bechara e Cunha & Cintra.

Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo

Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

Olha ... pela absoluta impropriedade das outras pode até se considerar a letra C.

Forçaram um pouquinho a barra

Gabarito: C

O autor argumenta que a ausência de liberdade total não foi um grande obstáculo à produção literária de alta qualidade.

Certos escritores se desculpam de não haverem forjado coisas excelentes por falta de liberdade - talvez ingênuo recurso de justificar inépcia ou preguiça.

Questão boa. Gab (C) ✓ se achou difícil, vá por eliminação, vai restar somente a C.

Clique para visualizar este comentário

Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo