Doenças que acometem o sistema nervoso são facilmente detec...

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Q3578827 Veterinária
Com relação à inspeção e tecnologia de carnes e derivados no Brasil, julgue os itens que se seguem.
Doenças que acometem o sistema nervoso são facilmente detectáveis por ocasião da inspeção post-mortem.  
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: inspeção post-mortem e a detecção de doenças do sistema nervoso em carcaças. Na rotina de abate, a avaliação pós-morte é predominantemente macroscópica (visual, tátil e olfativa). Muitas afecções neurológicas cursam com alterações funcionais ou lesões microscópicas, portanto não são evidentes à inspeção post-mortem.

Gabarito: E (errado)

Justificativa da alternativa correta (E): A afirmação é falsa porque a maioria das doenças neurológicas em animais de produção não apresenta lesões macroscópicas específicas detectáveis no post-mortem. Exemplos clássicos:

- Raiva: diagnóstico por imunofluorescência direta em encéfalo; não há lesões macroscópicas patognomônicas.
- BSE/TSE (encefalopatias espongiformes): não produzem alterações grossas; exigem testes específicos em amostras de SNC.
- Botulismo e tétano: toxemias com ausência de lesões típicas em carcaça.
- Listeriose nervosa: microabscessos no tronco encefálico detectados apenas por histopatologia.

Assim, a detecção depende principalmente do exame ante mortem (observação de ataxia, agressividade, prurido, decúbito, convulsões) e de diagnósticos laboratoriais, não do post-mortem. Diretrizes pertinentes reforçam isso: RIISPOA (Dec. 9.013/2017) prioriza o exame ante mortem para identificar animais com sinais neurológicos e determina coleta de amostras e destino sanitário adequado; o Codex – Code of Hygienic Practice for Meat (CXC 58-2005) e o WOAH/OIE Terrestrial Code definem vigilância de BSE/TSE com testes em tecidos de risco específico (SRM), que não são reconhecíveis macroscopicamente quanto à doença.

Análise das alternativas:

- C (certo): Incorreta. Parte de um equívoco: assumir que “sinais neurológicos” geram lesões visíveis na carcaça. Na prática, o inspetor raramente identifica doença neurológica apenas pela necropsia de rotina. Mesmo quando o SNC é aberto, os achados são frequentemente inespecíficos. A decisão sanitária costuma se basear nos sinais ante mortem e na remoção de SRM (ex.: cabeça, medula, íleo distal em ruminantes, conforme RIISPOA/WOAH), além de exames confirmatórios.

- E (errado): Correta. Doenças neurológicas não são “facilmente detectáveis” no post-mortem. Quando suspeitas, o procedimento é: interdição/condição especial do animal/carcaça, coleta de amostras de SNC e decisão conforme laudos (condenação total/parcial ou aproveitamento condicional), em alinhamento com RIISPOA e Codex.

Estratégia de prova: Desconfie de termos absolutos como “facilmente”. Relacione “doença neurológica” com necessidade de exame ante mortem e diagnóstico laboratorial. Post-mortem detecta melhor enfermidades com lesões macroscópicas (p. ex., abscessos, septicemias com esplenomegalia), o que não é a regra no SNC.

Referências úteis: RIISPOA (Dec. 9.013/2017, MAPA); Codex CXC 58-2005 (Meat Hygiene); WOAH/OIE Terrestrial Animal Health Code (BSE/TSE, rabies); Manual OIE de Testes Diagnósticos (raiva, listeriose).

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