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Q4238372 Medicina
Texto para a questão

Homem, 65 anos de idade, em seguimento por mielofibrose primária há cinco anos. Queixa-se de astenia, empachamento pós-prandial e dor abdominal. Ao exame clínico, apresentou baço a 5 cm de BCE. Hemograma com Hb de 8 g/dL, leucócitos de 12.000/mm3, com desvio a esquerda, sem mieloblastos, plaquetas de 450 mil/mm3. Avaliação molecular com mutação CALR tipo 1. Cariótipo normal. Avaliação medular com atipia megacariocítica e MF2. O paciente fez uso de eritropoetina por três meses, sem melhora.
Assinale a alternativa que apresenta o tratamento mais indicado. 
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O caso reúne mielofibrose primária sintomática, esplenomegalia e anemia importante (Hb 8 g/dL) sem resposta à eritropoetina; nesse fenótipo, a alternativa mais indicada é o momelotinibe, porque além de atuar como inibidor de JAK1/JAK2, tem benefício específico sobre a anemia por inibir ACVR1 e reduzir hepcidina.

Tema central: Mielofibrose com anemia
Análise das alternativas
A
Errada
Ruxolitinibe é eficaz para esplenomegalia e sintomas da mielofibrose, mas o dado que muda a escolha aqui é a anemia de base intensa, com Hb de 8 g/dL e sem resposta à eritropoetina. Nesse cenário, ele não oferece a vantagem hematológica que distingue o momelotinibe e ainda pode piorar citopenias. Portanto, falha no critério decisivo da questão: beneficiar simultaneamente baço/sintomas e anemia.
B
Errada
Fedratinibe também é uma opção ativa para controle de esplenomegalia e sintomas, mas a questão pede o tratamento mais indicado no contexto de anemia relevante associada. Pela base, ele não tem a vantagem farmacológica específica sobre anemia que separa o momelotinibe das demais opções. Assim, embora atue na mielofibrose, não é a melhor escolha quando a anemia é um problema central do caso.
C
Certa
O momelotinibe é a alternativa que melhor cobre o fenótipo dominante do caso: mielofibrose primária com carga sintomática esplênica e anemia importante após falha de eritropoetina. Seu diferencial farmacológico, sustentado pela revisão regulatória e pelo Drug Trials Snapshot do FDA de 2023, é não apenas inibir JAK1/JAK2, mas também ACVR1, reduzindo hepcidina e favorecendo a eritropoese. Por isso, entre as opções dadas, é a droga que melhor integra controle de sintomas/esplenomegalia com vantagem específica sobre a anemia.
D
Errada
Hidroxiureia pode ter papel citoredutor e ajudar em alguns contextos de esplenomegalia, mas não é a opção preferencial para mielofibrose sintomática com anemia marcante e necessidade de benefício global sobre sintomas e hemoglobina. O erro da alternativa é tratar uma estratégia citoredutora inespecífica como equivalente a um JAK-inibidor que também oferece racional e evidência de benefício sobre anemia neste cenário.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de marcar qualquer JAK-inibidor clássico para mielofibrose, especialmente ruxolitinibe, ou de escolher hidroxiureia pela esplenomegalia, ignorando que o enunciado destaca como dado decisivo a anemia importante refratária à eritropoetina.
Dica para questões semelhantes
  • Em mielofibrose, não escolha a droga olhando apenas para o baço; verifique se a anemia é um eixo dominante do caso.
  • Se o enunciado trouxer Hb muito baixa e falha de eritropoetina, procure a opção com benefício específico sobre anemia, não apenas ação antiesplênica.
  • Não supervalorize achados como mutação CALR ou cariótipo normal quando a pergunta está centrada na escolha farmacológica sintoma-anemia.
  • Quando a base terapêutica depender de atualização regulatória, use o diferencial farmacológico decisivo da droga para separar alternativas próximas.

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