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Q3509966 Medicina
Durante um final de semana, uma família se reuniu para comemorar uma data religiosa, sendo adquiridos vários tipos de frutos do mar, congelados, para almoço.
Três indivíduos dessa família, idosos, evoluíram com febre alta prolongada, fadiga, cefaleia, tosse seca, náusea, perda de apetite, dor abdominal, constipação, dissociação pulsotemperatura, hepatoesplenomegalia e roséolas cutâneas.
Dois pacientes se recuperaram; entretanto, um deles, na segunda semana de doença, persistiu com febre, astenia intensa, alteração do nível de consciência com delírios e indiferença ao ambiente. Houve dissociação pulsotemperatura (frequência de pulso normal em presença de febre elevada), hepatoesplenomegalia, dor abdominal difusa com persistência da constipação intestinal. Foi observado surgimento de exantemas em ombros, tórax e abdômen caracterizados por máculas pápuloeritematosas, com aproximadamente 1 mm a 5 mm de diâmetro, que desapareciam à vitropressão. Evoluiu com hipotensão, enterorragia e perfuração intestinal. Após tratamento cirúrgico, foi internado em CTI, onde recebeu tratamento adequado com antibióticos, e, após 25 dias, recebeu alta melhorado para enfermaria.
O diagnóstico clínico mais compatível com a descrição acima é:
Alternativas

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Tema central da questão: O enunciado avalia a capacidade do candidato de reconhecer o quadro clínico típico de febre tifoide—doença causada pela Salmonella enterica sorotipo Typhi—focando na interpretação de sintomas clássicos, complicações e contexto epidemiológico.

Justificativa para a alternativa correta (D – febre tifoide):

O quadro descrito associa:

  • Febre alta prolongada e fadiga intensa, comuns na febre tifoide
  • Dissociação pulso-temperatura (sinal de Faget ou bradicardia relativa perante febre), sinal característico
  • Hepatoesplenomegalia e roséolas tíficas (máculas eritematosas em tronco e ombros), achados bastante sugestivos
  • Complicações na segunda semana: alteração do nível de consciência, perfuração intestinal e enterorragia – típicas das formas graves da doença

Segundo o Manual Integrado de Vigilância e Controle da Febre Tifoide (Ministério da Saúde): “Sintomatologia clínica clássica consiste em febre alta, cefaleia, mal-estar, dor abdominal, dissociação pulso-temperatura, esplenomegalia, manchas rosadas no tronco (roséolas tíficas), obstipação intestinal...”

Análise das alternativas incorretas:

  • A) Bacillus cereus: Associação clássica com vômitos e diarreia de início rápido, sem evolução sistêmica, febre prolongada ou complicações abdominais graves.
  • B) Escherichia coli enterotoxigênica: Geralmente provoca diarreia aquosa e autolimitada, raramente com manifestações tóxicas sistêmicas e complicações como perfuração intestinal.
  • C) Amebíase intestinal: Manifesta-se tipicamente por disenteria (diarreia com sangue e muco), sem dissociação pulso-temperatura ou roséolas tíficas.
  • E) Rotavirus: Usualmente causa gastroenterite aguda em crianças, com diarreia e vômitos abruptos, sem febre prolongada ou manifestações sistêmicas graves em adultos.

Estratégia de prova:

Fique atento a palavras-chave como bradicardia relativa, hepatoesplenomegalia e roséolas, assim como evolução para complicações abdominais (perfuração, enterorragia). Essas pistas costumam direcionar para febre tifoide em provas de residência.

Atenção a pegadinhas: Sintomas gastrointestinais inespecíficos podem sugerir outros diagnósticos, mas a associação de febre prolongada, dissociação pulso-temperatura e roséolas é bastante específica para febre tifoide – evite focar apenas no alimento consumido sem analisar toda clínica.

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