A cólera é causada pela bactéria Vibrio cholerae toxigênica ...

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Q3509965 Medicina
A cólera é causada pela bactéria Vibrio cholerae toxigênica dos sorogrupos O1 ou O139. O Vibrio cholerae O1 pode ser classificado em dois biotipos: Clássico e El Tor, que apresentam diferenças em relação às propriedades fenotípicas e genotípicas, patogenicidade e padrões de infecção e sobrevivência nos hospedeiros humanos. O uso de antibióticos é complementar ao tratamento e não substitui a administração de líquidos e solução de sais de reidratação oral ou de fluidos endovenosos (a reidratação é a base da terapia).
Dessa maneira, o antibiótico de primeira escolha, indicado pelo Ministério da Saúde, para tratamento da cólera é: 
Alternativas

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Tema central: Cólera é uma diarreia aquosa aguda causada pelo Vibrio cholerae toxigênico (O1/O139). A toxina colérica ativa a adenilato ciclase via Gs e eleva AMPc, promovendo intensa secreção de água e eletrólitos no intestino. Reidratação é a base do tratamento (SRO ou fluidos IV), e o antibiótico é adjuvante para reduzir volume de fezes, duração da doença e eliminação bacteriana.

Alternativa correta: A – doxiciclina 2–4 mg/kg VO, dose única

Justificativa: De acordo com o Ministério da Saúde e diretrizes da OMS/UpToDate, doxiciclina em dose única é opção de primeira linha em surtos de cólera por sua eficácia, simplicidade e impacto na redução de diarreia e excreção do V. cholerae. Em adultos, usa-se comumente 300 mg VO, dose única; em crianças, 2–4 mg/kg, dose única. Evidências mostram redução de ~50% no volume de fezes e encurtamento do quadro (Harrison’s, OMS, MS).

Por que as outras alternativas estão incorretas?

B – sulfametoxazol + trimetoprima: Não é de primeira escolha na cólera devido a alta resistência do V. cholerae (especialmente biotipo El Tor) e menor eficácia clínica. Regime de 5 dias é desnecessariamente longo. Diretrizes atuais preferem dose única de tetraciclina/macrolídeo/fluoroquinolona conforme sensibilidade local (OMS, MS, UpToDate).

C – amoxicilina + clavulanato: Não é regime recomendado para cólera. Espectro e farmacodinâmica não são ideais contra Vibrio; curso de 7 dias e amplo espectro são inadequados e aumentam risco de efeitos adversos e seleção de resistência. Não consta como terapia preferencial em OMS/MS.

D – gentamicina VO, dose única: Aminoglicosídeos não são absorvidos por via oral e não atuam no lúmen intestinal; quando usados, são parenterais para infecções sistêmicas específicas. Ineficaz para cólera, que é infecção luminal.

E – cefepime IV, 10 dias: Antipseudomonal de amplo espectro por via endovenosa é desnecessário e inadequado para cólera não complicada. A terapia antibiótica deve ser oral, de dose única, focada no Vibrio, após reidratação. Prolongar por 10 dias não tem respaldo em diretrizes.

Estratégia de prova: Identifique palavras-chave como “reidratação é a base” e procure antibiótico oral, dose única com histórico de eficácia na cólera: doxiciclina ou azitromicina. Desconfie de esquemas prolongados, IV ou com fármacos fora das recomendações usuais.

Observações práticas: Em gestantes e crianças, muitas diretrizes preferem azitromicina dose única como alternativa segura; contudo, o MS tradicionalmente aceita doxiciclina em dose única em cenários de surto. Sempre considerar sensibilidade local.

Referências: Ministério da Saúde (Guia de Vigilância/Manual de Cólera), OMS – Cholera guidelines, UpToDate – Treatment and prevention of cholera, Harrison’s Principles of Internal Medicine.

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