Sr. H.T.G., 83 anos, reside com a filha idosa em domicí...

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Q3995023 Medicina
    Sr. H.T.G., 83 anos, reside com a filha idosa em domicílio com barreiras arquitetônicas. Possui sequela grave de Doença encefálica vascular isquêmica há dois anos (Rankin 5), apresentando-se acamado, com afasia compreensiva e disfagia orofaríngea grave (em uso de Gastrostomia - GTT). Evoluiu nas últimas semanas com declínio funcional progressivo, perda de contato visual e lesão por pressão (LPP) em região sacral grau III. A família demonstra exaustão e questiona sobre a transferência para o hospital devido à piora da ferida e episódios de engasgo com a própria saliva.     Considerando as diretrizes de Atenção Domiciliar (AD), Manejo de Pacientes Acamados e Cuidados Paliativos na APS, assinale a conduta que apresenta a melhor evidência de gestão clínica e ética: (dentro das alternativas abaixo assinalar a que melhor reponde ao questionamento)
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O critério que resolve a questão é a proporcionalidade terapêutica em doença neurológica irreversível avançada: o enunciado traz dependência extrema, acamamento crônico, disfagia grave, gastrostomia, declínio funcional progressivo, perda de interação, LPP grau III e exaustão familiar, quadro que indica manejo domiciliar com foco paliativo, controle de sintomas e definição de metas de cuidado, sem hospitalização automática quando não há benefício clínico proporcional.

Tema central: Cuidados paliativos domiciliares
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque propõe reabilitação motora intensiva com meta de reversão do acamamento e recuperação de autonomia em um paciente com sequela neurológica grave, Rankin 5, dependência extrema e declínio progressivo. A estabilidade hemodinâmica não muda o prognóstico funcional extremamente limitado. O erro médico é confundir ausência de instabilidade aguda com possibilidade realista de recuperação funcional significativa, quando o contexto aponta para prioridade paliativa e sintomática.
B
Errada
Está errada porque transforma LPP grau III e gastrostomia em indicação automática de transferência hospitalar e de desbridamento cirúrgico, o que não se sustenta. Esses achados aumentam a complexidade do cuidado, mas não obrigam internação por si só. LPP grau III pode ser manejada no domicílio com cuidado local, alívio de pressão e vigilância de complicações; gastrostomia também não equivale a necessidade hospitalar automática. O erro é tratar marcador de gravidade/complexidade como critério obrigatório de hospitalização.
C
Certa
A alternativa C é a única que combina conduta tecnicamente plausível no domicílio com objetivo terapêutico compatível com o prognóstico. Em paciente com fragilidade avançada, sequela neurológica grave e declínio progressivo, a prioridade deixa de ser reversão funcional e passa a ser conforto, controle de sintomas e prevenção de agravos manejáveis. LPP grau III pode ser tratada no domicílio com curativo adequado, redistribuição de pressão e mudança de decúbito, sem obrigatoriedade de internação ou desbridamento cirúrgico hospitalar em todos os casos. Além disso, os engasgos com a própria saliva decorrem de incapacidade de manejar secreções, o que pede manejo sintomático e suporte, não escalonamento hospitalar automático. A proposta de pactuar metas de cuidado e evitar hospitalização fútil está eticamente alinhada ao quadro descrito e não significa abandono terapêutico, mas tratamento ativo proporcional.
D
Errada
Está errada porque suspender a dieta por GTT não previne aspiração da própria saliva. O mecanismo do engasgo descrito é incapacidade de deglutir e manejar secreções orais, não oferta de dieta enteral. Portanto, retirar a dieta não elimina a produção de saliva nem resolve a sialorreia/engasgo salivar. Além disso, a alternativa faz uma generalização falsa ao afirmar que cuidados paliativos contraindicam vias alternativas de alimentação em idosos com demência ou sequelas neurológicas graves; a manutenção ou não da gastrostomia depende do contexto clínico e das metas de cuidado, não de proibição universal.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre gravidade clínica e necessidade automática de internação, além da falsa ideia de que cuidados paliativos significam suspender suportes indiscriminadamente ou que engasgo com saliva se resolve retirando a dieta enteral.
Dica para questões semelhantes
  • Em doença neurológica irreversível com dependência extrema e declínio progressivo, primeiro defina o objetivo terapêutico predominante: conforto e controle de sintomas costumam prevalecer sobre reabilitação restauradora.
  • LPP grau III e gastrostomia aumentam a complexidade do cuidado, mas não determinam, isoladamente, hospitalização ou cirurgia.
  • Se o engasgo é com a própria saliva, pense em falha no manejo de secreções; suspender dieta enteral não corrige esse mecanismo.
  • Quando o enunciado traz exaustão familiar e piora progressiva, procure a alternativa que inclua metas de cuidado, suporte ao cuidador e evitação de intervenção desproporcional.

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