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Q3192066 Medicina
Mulher, 45 anos, com histórico de bronquiectasias diagnosticadas desde a infância é admitida na emergência com aumento de tosse produtiva, febre e dispneia progressiva nas últimas 48 horas. Ela tem episódios recorrentes de infecções respiratórias e utilizou antibióticos recentemente. Qual das seguintes abordagens é a mais apropriada para o manejo dessa paciente no contexto atual? 
Alternativas

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Tema central: Exacerbação aguda de bronquiectasias. Trata-se de um quadro infeccioso com aumento de tosse, expectoração, febre e dispneia por >48h, típico de exacerbação bacteriana em paciente com doença estrutural crônica e uso recente de antibióticos (maior risco de germes resistentes, inclusive Pseudomonas aeruginosa).

Resposta correta: CAntibióticos IV com cobertura para Pseudomonas, ajustando após culturas. Em exacerbações moderadas a graves, especialmente com história de infecções recorrentes/antibióticos prévios, há alto risco de Pseudomonas. As diretrizes ERS 2017 e BTS 2019 recomendam iniciar empiricamente cobertura anti-pseudomonas quando houver fatores de risco, com coleta de escarro prévia (sem atrasar o início). Opções usuais: piperacilina-tazobactam, ceftazidima, cefepime ou meropenem; considerar adicionar aminoglicosídeo conforme gravidade e perfil local. Duração típica: 10–14 dias, ajustando ao antibiograma. Associar fisioterapia respiratória como adjuvante, hidratação e suporte. Referências: ERS/BTS Bronchiectasis Guidelines; UpToDate; Harrison’s.

Como interpretar a questão: Palavras-chave como “febre”, “aumento de tosse produtiva”, “dispneia”, “reincidência” e “uso recente de antibióticos” orientam para exacerbação bacteriana grave e risco de Pseudomonas. Não se deve atrasar antibiótico por procedimentos; evitar terapias isoladas que não tratam a infecção.

Análise das alternativas:

A) Corticoide oral isolado não é tratamento de escolha na exacerbação de bronquiectasias sem asma/COPD associada. Não cobre infecção e pode piorar desfechos se atrasar antibiótico. Diretrizes não recomendam como monoterapia.

B) Broncoscopia imediata não é rotineira. Indicações: obstrução, hemoptise significativa, falha de expetoração ou suspeita de corpo estranho. Não se deve postergar antibiótico para realizar o exame. Coleta de escarro é preferível inicialmente.

C) Correta. Antibiótico IV anti-pseudomonas na exacerbação grave com fatores de risco, ajustando por cultura. Coletar escarro antes, mas iniciar tratamento prontamente.

D) Fisioterapia respiratória é adjuvante importante, mas não substitui antibiótico na exacerbação infecciosa. Usá-la isoladamente mantém foco infeccioso ativo.

E) Macrolídeos em baixa dose são terapia preventiva para reduzir exacerbações em pacientes selecionados (≥3/ano), após excluir micobacterioses e avaliar QT. Não tratam o episódio agudo isoladamente.

Pontos-chave para a prova:

  • Exacerbação de bronquiectasias = tratar infecção com antibiótico direcionado, frequentemente por 10–14 dias.
  • Risco de Pseudomonas → escolher cobertura anti-pseudomonas IV em quadros graves ou com fatores de risco.
  • Coletar escarro antes, mas não atrasar antibiótico.
  • Fisioterapia: sempre como adjuvante, não como monoterapia.
  • Corticoide sistêmico: apenas se houver indicação específica (asma/COPD).

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