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Q252444 Português
                                                                Science fiction
O marciano encontrou-me na rua e teve medo de minha impossibilidade humana. Como pode existir, pensou consigo, um ser que no existir põe tamanha anulação de existência?
Afastou-se o marciano, e persegui-o. Precisava dele como de um testemunho. Mas, recusando o colóquio, desintegrou-se no ar constelado de problemas.
E fiquei só em mim, de mim ausente.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Science fiction. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1988, p. 330-331. 
O elemento em destaque está grafado de acordo com a norma-padrão em:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a distribuição normativa das formas “porque”, “por que”, “por quê” e “porquê”, acionada pelo comando “O elemento em destaque está grafado de acordo com a norma-padrão em:”. Em “Não se sabe por que o marciano se desintegrou.”, a expressão introduz pergunta indireta sobre motivo, caso em que a grafia correta é “por que”, separada, sem acento e sem aglutinação.

Tema central: Emprego de porquês
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque, em “O marciano desintegrou-se por que era necessário”, a relação expressa é causal/explicativa. Nesse caso, a forma normativa é “porque”, aglutinada. O erro é usar “por que”, que serve aqui para pergunta sobre motivo, não para introduzir causa já apresentada.
B
Errada
Está errada porque “porquê” é substantivo, com sentido de “motivo/razão”, e não é essa a função da expressão em “O marciano desintegrou-se porquê?”. Como a expressão aparece no fim do enunciado interrogativo, a forma adequada seria “por quê”, e não “porquê”.
C
Certa
A alternativa C está correta porque a expressão destacada introduz uma indagação indireta sobre a razão do fato: não se sabe por qual motivo o marciano se desintegrou. Nessa função sintático-semântica, a norma-padrão exige “por que”, separado. Não há valor de conjunção causal, não se trata de forma em final de enunciado e tampouco de substantivo.
D
Errada
Está errada porque, em “não se sabe o porque”, a presença do artigo “o” substantiva a palavra. Nessa situação, a grafia correta é “porquê”, junto e com acento: “o porquê”. O erro é escrever a forma substantivada sem acento e com separação indevida.
E
Errada
Está errada porque, em “Por quê o marciano se desintegrou?”, a expressão não está em final de enunciado nem antes de pausa forte. Nessa posição, a forma correta é “por que”. O acento em “por quê” não se justifica aqui.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre formas de mesma pronúncia e funções diferentes: pergunta indireta em C, causa em A, substantivo em D e posição final do enunciado em B. A armadilha principal é achar que toda pergunta pede “por quê” ou que toda ideia de motivo admite “porque”.
Dica para questões semelhantes
  • Primeiro identifique a função da expressão: pergunta sobre motivo, causa/explicação ou substantivo com sentido de “motivo”.
  • Se equivaler a “por qual motivo”, em pergunta direta ou indireta, use “por que”; só vira “por quê” no fim do enunciado ou antes de pausa forte.
  • Se a palavra vier com artigo ou outro determinante, trate como substantivo: “o porquê”.
  • Se introduzir causa ou explicação já afirmada, a forma normativa é “porque”.

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Comentários

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Opção CORRETA, letra "C".
Todas as demais opções contêm algum ERRO. Vejamos então quais e por quê (motivo): (grifo meu)

a) O marciano desintegrou-se por que era necessário. ERRADO. Este POR QUE tem aplicação em três situações: interrogação direta e indireta; substituição de "pelo(s) qual(is)", "por qual", "pela(s) qual(is)"; e com a palavra "motivo" expressa antes, depois ou subtendida. Nota-se que nehum destes casos atende ao sentido da oração. O correto, aqui, seria o uso de PORQUE, como conjunção causal ou explicativa, equivalendo a "pois", "já que" ou "uma  vez que". Assim teríamos: O marciano desintegrou-se porque (pois/visto que/já que) era necessário.
b) O marciano desintegrou-se porquê? ERRADO. Este PORQUÊ é a forma substantivada. Dá o entendimento de "motivo", "razão", mas deve ser antecedido por um artigo. Exemplo: Quero saber o porquê (motivo/razão) de sua decisão. Quero um porquê (motivo) para tudo isso. Além disso, esta empregado ao final da frase (situação de pausa), condição que exige o uso de POR QUÊ, o qual seria a forma adequada para esta oração. Ficaria portanto: O marciano desintegrou-se por quê?
c) Não se sabe por que o marciano se desintegrou. CORRETO. Um dos usos de POR QUE é quando houver a palavra "motivo" antes, depois ou, como ocorre aqui, subentendida. Seria o equivalente a dizer: Não se sabe por que motivo (subentendido) o marciano se desintegrou.
d) O marciano desintegrou-se, e não se sabe o porque. ERRADO. Este PORQUE é conjunção causal ou explicativa, equivalendo ao uso de "pois", "já que", "uma vez que" e, por certo, não se encaixa no nosso contexto. Não faria sentido dizer: O marciano desintegrou-se, e não se sabe o pois/já que. O adequado, nesta situação, seria o uso do POR QUÊ o qual é empregado quando a palavra "motivo" estiver subentendida e seguida de uma pausa, aqui, criada pelo ponto final. Ficaria portanto: O marciano desintegrou-se, e não se sabe o por quê.
e) Por quê o marciano se desintegrou? ERRADO. Nota-se claramente que temos, aqui, uma frase interrogativa. Além disso, o uso de POR QUÊ, sempre deve vir seguido de uma pausa (ponto final, vírgula etc), o que não foi o caso. Nesta situação o correto é o uso de POR QUE, permitindo composição tanto de interrogação direta quanto de interrogação indireta. Ficaria portanto: Por quê o marciano se desintegrou?
a) Errada. O correto seria utilizar a conjunção subdordinativa causal "porque";
b) 
ErradaO correto seria utilizar o "por quê" no sentido de questionar a razão, acentuando-se porque está no final de frase;
c) Alternativa correta. Não se sabe por qual razão o marciano se desintegrou;
d) 
ErradaComo o porquê, assim como este, tem um artigo antes de si, deve-se utilizar o "porquê", já que este é o que trabalha com substantivo;
e) 
ErradaO correto seria "por que". Afinal, ele está no início da frase e não em seu final.


A resposta dos colegas está melhor do que a da professora. Passa a impressão de estar com preguiça de responder.

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  • - Usos do porquê 


    DÍLSON CATARINO
    especial para o Fovest Online 

    Na Língua Portuguesa, há quatro maneiras diferentes de se grafar o porquê:


    1) Porquê (junto, com acento): É um substantivo, portanto deverá ser usado, quando surgir, antes dele, uma palavra modificadora – artigo (o, os, um, uns), pronome adjetivo (meu, esse, quanto) ou numeral (um, dois, três, quatro). Como é um substantivo, admite plural: porquês. Exemplos:

    — Ninguém sabe o porquê de tanto desdém.
    — Quantos porquês! Pare de fazer-me perguntas.


    2) Por quê (separado, com acento): É a junção da preposição por com o substantivo quê, que só é usado em final de frase. Aliás, sempre que a palavra "que" for usada em final de frase, deverá ser acentuada, independentemente do elemento que surja antes. Exemplos:

    — Você não me telefonou ontem por quê?
    — Nem eu sei por quê.
    — Você está rindo de quê?
    — Você procurou-me para quê?

    Nota 1: A palavra "que" será acentuada, quando estiver antecedida por uma palavra modificadora, ou quando for uma interjeição que designa espanto. Exemplos:

    — Ela tem um quê de mistério.
    — Quê? Ela esteve aqui, e você não me avisou?
    Nota 2: Quando, anteriormente ao "que", surgir a palavra "o", "a", "os" ou "as", teremos pronome demonstrativo (o, a, os, as), com o mesmo valor de "aquele, aquela, aquilo", e pronome relativo (que). No caso de "a que", também pode ser a preposição "a". Exemplos:

    — Não entendi o que você falou = Não entendi aquilo que você falou.
    — Dos concorrentes, o vencedor será o que mais votos obtiver = Dos concorrentes, o vencedor será aquele que mais votos obtiver.
    — A peça a que assisti é maravilhosa. (Esse "a" é preposição)

    3) Por que (separado, sem acento): 

    a) É a junção da preposição por com o pronome interrogativo que; significa por que motivo, por qual razão. Exemplos:

    — Por que o professor faltou hoje? = Por qual razão o professor faltou?
    — Não sei por que o professor faltou hoje = Não sei por qual motivo o professor faltou hoje.
    b) É a junção da preposição por com o pronome relativo que; pode ser substituído por pelo qual, pelos quais, pela qual, pelas quais ou por qual. Exemplos:

    —O aperto por que passei foi terrível = O aperto pelo qual passei foi terrível.
    — A causa por que luto é nobilíssima = A causa pela qual luto é nobilíssima.

    4) Porque (junto, sem acento): É uma conjunção, portanto estará ligando duas orações, indicando causa (= já que), explicação (= pois) ou finalidade (= para que). Exemplos:

    — O espetáculo não ocorreu, porque o cantor estava gripado = O espetáculo não ocorreu já que o cantor estava gripado.
    — Estudem, porque consigam a aprovação = Estudem para que consigam a aprovação.
    — Pare de falar, porque está atrapalhando-me = Pare de falar, pois está atrapalhando-me.

    Até mais ver. 


    [email protected]

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