De acordo com o texto, o que permite a percepção da felicid...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q3295137 Português
Leia o texto a seguir para responder as questão:


    Felicidade é uma vibração intensa, um momento em que eu sinto a vida em plenitude dentro de mim, e quero que aquilo se eternize. Felicidade é a capacidade de você ser inundado por uma alegria imensa por aquele instante, por aquela situação. Aliás, felicidade não é um estado contínuo, felicidade é uma ocorrência eventual. A felicidade é sempre episódica. Você sentir a vida vibrando, seja num abraço, seja na realização de uma obra, seja numa situação, por exemplo, em que seu time vence, seja porque algo que você fez deu certo, seja porque você ouviu algo que você queria ouvir. É claro que aquilo não tem perenidade, aliás, a felicidade se marcada pela perenidade seria impossível. Afinal de contas nós só temos a noção de felicidade pela carência.

    Se eu tivesse a felicidade como algo contínuo, eu não a perceberia. Nós só sentimos a felicidade porque ela não é contínua. Isto é, ela não é o que acontece o tempo todo, de todos os modos. A ideia de felicidade sozinha ela teria que ter uma questão anterior: se é possível viver sozinho. Que como a felicidade pelo óbvio só acontece com alguém que viu ou está e viver é viver com outros e outras, como não é possível viver sozinho? A possibilidade da felicidade isolada, solitária é nenhuma. Pra que eu possa ser feliz sozinho eu teria que ser capaz de viver sozinho. Mesmo a literatura, como Robson Crusoé, por exemplo, que lida com um homem que está só, mas ele está só depois de ter vivido com outros. Ele trás as outras pessoas na sua memória, na sua história, no seu desejo, no seu horizonte. Não há, não há história de ser humano em que ele tenha sido sozinho da geração até o término. Se assim não há, não há possibilidade de se ser feliz sozinho.

   Nos últimos 50 anos do século XX, nós tivemos mais desenvolvimento tecnológico do que em toda história anterior da humanidade. Todos os 39.950 anos anteriores, desde que o homo sapiens era sapiens, sapiens sapiens na classificação científica, foram menos do que os 50 anos finais do século XX. Seria a redenção da humanidade. Uma questão: as questões centrais permaneceram. Quem sou eu?, pra que tudo isso?, porque eu não sou feliz apenas quando possuo objeto?, porque o mal existe?, porque que eu não tenho paz em meio a tanta convivência? Nesta hora, não só a religiosidade, ela sofreu um revival, como a filosofia passou, de novo, a ser interessante. E aí claro, a filosofia como autoajuda, a filosofia como autoconhecimento, a filosofia como auto capacidade, a filosofia como prática sistemática. E de repente a gente tem no final do século XX, em vários lugares do mundo e no Brasil também, casas pra estudar filosofia; procura de cursos de filosofia. Nós somos o único animal que é mortal. Todos os outros animais são imortais. Embora todos morram, nós somos o único que além de morrer, sabe que vai morrer. Teu cachorro tá dormindo sossegado a essa hora. Teu gato tá tranquilo. Você e eu sabemos que vamos morrer.

    Desse ponto de vista, não é a morte que me importa, porque ela é um fato. O que me importa é o que eu faço da minha vida enquanto minha morte não acontece, pra que essa vida não seja banal, superficial, fútil, pequena. Nesta hora, eu preciso ser capaz de fazer falta. No dia que eu me for, e eu me vou, quero fazer falta. Fazer falta não significa ser famoso, significa ser importante. Há uma diferença entre ser famoso e importante. Muita gente não é famosa e é absolutamente importante. Importar; quando alguém me leva pra dentro, importa. Ele me porta pra dentro, ele me carrega. Eu quero ser importante. Por isso, pra ser importante, eu preciso não ter uma vida que seja pequena. E uma vida se torna pequena quando ela é uma vida que é apoiada só em si mesmo, fechada em si. Eu preciso transbordar, ir além da minha borda, preciso me comunicar, preciso me juntar, preciso me repartir. Nesta hora, minha vida que, sem dúvida, ela é curta, eu desejo que ela não seja pequena. (Cortella, Mário Sérgio. Disponível em: https://www.pensador.com/mario_sergio_cortella_textos/)
De acordo com o texto, o que permite a percepção da felicidade?
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Tema central: Interpretação de texto, com ênfase em coerência textual e compreensão da ideia principal.

A questão pede que o candidato identifique, de acordo com o texto, o que nos permite perceber a felicidade. Aqui, é fundamental saber localizar no texto ideias-chave e distinguir o que está dito literalmente daquilo que é apenas sugerido.

Análise da alternativa correta (D):
D) A carência e a falta de felicidade contínua.
O texto de Cortella é claro ao afirmar: “nós só temos a noção de felicidade pela carência” e “Se eu tivesse a felicidade como algo contínuo, eu não a perceberia. Nós só sentimos a felicidade porque ela não é contínua.” Portanto, segundo o autor, a percepção da felicidade depende justamente da sua não permanência, ou seja, só notamos a felicidade porque ela não é constante e completa falta de felicidade seria impossível perceber esse estado.

Conceito importante: A coerência textual ocorre quando as ideias do texto se conectam logicamente, facilitando ao leitor reconhecer a ideia principal — neste caso, a felicidade é episódica e só é reconhecida devido à sua carência (Koch, Antunes).

Por que as outras alternativas estão incorretas?

A) A ausência de momentos tristes.
O texto não diz que ausência de tristeza leva à percepção de felicidade, portanto, essa alternativa foge da ideia central.

B) A comparação com experiências passadas.
Não há referência direta à comparação. O foco está na falta de continuidade, não na comparação.

C) A constante busca por novos prazeres.
A obra trata a felicidade como algo eventual, não como busca incessante por prazer. Essa opção desvirtua o argumento do autor.

Dica de prova: Atente-se à seleção de palavras no texto (como “carência”, “não é contínua”, “episódica”) — muitas vezes, a alternativa certa utiliza palavras ou ideias paralelas às do texto, garantindo a coerência. Tome cuidado com opções genéricas ou que parecem corretas à primeira leitura, mas não estão alinhadas exatamente ao texto-base.

Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo