No último período do texto — "Baste o sol, baste o céu azul,...
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Ano: 2026
Banca:
CESPE / CEBRASPE
Órgão:
SEDUC-AL
Prova:
CESPE / CEBRASPE - 2026 - SEDUC-AL - Professor - Português |
Q4443467
Português
Texto associado
O sol funciona esplêndido em cima da praia. Abre-se o
espaço largamente. Custa admitir que a vida se cava em escritórios
tristonhos, nas jaulas dos guichês, repartições, filas, cemitérios do
homem.
Amo esta distância verde, este cheiro de sal, esta paz. Seria
um absurdo mitológico se um submarino atômico surgisse à tona
e nos destruísse, a nós que apenas pedimos um pouco mais de
intimidade com a vida.
Dispomos aqui dos instrumentos essenciais a um momento
de equilíbrio: a persistência do coração, o trabalho do fígado e dos
rins, eliminando os venenos, a persistência do ar iodado, a água
salgada, elementos suficientes ao mistério linear de viver e sentir.
Não fosse uma gaivota faminta, nem perceberíamos este espinho
interior a denunciar as vastas solidões que dominamos, sofrimento,
pressentimento, aniquilamento.
Há pequenos vermes ocultos na areia para que a nossa
tranquilidade não seja alarmante. Obrigações a cumprir, amores a
sonhar, coisas a fazer formam figuras abstratas que se misturam,
se deformam e se quebram. Baste o sol, baste o céu azul, baste a
escura arraia da vida dormindo maldormida em nossas
profundezas submarinas.
Paulo Mendes Campos. Dois pensamentos na praia. 30 de maio de 1959 (com adaptações).
Julgue o item a seguir, relativo a aspectos linguísticos do texto
precedente.
No último período do texto — "Baste o sol, baste o céu azul,
baste a escura arraia da vida dormindo maldormida em nossas
profundezas submarinas. " —, o verbo bastar é empregado no
presente do subjuntivo, com valor optativo nas três
ocorrências, denotando desejo, aspiração.