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Q2464851 Direito Administrativo
Considere que foi instaurado inquérito civil com o objetivo de apurar se João praticou ato de improbidade administrativa, por ter praticado conduta por meio da qual obteve vantagem patrimonial indevida que resultou em seu enriquecimento ilícito. Após a realização das primeiras diligências e ouvidas testemunhas no inquérito civil, João procura diretamente Matias, promotor natural do caso, para tratar de proposta de acordo de não persecução cível. As partes agendaram uma reunião inicial para a potencial discussão dos termos. A respeito do assunto, Matias poderá informar na reunião, de maneira correta, que
Alternativas

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: A Lei nº 8.429/1992, art. 17-B, § 4º, incluído pela Lei nº 14.230/2021, dispõe: “§ 4º O acordo a que se refere o caput deste artigo poderá ser celebrado no curso da investigação de apuração do ilícito, no curso da ação de improbidade ou no momento da execução da sentença condenatória.” Como João procura negociar durante a investigação, e a norma também admite o acordo na execução da sentença condenatória, a alternativa E está correta quanto ao momento de celebração.

Tema central: Momento e finalidade do ANPC
Análise das alternativas
A
Errada
O erro é exigir enquadramento em algum inciso do art. 9º da Lei nº 8.429/1992. O caput define o enriquecimento ilícito e introduz os incisos com a expressão “e notadamente”, indicando rol exemplificativo: a conduta pode ser tipificada diretamente pelo caput. Além disso, enriquecimento ilícito não permite presumir dano ao erário. O ressarcimento pressupõe dano efetivamente existente, conforme o art. 12, caput, que se refere ao dano patrimonial “se efetivo”. Isso não afasta a reversão da vantagem indevida exigida pelo art. 17-B, II.
B
Errada
Não existe requisito geral de renúncia aos sigilos fiscal e bancário para celebrar o acordo. Também é incorreto afirmar publicidade irrestrita dos documentos: as negociações são confidenciais e pode haver preservação judicial do sigilo após a homologação. Como apoio normativo atual, a Resolução CNMP nº 306/2025, art. 8º, §§ 2º e 4º, disciplina essas restrições de publicidade; sem a data da prova, ela não deve ser projetada retroativamente.
C
Errada
A exclusividade ministerial foi afastada pelo STF no julgamento das ADIs 7.042 e 7.043, em 31/08/2022. O entendimento reconhece legitimidade concorrente e disjuntiva do Ministério Público e das pessoas jurídicas interessadas para propor ações de improbidade e celebrar acordos de não persecução civil. Logo, o acordo não precisa necessariamente ser celebrado com o Ministério Público.
D
Errada
O acordo não impede automaticamente a responsabilização administrativa ou criminal pelo mesmo fato. A autonomia dessas responsabilidades encontra suporte no art. 12, caput, da Lei nº 8.429/1992, que ressalva as sanções penais, civis e administrativas previstas na legislação específica. Também não há obrigação universal de identificar outros coatores e beneficiários: essa exigência transformaria todo acordo em colaboração probatória, embora o instituto admita composição sancionatória sem colaboração.
E
Certa
Quanto à finalidade, a alternativa E acerta ao admitir responsabilização consensual sem exigir colaboração para identificar outros envolvidos ou esclarecer ilícito complexo. “Pura reprimenda” designa essa responsabilização, não uma dispensa dos resultados patrimoniais exigíveis. A Lei nº 8.429/1992, art. 17-B, incisos I e II, exige: “I - o integral ressarcimento do dano; II - a reversão à pessoa jurídica lesada da vantagem indevida obtida, ainda que oriunda de agentes privados.” Assim, permanecem obrigatórias a reversão da vantagem indevida e, se houver dano efetivo, sua reparação integral.
Pegadinha da questão
Confundir não persecução civil com acordo exclusivamente anterior à sentença e necessariamente colaborativo. A expressão “pura reprimenda” significa ausência de colaboração probatória obrigatória, não autorização para conservar a vantagem indevida ou deixar de reparar dano efetivo.
Dica para questões semelhantes
  • Confira o marco temporal no art. 17-B, § 4º: investigação, ação de improbidade e execução da sentença condenatória admitem acordo.
  • Separe finalidade sancionatória de colaboração probatória: identificar outros envolvidos não é requisito de todo acordo.
  • Distinga as obrigações patrimoniais: a vantagem indevida deve ser revertida; o ressarcimento depende da existência de dano efetivo.
  • Não atribua exclusividade ao Ministério Público: o STF reconheceu legitimidade concorrente e disjuntiva também às pessoas jurídicas interessadas.

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Comentários

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GAB: E

Lei nº 8.429/92:

Art. 17-B. O Ministério Público poderá, conforme as circunstâncias do caso concreto, celebrar acordo de não persecução civil, desde que dele advenham, ao menos, os seguintes resultados: 

I - o integral ressarcimento do dano;       

II - a reversão à pessoa jurídica lesada da vantagem indevida obtida, ainda que oriunda de agentes privados.

§ 4º O acordo a que se refere o caput deste artigo poderá ser celebrado no curso da investigação de apuração do ilícito, no curso da ação de improbidade ou no momento da execução da sentença condenatória.

Sobre a ALTERNATIVA A:

"para que o acordo seja celebrado, é necessário que a conduta se amolde em um dos incisos do art. 9o , da Lei no 8.429/92" --> não necessariamente, uma vez que os rols previstos nos artigos 9 e 10 são exemplificativos.

A alternativa A está incorreta. Consoante ao art. 17-B da Lei n. 8.429/1992: O Ministério Público poderá, conforme as circunstâncias do caso concreto, celebrar acordo de não persecução civil, desde que dele advenham, ao menos, os seguintes resultados: I – o integral ressarcimento do dano; II – a reversão à pessoa jurídica lesada da vantagem indevida obtida, ainda que oriunda de agentes privados. A lei, portanto, não exige que o ato seja necessariamente previsto no artigo 9º, sendo possível o Acordo de Não Persecução Civel para as demais hipóteses de improbidade administrativa.

A alternativa B está incorreta. A Lei n. 8.429/1992 não excepciona o princípio da publicidade das ações por improbidade administrativa.

A alternativa C está incorreta. De acordo com a Lei n. 8.429/1992, o legitimado para propor o acordo seria apenas o Ministério Público (art. 17-B. Porém, julgando as ADIs 7042 e 7043, o STF declarou a inconstitucionalidade da legitimidade ativa exclusiva do parquet para propositura da ação de improbidade administrativa, afirmando a sua legitimidade concorrente com o ente público prejudicado, bem como a possibilidade de o ente público prejudicado propor o ANPC.

A alternativa D está incorreta. A ação por improbidade administrativa é repressiva, de caráter sancionatório, destinada à aplicação de sanções de caráter pessoal previstas nesta Lei, e não constitui ação civil. A Lei n. 14.230/2021 incluiu na Lei n. 8.429 duas situações distintas em que uma decisão de outra esfera poderia vincular a ação de improbidade administrativa: a) Sentença civil e penal de 1º grau que reconhece a inexistência da conduta ou da autoria: comunica com a ação de improbidade administrativa, para definir o julgamento pela improcedência. b) Decisão penal, confirmada por decisão colegiada, por qualquer dos motivos do art. 386, do CPP: impede o trâmite da ação de improbidade. Por fim, as sanções eventualmente aplicadas em outras esferas deverão ser compensadas com as sanções aplicadas, nos termos da lei de improbidade administrativa (art. 21, §5º), o que já era estabelecido pelo STJ. Convém destacar que a compensação das sanções somente ocorre quando se tratar de penas aplicadas em esferas distintas em razão do mesmo fato.

A alternativa E está correta. Nos termos do artigo 17-B, § 4º, da Lei n. 8.429/1992, “O acordo a que se refere o caput deste artigo poderá ser celebrado no curso da investigação de apuração do ilícito, no curso da ação de improbidade ou no momento da execução da sentença condenatória”.

hhh

A) ERRADA

Art. 17-B. O Ministério Público poderá, conforme as circunstâncias do caso concreto, celebrar acordo de não persecução civil, desde que dele advenham, ao menos, os seguintes resultados:

I – o integral ressarcimento do dano;

II – a reversão à pessoa jurídica lesada da vantagem indevida obtida, ainda que oriunda de agentes privados.

Prevê-se a perda de bens ou valores acrescidos ilicitamente, com a reversão da vantagem indevida obtida à PJ lesada.

O erro da questão está no fato de que o art. 9º da LIA é EXEMPLIFICATIVO e, portanto, a conduta não precisa se amoldar a algum dos incisos. Pode a conduta enquadrar-se no caput do art. 9º (diferentemente do art. 11, com a nova redação da Lei 14.230/21, que é taxativo).

Art. 9º Constitui ato de improbidade administrativa importando em enriquecimento ilícito auferir, mediante a prática de ato doloso, qualquer tipo de vantagem patrimonial indevida em razão do exercício de cargo, de mandato, de função, de emprego ou de atividade nas entidades referidas no art. 1º desta Lei, e notadamente:

B) ERRADA

De fato, o ANPC e os documentos que o instruem são, em regra, públicos. Não há, todavia, previsão legal que exija, como condição para celebração do acordo, a renúncia do agente ao sigilo bancário e fiscal.

Foca na falta de exigência legal da renúncia como condição para celebração do ANPC e não entre, concurseiro (pré-concurseiro é de magis, pelo menos por enquanto) em discussão se pode incluir ou não tal cláusula. Hehe

C) ERRADA

Legitimação concorrente e disjuntiva.

[…] 7. Ação julgada parcialmente procedente [...] de modo a restabelecer a existência de legitimidade ativa concorrente e disjuntiva entre o Ministério Público e as pessoas jurídicas interessadas para a propositura da ação por ato de improbidade administrativa e para a celebração de acordos de não persecução civil […] (STF, ADI 7042 e 7043, p. 28-02-2023).

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