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Q959358 Português

                            Felizes para sempre? Quem dera...

                                          (Gláucia Leal)


      Em tempos de tão pouca tolerância consigo mesmo e com os outros, manter relacionamentos amorosos duradouros e felizes parece um dos objetivos mais almejados entre pessoas de variadas classes sociais e faixas etárias. Fazer boas escolhas, entretanto não é fácil - haja vista o grande número de relações que termina, não raro, de maneira dolorosa - pelo menos para um dos envolvidos. Para nossos avós, o casamento e sua manutenção, quaisquer que fossem as penas e os sacrifícios atrelados a eles, era um destino quase certo e com pouca possibilidade de manobra. Hoje, entretanto, convivemos com a dádiva (que por vezes se torna ônus) e escolher se queremos ou não estar com alguém.

      Um dos pesos que nos impõe a vida líquida (repleta de relações igualmente líquidas, efêmeras), como escreve o sociólogo Zygmunt Bauman, é a possibilidade de tomarmos decisões (e arcar com elas). Filhos ou dependência econômica já não prendem homens e mulheres uns aos outros, e cada vez mais nos resta descobrir onde moram, de fato, nossos desejos. E não falo aqui do desejo sexual, embora este seja um aspecto a ser considerado, mas do que realmente ansiamos, aspiramos para nossa vida. Mas para isso é preciso, primeiro, localizar quais são as nossas faltas. E nos relacionamentos a dois elas parecem ecoar por todos os cantos.

      Dividir corpos, planos, sonhos, experiências, espaços físicos e talvez o mais precioso, o próprio tempo, acorda nos seres humanos sentimentos complexos e contraditórios. Passados os primeiros 18 ou 24 meses da paixão intensa (um período de maciças projeções), nos quais a criatura amada parece funcionar como bálsamo às nossas dores mais inusitadas, passamos a ver o parceiro como ele realmente é: um outro. E essa alteridade às vezes agride, como se ele (ela) fosse diferente de nós apenas para nos irritar. Surge então a dúvida, nem sempre formulada: Continuar ou desistir? (...)

Disponível em: http://conexoesentreoscasais.blogspot.com.br/2011/04/felizes-para-sempre-quem-dera.html. Acesso em 15/04/2018.

Na passagem “Como escreve o sociólogo Zygmunt Bauman”, o termo destacado constitui sintaticamente:
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central da questão: Sintaxe – Identificação de aposto especificativo

A questão aborda função sintática do termo “Zygmunt Bauman” na frase “Como escreve o sociólogo Zygmunt Bauman”. Para resolver, é importante saber o que é aposto e como identificá-lo na estrutura da oração, conforme a norma-padrão.

Regra central: O aposto é um termo que explica, especifica ou resume outro termo, geralmente um substantivo, sem exercer função essencial à estrutura da oração. O aposto especificativo, presente neste caso, restringe ou individualiza um nome genérico e, diferentemente do aposto explicativo, não é separado por vírgulas.

Conforme Bechara (2009) e Cunha & Cintra (2008), quando um nome próprio individualiza um substantivo comum, ele funciona como aposto especificativo. Exemplo: “O escritor Machado de Assis é famoso.” Aqui, ‘Machado de Assis’ esclarece quem é ‘o escritor’.

Na frase da questão:
“O sociólogo Zygmunt Bauman”
— ‘Zygmunt Bauman’ individualiza o substantivo ‘sociólogo’, indicando exatamente de quem se fala, logo, é aposto especificativo.

Justificativa da alternativa correta (E): “Aposto” – O termo “Zygmunt Bauman” caracteriza-se como aposto porque especifica qual sociólogo está sendo citado. Esta função está perfeitamente alinhada à norma padrão.

Análise das alternativas incorretas:

  • (A) Núcleo do sujeito: Incorreto – o núcleo é ‘sociólogo’.
  • (B) Vocativo: Incorreto – vocativo serve para invocar/chamar alguém, geralmente isolado por vírgula, o que não ocorre aqui.
  • (C) Complemento nominal: Incorreto – complemento nominal exige preposição e amplia o sentido de um nome, o que não acontece no termo em questão.
  • (D) Adjunto adnominal: Incorreto – adjunto adnominal é geralmente um adjetivo, pronome, locução, não nome próprio especificativo.

Dica do Concurso: Para não errar, identifique se o nome próprio apenas individualiza o comum próximo a ele (aposto especificativo) ou se chama alguém (vocativo). Fique atento à ausência de vírgulas e ao papel informativo do termo!

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Comentários

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Alternativa correta: E. "Zygmunt Bauman" é aposto especificativo de sociólogo.


Aposto especificativo é utilizado com o intuito de individualizar ou especificar um termo genérico empregado na oração, sendo ligado diretamente ao termo ou associado por meio de uma preposição. Geralmente não é destacado por sinais de pontuação e faz referência, na maioria das vezes, a nomes próprios. (Exemplos: a Praia de Copacabana; o escritor Machado de Assis)

termos entre virgulas Além de especificação da frase

Achei que a passagem fosse aposto.

GABARITO: E

“Como escreve o sociólogo Zygmunt Bauman”=> Aposto designativo, ou seja está designando quem é o sociólogo, não vem isolado por vírgulas.

 

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