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Q4152668 Medicina
Leia o caso clínico a seguir.

Paciente do sexo masculino, de 68 anos, sem doenças prévias, relata “indigestão” intermitente, desconforto epigástrico e retroesternal, que dura de um a cinco minutos, associado à dispneia e a náuseas. Ele estava bem até dois meses atrás. Inicialmente, os episódios ocorreram enquanto jogava tênis e, ocasionalmente, após as refeições mais copiosas. No último mês, teve sintomas mais frequentes após subir escadas e, recentemente, dor em repouso.

Nesse caso, a conduta indicada é: 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: Dor retroesternal/epigástrica sugestiva de isquemia, inicialmente desencadeada por esforço e com progressão para menor limiar e dor em repouso, caracteriza suspeita de angina instável/síndrome coronariana aguda até exclusão; nesse cenário, a conduta é internação para avaliação e tratamento, e não teste provocativo ambulatorial.

Tema central: Angina instável
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque o caso não descreve uma queixa digestiva isolada, mas um padrão compatível com isquemia miocárdica em instabilidade. Em idoso, “indigestão” ou desconforto epigástrico pode ser equivalente anginoso, sobretudo quando vem associado a dispneia e náuseas e aparece aos esforços. O ponto mais importante é a evolução: os sintomas começaram com maior demanda, depois surgiram com atividades menores e, por fim, em repouso. Isso afasta investigação eletiva de doença coronariana estável e exige ambiente hospitalar para observação, estratificação diagnóstica e tratamento.
B
Errada
Ecocardiograma de estresse é exame de investigação de isquemia em contexto estável. Aqui há suspeita de instabilidade coronariana pelo padrão em crescendo e pela dor em repouso, então teste provocativo não é a primeira etapa e é inadequado como conduta inicial. O erro da alternativa é tratar como investigação eletiva um quadro que exige avaliação hospitalar imediata.
C
Errada
O teste ergométrico também pertence à estratificação funcional de doença coronariana estável. A presença de dor recente em repouso e a progressão para menor limiar de esforço afastam essa via diagnóstica inicial. Além de não resolver a necessidade imediata de excluir síndrome coronariana aguda, provocar estresse miocárdico nesse contexto é abordagem inadequada.
D
Errada
A prova terapêutica com inibidor de bomba de prótons erra por ancoragem no componente epigástrico e pós-prandial, ignorando os elementos que favorecem origem isquêmica: relação com esforço, progressão do padrão, dispneia, náuseas e dor em repouso. Tratar empiricamente como dispepsia atrasaria a avaliação de um quadro potencialmente coronariano.
Pegadinha da questão
A banca explora a apresentação como “indigestão” e a ocorrência após refeições copiosas para induzir hipótese gastrointestinal, mas o que define a resposta é o padrão isquêmico progressivo com redução do limiar e dor em repouso.
Dica para questões semelhantes
  • Em dor torácica ou epigástrica de possível origem isquêmica, o padrão evolutivo pesa mais que a descrição subjetiva do sintoma.
  • Se a dor passa de esforço maior para esforço menor e depois repouso, pense em instabilidade coronariana, não em investigação ambulatorial.
  • Teste ergométrico e eco de estresse cabem na doença coronariana estável; na suspeita de SCA, a prioridade é ambiente hospitalar com ECG e biomarcadores seriados.
  • Em idosos, epigastralgia, “indigestão”, dispneia e náuseas podem ser equivalentes anginosos.

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