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Q2930501 Medicina

Texto para as questões de 40 a 43

Um paciente com noventa e cinco anos de idade, com demência de Alzheimer na fase grave, recebe atendimentos domiciliares regulares há mais de cinco anos e encontra-se acamado, com síndrome de fragilidade, osteoporose, doença do refluxo gastroesofágico e diabetes melito tipo 2. Faz uso de ácido acetilsalicílico 100 mg por dia, alendronato sódico 70 mg por semana, carbonato de cálcio 500 mg por dia, sinvastatina 10 mg por dia e aspartato de L-arginina 250 mg/dia. Na consulta anterior, a família reiterou a vontade de não mais levá-lo ao hospital se caso complicasse a doença, pois da última vez que isso ocorreu ele ficou internado na unidade de terapia intensiva por quase trinta dias. Após episódios de tosse produtiva e febre, o médico é chamado à residência e confirma o diagnóstico clínico de pneumonia. Não há sinais de hipoxemia evidentes, além de ter sido submetido à vacina pneumocócica polivalente há dois anos.

Com base no quadro clínico apresentado acima, a melhor conduta acerca dos cuidados paliativos para esse paciente é

Alternativas

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Tema central: Esta questão aborda cuidados paliativos e manejo da pneumonia em paciente idoso frágil, especialmente em individuos com doença avançada e restrição domiciliar.

Comentário da alternativa correta (B):
A iniciativa de tratamento com antibiótico oral em domicílio é a melhor conduta nesse contexto. O paciente tem demência avançada, síndrome da fragilidade e história de longa permanência domiciliar, além do desejo expresso dos familiares por evitar internações. Segundo o Manual de Cuidados Paliativos (2ª Edição, pág. 45): “A conduta deve priorizar qualidade de vida e controle de sintomas, respeitando as escolhas do paciente e da família”.

O tratamento ambulatorial é respaldado pelas Diretrizes Brasileiras para Pneumonia Adquirida na Comunidade em Adultos, que recomendam considerar, entre outros critérios, a estabilidade clínica do paciente e o escore CURB-65. Aqui, o único critério positivo é a idade (≥65 anos), sugerindo baixa mortalidade e favorecendo o tratamento fora do hospital, desde que haja acompanhamento.

Análise das alternativas incorretas:

A) Internação em UTI não se justifica sem sinais de gravidade aguda, além de contrariar os princípios de cuidados paliativos e o desejo familiar. O paciente não apresenta hipoxemia nem instabilidade clínica grave.

C) Nova dose da vacina pneumocócica não possui indicação em intervalo inferior a 5 anos e não altera a conduta frente à pneumonia já instalada (pegadinha clínica!).

D) Não há respaldo científico para aumentar a dose de aspartato de L-arginina visando resposta imune em quadros infecciosos. Intervenções não baseadas em evidências devem ser evitadas.

E) A internação em enfermaria apenas seria considerada caso o quadro clínico evoluísse para gravidade, o que não se aplica nesta avaliação inicial. Novamente, fere o princípio de evitar internações, já definido com a família.

Dicas para provas: Atenção aos desejos do paciente/família e olhar integral para fragilidade e prognóstico. Questões nessa linha costumam testar sua sensibilidade à individualização do cuidado e respeito à autonomia, além de atualizar seu conhecimento sobre condutas em geriatria e cuidados paliativos.

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