As formas farmacêuticas estéreis são preparações isentas de...
Gabarito comentado
Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores
Tema central: Controle de qualidade de formas estéreis e o microrganismo mais resistente aos processos de esterilização. Em produtos parenterais, a falha em eliminar contaminantes viáveis pode causar infecção e sepse; por isso, o processo é qualificado contra os agentes mais difíceis de destruir.
Gabarito: B — Esporos
Por quê? Esporos bacterianos (endósporos), formados por Bacillus e Clostridium sob estresse ambiental, são estruturas dormentes (não vegetativas) com altíssima resistência a calor, dessecção, UV e agentes químicos. Por isso, os ciclos de esterilização são validados com biological indicators de esporos (ex.: Geobacillus stearothermophilus para vapor; Bacillus atrophaeus para óxido de etileno e calor seco), visando uma Sterility Assurance Level de 10⁻⁶. Uma vez em condições favoráveis, os esporos germinariam para a forma vegetativa. Referências: USP <1211> (Sterilization and Sterility Assurance), ISO 11138 (Indicadores biológicos), WHO TRS (Annex: Sterilization).
Estratégia de prova: Palavras-chave como “muito resistente”, “más condições ambientais” e “maior dificuldade de eliminação” apontam diretamente para esporos. O termo “forma de vida” exclui substâncias não vivas como pirogênios e endotoxinas.
Análise das alternativas incorretas
A — Pirogênios: não são microrganismos, mas substâncias que induzem febre (p. ex., endotoxinas). Não são removidos por “esterilização” padrão; requerem despirogenização (calor seco ~250 °C) e controle por ensaio LAL (USP <85>). Logo, não correspondem à “forma de vida” mais resistente.
C — Endotoxinas: lipopolissacarídeos de Gram-negativas. São pirógenos, não organismos vivos. Relativamente termoestáveis: sobrevivem à esterilização por vapor; exigem processos específicos (calor seco, adsorção). Portanto, não respondem ao enunciado.
D — Fungos: fungos podem formar esporos (conídios), porém, no contexto de validação de esterilização, a referência de maior resistência são os endósporos bacterianos. Além disso, a descrição com “forma vegetativa” é imprecisa: o esporo é latente, não vegetativo. Diretrizes (USP <1211> e ISO 11138) utilizam esporos bacterianos como desafio-padrão.
Aplicação prática (qualidade e clínica): Para soluções termossensíveis, usa-se filtração esterilizante 0,22 μm em ambiente grau A/B; para itens termorresistentes, autoclavação; e sempre qualificação com indicadores biológicos de esporos. Controle de pirogênios/endotoxinas é complementar, pois esterilidade ≠ apirogenicidade (USP <71> Esterilidade; USP <85> Endotoxinas).
Mensagem-chave: Em esterilização, pense em esporos como o alvo mais difícil; pirogênios/endotoxinas não são vivos e requerem outra estratégia de controle.
Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!
Clique para visualizar este gabarito
Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo