Paciente 5 anos apresentando esforço para evacuar, uma evacu...

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Q3834150 Medicina
Paciente 5 anos apresentando esforço para evacuar, uma evacuação a cada 8 dias com fezes grossas que entopem o vaso e escape fecal diário. A última evacuação foi há 5 dias. A curva de peso e estatura encontra-se entre o score Z – 1 e 0, sem relato de perda de peso, nem atraso do desenvolvimento neuropsicomotor. Ao nascer, houve eliminação de mecônio nas primeiras 24 horas de vida, e atualmente o paciente não faz uso de nenhuma investigação contínua. Nesse caso, a conduta inicial mais indicada seria a seguinte: 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O quadro é de constipação funcional com impactação fecal e escape por transbordamento: evacuações muito espaçadas, fezes volumosas e escape fecal diário indicam retenção fecal importante. Como houve eliminação de mecônio nas primeiras 24 horas, crescimento preservado e ausência de atraso do desenvolvimento, não há sinal de alarme que imponha investigação inicial; por isso, a conduta correta é desimpactação com laxante osmótico por via oral, seguida de manutenção.

Tema central: Constipação funcional infantil
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A acerta a sequência terapêutica obrigatória do quadro descrito. A criança tem constipação funcional crônica com fecaloma e incontinência fecal por transbordamento, e isso exige primeiro remover a impactação. O uso de laxante osmótico por via oral em dose de desimpactação por alguns dias trata a retenção fecal estabelecida; manter depois dose de manutenção é necessário para evitar reimpactação e permitir reabilitação do hábito intestinal. Esse é o manejo inicial compatível com o quadro típico e sem sinais clínicos de causa orgânica.
B
Errada
Está errada porque fibra isoladamente não resolve impactação fecal estabelecida. Além disso, iniciar investigação com anticorpo antitransglutaminase IgA e enema opaco contraria o critério do caso: o quadro é típico de constipação funcional sem red flags, então a prioridade é desimpactar, não investigar doença celíaca ou Hirschsprung como primeira etapa.
C
Errada
Está errada porque picossulfato em dose esparsa não corresponde à estratégia inicial clássica de desimpactação eficaz apresentada na base para fecaloma com soiling. Também erra ao antecipar manometria anorretal e trânsito intestinal em uma criança com mecônio oportuno, crescimento preservado e quadro clínico típico de constipação funcional, situação em que exames funcionais especializados não são a conduta inicial.
D
Errada
Está errada porque direciona o caso para investigação de Hirschsprung com enema opaco e biópsia retal sem base clínica inicial para isso. A eliminação de mecônio nas primeiras 24 horas, o crescimento preservado e a ausência de atraso do desenvolvimento reduzem fortemente essa suspeita. Além disso, manter a criança sem medicação após enema retal vai contra o manejo correto da constipação funcional com impactação, que exige tratamento contínuo após a desimpactação para evitar novo acúmulo.
E
Errada
Está errada porque medidas dietéticas isoladas são insuficientes diante de retenção fecal importante com escape fecal diário. Também é falsa a premissa de evitar laxantes por risco de dependência intestinal: na constipação funcional pediátrica, laxantes osmóticos são parte central do tratamento tanto na desimpactação quanto na manutenção.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre escape fecal diário e diarreia ou melhora do quadro, quando na verdade esse achado, junto de fezes muito volumosas e evacuações infrequentes, aponta para transbordamento sobre fecaloma e obriga desimpactação antes de dieta ou investigação.
Dica para questões semelhantes
  • Se houver fezes grandes, evacuações muito espaçadas e escape fecal, pense primeiro em constipação funcional com impactação e transbordamento.
  • Na ausência de sinais de alarme como mecônio tardio, falha de crescimento ou atraso do desenvolvimento, a conduta inicial é terapêutica, não investigação invasiva.
  • Em criança fecalizada, fibra e água são adjuvantes; não substituem desimpactação seguida de manutenção com laxativo.
  • Não elimine laxantes por mito de dependência intestinal quando o quadro for de constipação funcional pediátrica.

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