Hamlet observa a Horácio que há mais cousas no céu e na terra do que sonha a nossa
filosofia. Era a mesma
explicação que dava a bela Rita ao moço Camilo, numa sexta-feira de novembro de 1869,
quando este ria dela,
por ter ido na véspera consultar uma cartomante; a diferença é que o fazia por outras palavras.
- Ria, ria. Os homens são assim; não acreditam em nada. Pois saiba que fui, e que ela
adivinhou o motivo da
consulta, antes mesmo que eu lhe dissesse o que era. Apenas começou a botar as cartas,
disse-me: "A senhora
gosta de uma pessoa...". Confessei que sim, e então ela continuou a botar as cartas,
combinou-as, e no fim
declarou-me que eu tinha medo de que você me esquecesse, mas que não era verdade...
- Errou! - interrompeu Camilo, rindo.
Camilo pegou-lhe nas mãos, e olhou para ela sério e fixo. Jurou que lhe queria muito, que os
seus sustos
pareciam de criança; em todo o caso, quando tivesse algum receio, a melhor cartomante era
ele mesmo. Depois,
repreendeu-a; disse-lhe que era imprudente andar por essas casas. Vilela podia sabê-lo, e
depois...
- Qual saber! Tive muita cautela, ao entrar na casa.
Foi então que ela, sem saber que traduzia Hamlet em vulgar, disse-lhe que havia muita cousa
misteriosa e
verdadeira neste mundo. Se ele não acreditava, paciência; mas o certo é que a cartomante
adivinhara tudo.
Segundo o texto, a crítica central que Camilo dirige ao comportamento de Rita é:
Incorreta. Gabarito oficial da banca:
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