Rimas em língua de sinais: como rappers
surdos estão mudando a música
Em abril de 2023, o DJ americano Supalee
organizou o evento Supafest Reunion 2023 para
celebrar os artistas e promotores da comunidade
surda dos Estados Unidos. (...) Muitos desses
artistas, ativistas e empresários contribuíram para
uma cena de hip hop cada vez maior dentro da
comunidade surda, que inclui um subgênero do
rap conhecido como dip hop. À medida que o hip
hop celebra seu 50º aniversário, cinco décadas de
seu impacto cultural reverberam nos ambientes
mainstream e underground. O que teve origem no
Bronx, em Nova York, pode agora ser
encontrado um pouco por todo o mundo,
assumindo novas formas à medida que evoluiu
numa diversidade de espaços e lugares (...). Diphop é um dos muitos estilos de rap que se
desenvolveram ao longo dos anos. Mas se
destaca de outros subgêneros do hip hop porque
os rappers criam rimas em línguas de sinais e
músicas baseadas em suas experiências culturais
na comunidade surda.
O nascimento de um movimento musical
Em 2005, o rapper Warren “Wawa” Snipe criou
o termo “DIP HOP” em ASL e em inglês para
classificar um estilo de rap em desenvolvimento
na comunidade surda. Embora os artistas desse
estilo identifiquem sua música de maneiras
diferentes — alguns usam rótulos como “deaf
rap”, “deaf hip-hop” e “sign rap” — a
designação dip hop vai além de adicionar um
qualificador ao gênero musical mais amplo de
rap. Em vez disso, indica um estilo independente
fundamentado no hip hop e na cultura surda. (...)
De muitas maneiras, o dip hop seguiu uma
trajetória não muito diferente do hip hop. No
final dos anos 1990 e início dos anos 2000, DJs
surdos
e empresários do entretenimento
organizaram festas (...), eventos noturnos e
reuniões sociais. Esses locais ofereceram
oportunidades para rappers, DJs, dançarinos e
outros artistas começarem a desenvolver e
explorar seu próprio estilo de hip hop e se
conectar com outros rappers e DJs. Cidades com escolas para surdos serviram como centros
culturais para networking musical. (...) Além
disso, maior acesso à tecnologia de gravação,
sites de streaming de vídeo e mídias sociais
deram aos artistas surdos ferramentas para criar
música e se conectar com outros artistas e fãs.
Embora a incorporação da linguagem de sinais
seja um elemento fundamental do dip hop — e
permaneça na vanguarda da definição desse
estilo — o dip hop se estende muito além da
criação de canções de rap originais em linguagem
de sinais. Ele envolve expressão musical que é
moldada através do prisma cultural surdo —
canções que reorientam as noções dominantes do
que pode ser considerado música. Ao mesmo
tempo, cada artista tem seu próprio estilo de rap,
com performances de dip hop assumindo uma
variedade de formas e estruturas diferentes. Por
exemplo, alguns artistas de dip hop trabalham
com linguagens orais e manuais para tornar sua
música acessível a pessoas que ouvem. Há
aqueles
que tocam nos dois idiomas
simultaneamente, e outros que pré-gravam sua
faixa vocal, que toca ao fundo enquanto eles
fazem rap em língua de sinais. (...) Dip hop,
como muitos estilos de música, ganha vida por
meio de apresentações ao vivo. Os artistas se
movem pelo palco com as mãos voando no ar
enquanto o público pulsa ao ritmo da batida do
baixo. Alguns artistas mergulham ainda mais seu
público
na experiência musical usando
instrumentos e equipamentos especializados,
como subwoofers, objetos que podem conduzir
vibrações como balões, ou novas formas de
tecnologia háptica (tecnologias que um usuário
experimenta por meio do sentido do tato). (...)
Entrando no 'mainstream'
Os artistas do dip hop têm lutado para serem
reconhecidos como músicos — para que sua arte
seja o foco das atenções, em vez do fato de serem
surdos ou deficientes auditivos. (...) Em 2009, o
rapper finlandês Marko “Signmark” Vuoriheimo
assinou um contrato com a gravadora Warner
Music Finland (...). Foi a primeira vez na história
que um artista surdo assinou contrato com uma
grande gravadora. (...) À medida que o dip hop
evolui, ele continua a ultrapassar os limites da
convenção. (...)
Considere o excerto: “Ele envolve expressão
musical que é moldada através do prisma cultural
surdo — canções que reorientam as noções
dominantes do que pode ser considerado
mösica.” Nas alternativas a seguir, a expressão
que melhor substitui “prisma”, sem alteração de
sentido, é:
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