Os verbos “ouvira”, “anunciara” e “encontrara”, que ocorrem...
Considere o excerto a seguir para responder à questão.
Durante dez anos, Jacinta ouvira críticas à sua omelete. Quando Luiz Augusto anunciara que encontrara uma mulher que fazia omeletes perfeitas — melhores, inclusive, que as do Caio Ribeiro — e que iria morar com ela, acrescentou: — Você não pode dizer que não lhe dei todas as chances, Cintinha.
Gabarito comentado
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Tema central da questão: Morfologia verbal, especificamente identificação de tempos e modos verbais na norma-padrão.
Análise da alternativa correta – C:
Os verbos “ouvira”, “anunciara” e “encontrara” estão conjugados no pretérito mais-que-perfeito do indicativo. Esse tempo verbal expressa uma ação passada que ocorreu antes de outra também no passado, ou seja, é um passado anterior a outro passado. Conforme a tradição gramatical, conforme afirma Evanildo Bechara, o mais-que-perfeito frequentemente aparece em textos literários e narrativos, marcando clara ordem cronológica entre os fatos passados.
Exemplo: “Quando cheguei, ele já partira.”
No excerto da questão, “Jacinta ouvira críticas” significa que ela já havia ouvido críticas antes de outro fato passado, reforçando justamente o papel desse tempo.
Regra do tempo verbal:
De acordo com Celso Cunha & Lindley Cintra, o pretérito mais-que-perfeito é formado pelas terminações -ara, -era ou -ira agregadas ao radical, sinalizando, assim, a anterioridade.
Análise crítica das demais alternativas:
A) Pretérito imperfeito do indicativo: indica ação habitual, contínua no passado (ex: "Eu estudava"). Não expressa anterioridade em relação a outro passado.
B) Pretérito perfeito do indicativo: ação concluída no passado (“eu estudei”), mas sem ideia de ser anterior a outra passada.
D) Futuro do pretérito do indicativo: expressa hipótese ou consequência em relação a um fato passado (ex: “eu estudaria”). Não cabe para o contexto narrativo apresentado.
E) Pretérito imperfeito do subjuntivo: manifesta ações incertas ou condicionais no passado (“se eu estudasse”). Não é o caso no excerto, pois a narração é factual, não condicional ou hipotética.
Estratégia para evitar pegadinhas: Note como as formas do mais-que-perfeito são pouco usuais na fala cotidiana, mas aparecem em textos literários. Fique atento às terminações “-ara”, “-era”, “-ira”, típicas desse tempo. Ao perceber relação de anterioridade entre dois fatos passados, desconfie do mais-que-perfeito!
Resumo para provas:
Atenção ao contexto narrativo e ao papel dos tempos verbais. O mais-que-perfeito é chave para transcrever uma ação anterior a outra, já no passado.
Gabarito: C
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