Qual terapêutica inicial é indicada para essa paciente?

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Q4154251 Medicina
Leia o caso clínico a seguir para responder à questão.

Paciente do sexo feminino, de 48 anos, procura atendimento médico para checkup pulmonar. Fuma desde os 12 anos de idade, cerca de 20 cigarros ao dia. Sabe dos males causados pelo cigarro, mas ainda não se sente preparada para cessar o tabagismo. Alega fumar imediatamente ao acordar, sendo este o cigarro que lhe dá maior satisfação. Consegue ficar sem fumar em locais proibidos, mas alega fumar mesmo quando está doente. Refere fumar principalmente à noite. 
Qual terapêutica inicial é indicada para essa paciente?
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a prontidão para cessação: embora haja sinais de dependência nicotínica importante, a paciente afirma que ainda não se sente preparada para parar de fumar; nesse cenário, a conduta inicial é abordagem cognitivo-comportamental/motivacional, e não farmacoterapia como primeira medida.

Tema central: Prontidão para cessação
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A é a correta porque corresponde à abordagem inicial do fumante com baixa prontidão motivacional. O dado central do caso não é apenas a dependência elevada, mas a ausência de disposição atual para interromper o tabagismo. Nessa fase, a intervenção apropriada é cognitivo-comportamental/motivacional, voltada a aumentar a disposição para parar e organizar um plano, incluindo o estímulo à definição de data quando houver engajamento. Isso está alinhado ao princípio de que a farmacoterapia para cessação é, em geral, adjuvante do momento em que o paciente aceita fazer tentativa de parar.
B
Errada
A terapia comportamental está adequada, mas a inclusão inicial de reposição nicotínica conflita com o dado decisivo do caso: a paciente não está pronta para cessar agora. Pela abordagem por estágio de prontidão, a primeira conduta deve ser motivacional/comportamental. A dependência elevada orienta o suporte quando houver tentativa de cessação, mas não impõe farmacoterapia imediata na ausência de decisão de parar.
C
Errada
A alternativa propõe duas estratégias farmacológicas sem colocar a intervenção motivacional como eixo da conduta inicial. O erro médico é ignorar que o caso cobra a primeira abordagem de uma fumante sem preparo para cessar. Além disso, a base sustenta que bupropiona e reposição nicotínica são adjuvantes do processo de cessação quando há intenção ou planejamento de interromper o tabagismo.
D
Errada
Também está incorreta por antecipar farmacoterapia em paciente que não deseja parar no momento. O problema não é discutir eficácia potencial de esquemas farmacológicos em outros contextos, e sim que a conduta deve ser guiada primeiro pela prontidão para cessação. A base também não fornece elementos para indicar combinação farmacológica específica com segurança nesse cenário, e essa proposta não substitui a etapa motivacional inicial.
Pegadinha da questão
A banca descreve sinais de forte dependência nicotínica, especialmente fumar ao acordar e mesmo quando doente, para induzir escolha de medicação; porém o dado que realmente decide é a frase de que ela ainda não se sente preparada para cessar o tabagismo.
Dica para questões semelhantes
  • Em tabagismo, antes de escolher medicação, identifique se o enunciado mostra prontidão atual para parar.
  • Não confunda dependência nicotínica elevada com indicação automática de farmacoterapia inicial.
  • Se a questão pedir conduta inicial em fumante ambivalente ou sem preparo, priorize intervenção motivacional/comportamental.
  • TRN, bupropiona e varenicilina devem ser lidas como adjuvantes do processo de cessação, em geral quando já existe decisão ou plano para interromper o tabagismo.

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