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Q39278 Português
A idéia de que o povo é bom e que deve, por conseguinte, ser o titular da soberania política, provém, sem dúvida, de Rousseau. Mas o pensamento do grande filósofo sobre esse ponto era muito mais complexo e profundo do que podem supor alguns de seus ingênuos seguidores.
Do fato de que o homem é sempre bom, e que a sociedade o corrompe, não se seguia logicamente, no pensamento de Rousseau, a conclusão de que as deliberações do povo fossem sempre boas. "Cada um procura o seu bem, mas nem sempre o enxerga. O povo nunca é corrompido, mas é freqüentemente enganado, e é então que ele parece querer o mal" - advertia o filósofo.
É aí que se insere a sua famosa distinção entre vontade geral e vontade de todos. Aquela "só diz respeito ao interesse comum; a outra, ao interesse privado, sendo apenas a soma de vontades particulares". Para Rousseau, nada garantiria que a vontade geral predominasse sempre sobre as vontades particulares. Ao contrário, ele tinha mesmo da vida em sociedade uma visão essencialmente pessimista. Sustentava que os povos são virtuosos apenas na sua infância e juventude. Depois, corrompem-se irremediavelmente.
Não há, pois, maior contra-senso interpretativo do que afirmar que o princípio da soberania absoluta do povo tem origem em Rousseau. Na verdade, ele, que sempre foi um moralista, preocupado antes de tudo com a reforma dos costumes, descria completamente de qualquer remédio jurídico para os males da humanidade.



(Fábio Konder Comparato)
Está clara e correta a redação da seguinte frase:
Alternativas

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a única alternativa que concilia correção gramatical e fidelidade ao texto-base, sobretudo aos trechos "Do fato de que o homem é sempre bom, e que a sociedade o corrompe" e "Sustentava que os povos são virtuosos apenas na sua infância e juventude. Depois, corrompem-se irremediavelmente."; por isso, E é a resposta correta, enquanto as demais falham por erro de construção, concordância, flexão, regência ou sentido.

Tema central: reescrita e correção
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada por vício de construção verbal e de concordância. Em "Lamentam-se que", a estrutura com oração subordinada introduzida por "que" não se sustenta dessa forma; a construção adequada seria "Lamenta-se que" ou "Lamenta-se o fato de que". Além disso, "acabam por se corromperem" traz infinitivo flexionado indevidamente após locução verbal com sujeito já expresso.
B
Errada
Está errada por construção sintática defeituosa e por uso inadequado do modo verbal. Em "Se bem que os povos se corrompem", o conector concessivo pede subjuntivo: "se corrompam". Também é inviável a formulação "era-se mais capaz de serem mais virtuosos", que mistura impessoalização artificial, infinitivo e plural sem referente sintático estável, produzindo frase confusa e incorreta.
C
Errada
Está errada por problema de concordância e por alteração semântica não autorizada pelo texto. Em "quem os corrompem", o pronome "quem" como sujeito leva o verbo normalmente à 3ª pessoa do singular: "quem os corrompe". Além disso, "As virtudes dos povos os são inatas" é formulação truncada e imprecisa, porque o texto não afirma que as virtudes sejam inatas aos povos; afirma apenas que os povos são virtuosos na infância e na juventude.
D
Errada
Está errada por erro normativo grave e construção pronominal inadequada. Em sentido de existir, o verbo "haver" é impessoal, portanto o correto seria no singular, e não "haveriam". Soma-se a isso a construção problemática "caso a sociedade não lhes corrompesse", em que pronome e regência não se ajustam de modo aceitável ao verbo nessa formulação.
E
Certa
A alternativa E reexprime corretamente a ideia central do texto: a sociedade corrompe, e os povos perdem as virtudes próprias da infância e da juventude. A construção "Se a sociedade não os viesse a corromper" mantém a base semântica da corrupção social, e "os povos não perderiam as virtudes de sua infância e juventude" retoma de modo coerente o trecho segundo o qual eles são virtuosos apenas nessa fase e depois se corrompem. Além disso, a frase está bem estruturada do ponto de vista sintático e morfossintático.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre proximidade temática e correção efetiva: várias alternativas parecem recuperar a ideia do texto, mas caem por erro objetivo de concordância, flexão, regência, construção sintática ou por mudança indevida de sentido, como transformar em "inatas" virtudes que o texto apenas situa na infância e juventude.
Dica para questões semelhantes
  • Em questão de redação correta, elimine imediatamente a alternativa com erro objetivo de concordância, regência, flexão verbal ou construção sintática, mesmo que o tema pareça compatível com o texto.
  • Confirme se a reescrita preserva exatamente a relação de sentido do texto-base; aqui, era indispensável manter a ideia de virtude inicial e corrupção posterior ligada à sociedade.
  • Desconfie de alternativas que parecem resumir o texto, mas introduzem afirmação não autorizada por ele, como dizer que as virtudes dos povos são inatas.

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Corrigindo:a) Lamenta-se que as virtudes da infância e da juventude dos povos não se mantenham quando eles acabam por se corromper.b) Se bem que os povos se corrompem irremediavelmente, bem antes disso era-se mais capaz de serem mais virtuosos do que então. (Frase com redação totalmente confusa)c) As virtudes dos povos lhes são inatas, mas quem as corrompem ao longo dos séculos é a própria sociedade.d) Nenhum dos males que haveriam nos povos seriam naturais, caso a sociedade não os corrompesse.Aguardo complementações.:)

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