O autor considera que a vida 

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Q3833001 Português
INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 01 e, a seguir, responda à questão, que a ele se refere. 


Texto 01 


Porta aberta


Havia muitos e-mails à minha espera, a propósito da minha crônica sobre os telefones celulares. Vocês se lembram de que terminei dizendo: “Tenho medo do e-mail. Tenho medo do celular”. Pois um dos meus leitores me sugeria (com uma pitadinha de ironia...) uma fórmula simples de pôr fim ao meu medo do e-mail: bastava que eu o desativasse. Isso, jamais. Se eu fosse movido a medo, há muito teria me mudado para um mosteiro no alto de uma montanha, para fugir do medo que a cidade me dá. Não há dúvidas de que a vida transcorre com mais tranquilidade na solidão dos mosteiros. Mas o preço de não ter medo é o tédio. Continuarei com o meu e-mail aberto a todos, mesmo correndo o risco das invasões de intrusos. As alegrias compensam. As cartas – que ainda continuam válidas quando o que está em jogo é o amor – nunca serão substituídas por um e-mail, pela simples razão de que não é possível por um e-mail debaixo do travesseiro – somente questões graves e compridas mereciam a trabalheira. Com o e-mail, entretanto, ficou fácil dizer coisas leves e rápidas que, no tempo das cartas, não eram ditas. [...]


Fonte: ALVES, Rubem. Porta aberta. Disponível em: https://www.opergaminho.com.br/opiniaoporta-aberta. Acesso em: 2
O autor considera que a vida 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a leitura literal do trecho obrigatório: "Não há dúvidas de que a vida transcorre com mais tranquilidade na solidão dos mosteiros. Mas o preço de não ter medo é o tédio." A resposta se define por essa relação explícita entre ausência de medo e tédio, que sustenta a alternativa correta.

Tema central: relação entre medo e tédio
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque inverte o sentido do texto. O autor afirma: "Se eu fosse movido a medo, há muito teria me mudado para um mosteiro no alto de uma montanha, para fugir do medo que a cidade me dá." O medo está associado à cidade, não à vida fora dela. Além disso, o mosteiro aparece como espaço de maior tranquilidade.
B
Errada
Está errada porque atribui o tédio à cidade, mas o texto não faz essa associação. O tédio aparece ligado à condição de "não ter medo", apresentada no contexto da solidão dos mosteiros, e não como característica da vida na cidade.
C
Errada
Está errada por contrariar literalmente o texto. O autor diz: "Não há dúvidas de que a vida transcorre com mais tranquilidade na solidão dos mosteiros." Logo, a maior tranquilidade é atribuída ao mosteiro, não à cidade.
D
Errada
Está errada por extrapolação sem apoio textual. O texto não afirma que o mosteiro é inseguro; ao contrário, ele é apresentado como lugar de fuga do medo e de mais tranquilidade. Substituir isolamento por insegurança não é autorizado pelo texto.
E
Certa
A alternativa E está correta porque retoma, sem alteração de sentido, a ideia de que a ausência de medo traz como consequência o tédio. Ela é uma paráfrase fiel da afirmação textual.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre os dois espaços do texto: a cidade é associada ao medo, enquanto o mosteiro é associado à tranquilidade; o tédio, porém, não recai sobre a cidade, e sim sobre a condição de não ter medo.
Dica para questões semelhantes
  • Procure primeiro a frase em que o autor afirma algo de modo direto; aqui, a resposta sai de uma declaração literal.
  • Não transfira uma característica de um elemento para outro por oposição automática; cidade, mosteiro, medo e tédio têm relações específicas no texto.
  • Observe conectores como "Mas", porque eles marcam a virada argumentativa decisiva para o sentido da resposta.

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