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Q2004983 Português
“Imaginava-se, no passado, que o som era o único veículo da linguagem e que esta estava presa ao som. Até mesmo o pensamento e os processos mentais eram compreendidos como fala interior” (SÁ, 2006, p. 73). De acordo com Sacks (2010), essa noção de que a linguagem só poderia se constituir por meio de símbolos falados surge na Antiguidade Clássica e que subjuga os surdos a um status sub-humano, é reforçada pelas declarações de
Alternativas

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Tema central: Interpretação de texto e coerência textual. Nesta questão, exige-se que o candidato compreenda ideias implícitas e relações históricas sobre a concepção da linguagem, utilizando as estratégias de leitura fundamentadas na capacidade de inferência crítica e na identificação da alternativa que melhor dialoga com o texto de apoio.

Justificativa da alternativa correta (E):

A alternativa E menciona Aristóteles que, em sua obra História dos Animais, defende que os surdos são incapazes de produzir linguagem. Essa visão está perfeitamente alinhada ao enunciado, pois reforça a noção equivocada de que a linguagem depende exclusivamente do som e da fala, desqualificando outros modos de expressão linguística como a Libras. Historicamente, como destaca Oliver Sacks (2010), Aristóteles ajudou a fundamentar o preconceito de que pessoas surdas estariam em condição inferior por não terem acesso à linguagem oral.

Ao interpretar a questão, observe expressões-chave como “subjuga os surdos a um status sub-humano”, pois indicam a busca por uma alternativa que vá além de uma mera discussão técnica, trazendo um julgamento de valor negativo às pessoas surdas.

Análise das alternativas incorretas:

  • A) Cardano equiparou palavra falada e escrita, demonstrando amplitude na concepção de linguagem, não reforçando a restrição à fala.
  • B) Montaigne questionou naturalidade dos sinais, mas não afirma exclusividade da linguagem oral.
  • C) Platão, em O Crátilo, discute origem das palavras, porém não limita a linguagem à viva voz de modo categórico.
  • D) Santo Agostinho pensa a palavra escrita como representação da fala, mas não nega a existência de outras formas de linguagem.

Estratégia para provas:

Sempre que o enunciado tratar da restrição da linguagem à oralidade e de preconceito linguístico, busque nas alternativas menções explícitas à exclusão dos surdos ou à impossibilidade de linguagem fora da fala. Atenção à coerência entre o texto-base e as posições históricas apresentadas.

Referência: Sacks, 2010; Cunha & Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo, seção sobre linguagem e diversidade.

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