Um cão de 20 kg, sob anestesia geral inalatória e ventilaçã...

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Q3879361 Medicina
Um cão de 20 kg, sob anestesia geral inalatória e ventilação mecânica controlada, apresenta a seguinte hemogasometria arterial: 

PaO₂ = 240 mmHg PaCO₂ = 40 mmHg FiO₂ = 1,0 Pressão barométrica (PB) = 760 mmHg Pressão de vapor d’água (PH₂O) = 47 mmHg Quociente respiratório (R) = 0,8

Com relação ao valor do gradiente A–a O₂, é correto afirmar que é
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O ponto decisivo é que, com FiO2 de 1,0, a equação alveolar prevê PAO2 muito elevada (663 mmHg); como a PaO2 medida é 240 mmHg e a PaCO2 está normal, o gradiente A–a O2 fica marcadamente aumentado. Esse padrão indica defeito intrapulmonar de oxigenação, como desequilíbrio ventilação-perfusão ou shunt, e não hipoventilação isolada.

Tema central: Gradiente A–a de O2
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque o gradiente A–a calculado não é de aproximadamente 50 mmHg. Pela equação alveolar, a PAO2 é 663 mmHg e o gradiente A–a é 423 mmHg. Portanto, a magnitude da alteração é muito maior, e não há base para classificá-la como normal para anestesia geral com os dados fornecidos.
B
Errada
Está errada em dois pontos: o valor de aproximadamente 150 mmHg não corresponde ao cálculo, e a interpretação como hipoventilação principal não se sustenta. Hipoventilação alveolar isolada costuma cursar com elevação de PaCO2 e tende a manter o gradiente A–a normal ou pouco alterado. Aqui a PaCO2 é 40 mmHg, e o gradiente está marcadamente aumentado, o que afasta hipoventilação como causa principal.
C
Certa
A alternativa C é a correta porque acerta o mecanismo fisiopatológico decisivo. Pelos dados fornecidos, a PAO2 calculada é muito alta e a PaO2 arterial está muito abaixo do esperado para FiO2 de 100%, gerando gradiente A–a amplamente aumentado. Esse padrão indica falha de troca gasosa intrapulmonar, especialmente desequilíbrio ventilação-perfusão ou shunt, e a PaCO2 normal afasta hipoventilação como causa principal. A base também registra que o valor numérico exato da alternativa não coincide com o cálculo estrito, mas o gabarito oficial se sustenta pela interpretação fisiopatológica correta.
D
Errada
Está errada porque um gradiente inferior a 20 mmHg é incompatível com os dados. Com FiO2 1,0, a PAO2 esperada é muito alta; uma PaO2 de apenas 240 mmHg implica grande diferença entre oxigênio alveolar e arterial. Isso exclui função pulmonar preservada nesse raciocínio gasométrico.
E
Errada
Está errada porque, embora o mecanismo sugerido seja compatível com gradiente A–a elevado, o valor aproximado de 100 mmHg subestima de forma importante o resultado obtido pelos dados da questão. O gradiente calculado é muito superior a isso. Entre as alternativas, a C é a que melhor representa o distúrbio presente, apesar da imprecisão numérica.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre PaO2 absoluta aparentemente alta e oxigenação realmente adequada sob FiO2 de 1,0, além de testar se o candidato prioriza o mecanismo fisiopatológico correto mesmo quando o valor numérico da alternativa oficial não reproduz o cálculo exato.
Dica para questões semelhantes
  • Em FiO2 elevada, não interprete a PaO2 isoladamente; calcule a PAO2 e compare com a PaO2 arterial.
  • Use a equação alveolar completa: FiO2 × (PB − PH2O) − PaCO2/R.
  • Gradiente A–a muito aumentado com PaCO2 normal aponta defeito intrapulmonar de troca gasosa, não hipoventilação isolada.
  • Se houver discrepância entre número exato e alternativas, identifique qual opção acerta o mecanismo fisiopatológico decisivo.

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