Sobre a relação entre cardiopatia e gravidez, avalie as afi...
I. Mulheres com cardiopatia congênita podem ter um aumento no risco de complicações durante a gravidez devido à sobrecarga hemodinâmica adicional.
II. Mulheres com cardiopatia adquirida, como valvulopatias, geralmente não enfrentam riscos aumentados durante a gravidez, desde que a função cardíaca seja preservada.
III. Mulheres com cardiomiopatia hipertrófica têm um risco aumentado de complicações durante a gravidez devido ao aumento da demanda cardíaca e ao risco de arritmias.
IV. As mulheres com síndrome de Marfan são aconselhadas a evitar a gravidez devido ao risco de dissecção aórtica durante o período gestacional.
Quais das afirmações acima são VERDADEIRAS?
Gabarito comentado
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Alternativa correta: A — Apenas I e III.
Tema central: Cardiopatia e gestação. A gravidez impõe aumento do débito cardíaco (30–50%), expansão do volume plasmático (≈40–50%) e redução da resistência vascular sistêmica. Essas mudanças podem descompensar doenças cardíacas prévias. (Diretriz ESC 2018/2022; AHA/ACC; UpToDate)
Por que a alternativa A está correta?
I. Verdadeira. Em cardiopatias congênitas, a sobrecarga hemodinâmica da gestação aumenta risco de insuficiência cardíaca, arritmias, eventos tromboembólicos e hipóxia fetal, especialmente em shunts cianóticos e hipertensão pulmonar (mWHO IV, contraindicação à gestação). Mesmo lesões corrigidas exigem seguimento especializado. (ESC 2018; Harrison)
III. Verdadeira. Na cardiomiopatia hipertrófica (CMH), a gestação geralmente é tolerada se assintomática, mas há maior risco de arritmias, dor torácica e descompensação, pois a queda da RVS e o aumento da FC podem acentuar a obstrução dinâmica. Uso de betabloqueador e ecocardiografia seriada são recomendados. (ESC 2018; UpToDate)
Análise das incorretas:
II. Falsa. Dizer que valvulopatias adquiridas “geralmente não têm risco” se a função está preservada é impreciso. Lesões estenóticas (estenose mitral/aórtica) são mal toleradas na gravidez pelo aumento do débito e FC, com risco de edema agudo de pulmão e arritmias, mesmo com FE normal. Lesões regurgitantes tendem a ser melhor toleradas, mas não isentas de complicações. (ESC 2018; AHA/ACC Valvopatias)
IV. Falsa. Em síndrome de Marfan, o risco principal é dissecção/rotura aórtica, que depende do diâmetro da raiz aórtica. A gestação é contraindicada quando a raiz ≥45 mm (alguns adotam 40–45 mm) ou com dissecção prévia (mWHO IV). Abaixo desses limiares, pode ser considerada com monitorização estreita e betabloqueio. Portanto, não se “aconselha evitar a gestação” de forma absoluta. (ESC 2018/2022; UpToDate)
Estratégia para a prova:
- Identifique obstruções fixas (estenoses): alto risco.
- Lembre que regurgitações costumam ser melhor toleradas pela queda da RVS.
- Em aortopatias (Marfan/Loeys-Dietz), foque no diâmetro da aorta para decidir risco.
- Em CMH: risco de arritmia e obstrução dinâmica → betabloqueador e seguimento.
Condutas práticas (resumo): Planejamento pré-concepcional, estratificação mWHO, ecocardiograma cada trimestre (ou mais), controle pressórico, evitar IECA/BRA, considerar profilaxia tromboembólica quando indicado, e discutir parto com equipe cardio-obstétrica. (ESC 2018)
Referências: ESC Guidelines for the management of cardiovascular diseases during pregnancy (2018, atualizações 2022); AHA/ACC Valvular Heart Disease; UpToDate; Harrison’s Principles of Internal Medicine.
Gabarito: A — Apenas I e III.
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