Publicado no jornal “O Globo”, o texto propõe uma reflexão ...

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Leia o texto abaixo para responder à questão:


Espanha x Argentina: como o racismo virou argumento (e armadilha) para decidir torcida na final da Copa


Especialistas brasileiros, espanhóis e argentinos alertam contra generalizações e diretor de Observatório da Discriminação Racial no Futebol questiona: 'Quando passar a Copa, vamos olhar para o nosso umbigo?'

Por Lucas Altino
19/07/2026


Mais uma vez sem o Brasil na final da Copa do Mundo, torcedores passaram ___ reunir argumentos para escolher entre Argentina e Espanha na decisão de hoje. ___ rivalidade, ___ idolatria por Messi e ___ preferência por estilos de jogo somou-se uma questão mais profunda: o racismo. Casos protagonizados por argentinos alimentam ___ rejeição ___ seleção campeã mundial, enquanto a perseguição sofrida por Vini Jr. nos estádios espanhóis impede que o adversário seja tratado como uma escolha moralmente simples. Para especialistas, o debate pode ampliar ___ conscientização, mas se torna uma armadilha quando reduz um país inteiro ao comportamento de parte de sua população e transforma o racismo num problema sempre atribuído ao outro.

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A discussão não se limita às arquibancadas. Depois do título da Copa América de 2024, Enzo Fernández transmitiu uma celebração de jogadores argentinos com um canto racista contra atletas franceses. O episódio ajuda a explicar por que a falta de manifestações mais contundentes de integrantes da seleção, especialmente Messi, passou a ser interpretada por brasileiros como omissão diante do problema. Nesta Copa, porém, não houve até agora acusação de ato racista praticado por jogadores argentinos.

Durante a fase de grupos, a Fifa identificou 89 mil mensagens ofensivas nas redes sociais, aumento de 33% em relação ao mesmo período da Copa de 2022. Segundo a entidade, 11% tinham caráter racista. Para Marcelo Carvalho, diretor do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, os números contrastam com a falta de informações sobre punições concretas.

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— O grande problema é generalizar todo argentino como racista. Isso é perigoso e não contribui para o debate. No Brasil, o debate é mais avançado, enquanto na Argentina dizem que os atos racistas fazem parte do folclore. A diferença está nas ações das entidades — explicou.

A comparação com a Espanha reforça a contradição. Vini Jr. tornou-se alvo de uma das perseguições racistas mais televisionadas do futebol recente. Em 2023, os ataques provocaram uma reação diplomática e cobranças públicas do presidente Lula. No ano seguinte, três torcedores do Valencia foram condenados a oito meses de prisão e proibidos de frequentar estádios por dois anos. Foi a primeira condenação desse tipo na Espanha, seguida por outras punições. As medidas representam respostas concretas, mas não necessariamente uma mudança estrutural. Antumi Toasijé, historiador e professor da Universidade de Nova York em Madri, considera as condenações insuficientes porque não foram acompanhadas por alterações na legislação ou por novas políticas públicas.

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Toasijé também criticou as declarações do ex-primeiro-ministro da Espanha Mariano Rajoy, que disse que a seleção francesa não seria composta por franceses.

— Esse tipo de declaração contribui para o crescimento do racismo. Ela expressa uma ideia presente em parte da sociedade de que uma pessoa não branca não pode ser europeia. A política está relacionada ao futebol e o esporte também está relacionado à política. Enquanto não houver medidas contundentes para enfrentar o racismo, esse tipo de incidente continuará acontecendo e tende a aumentar.


Olhar o próprio espelho

O historiador brasileiro Delton Aparecido Felipe, da Universidade Estadual de Maringá e coordenador de políticas de ações afirmativas dos pesquisadores negros, também rejeita a tentativa de eleger um país como símbolo único do problema. Embora reconheça diferenças entre as sociedades e considere o Brasil mais avançado na adoção de mecanismos de combate, ele defende que a comparação se concentre nas respostas institucionais.

— O racismo é uma estrutura de poder que perpassa todas as culturas nacionais. Eleger só um país como racista é perder o foco. O racismo atravessa as sociedades ocidentais, o Brasil, a Espanha, a Inglaterra, a Argentina. O foco da discussão tem que ser o que está sendo feito para combatê-lo institucionalmente, sejam os países ou os responsáveis pelos eventos — explica o especialista, que também criticou as generalizações — Na Argentina, por exemplo, existe movimento negro organizado. O Brasil, com suas estratégias e dispositivos de combate, está anos luz à frente da Argentina, mas não é verdade que todo argentino é racista.

Para Marcelo Carvalho, a facilidade de apontar o racismo estrangeiro também permite ao brasileiro evitar o próprio reflexo. A indignação despertada durante a Copa só terá consequência, diz, se sobreviver à competição e alcançar os casos registrados cotidianamente no futebol nacional:

— O brasileiro debate mais o racismo quando não é o nosso racismo, o racista é sempre o outro. Quando passar a Copa, vamos olhar para o nosso umbigo e discutir o racismo que existe aqui ou vamos nos silenciar de novo?

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Fonte: Adaptado de O Globo. ALTINO, Lucas. Espanha x Argentina: como o racismo virou argumento (e armadilha) para decidir torcida na final da Copa. 19 jul. 2026. Disponível em: https://oglobo.globo.com/esportes/copa-do-mundo-2026/noticia/2026/07/19/espanha-x-argentinacomo-o-racismo-virou-argumento-e-armadilha-paradecidir-torcida-na-final-da-copa.ghtml. 
Publicado no jornal “O Globo”, o texto propõe uma reflexão muito atual em relação ao racismo no futebol. Assinale a alternativa que contenha preceitos defendidos por seu autor: 
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