Paciente, 45 anos, é trazido ao pronto-socorro após um acide...
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Tema central: zonas de trauma vascular abdominal (classificação dos hematomas retroperitoneais) e sua conduta. Em trauma abdominal, divide-se o retroperitônio em: Zona 1 (central) – grandes vasos (aorta, VCI, troncos viscerais); Zona 2 (lateral/perirrenal) – rins e vasos renais; Zona 3 (pélvica) – vasos ilíacos e plexos venosos. Essa divisão orienta a exploração cirúrgica vs. manejo seletivo.
Alternativa incorreta (gabarito): B
Afirmar que lesões da Zona 1 “geralmente não requerem monitoramento” e se resolvem espontaneamente é falso. Hematomas centrais têm alta probabilidade de lesão de grandes vasos (aorta, VCI, troncos – celiaco, SMA) e costumam demandar exploração cirúrgica, especialmente em trauma penetrante ou quando há instabilidade/hematoma expansivo no contuso. Observação expectante é exceção. Diretrizes ATLS e textos como Mattox & Moore e UpToDate reforçam a abordagem agressiva na Zona 1.
Análise das demais alternativas
A – Correta. A Zona 3 (pélvica) está associada a sangramento volumoso por lesão de artérias/veias ilíacas e plexos venosos. A conduta prioriza estabilização pélvica (pelvic binder), empacotamento pré-peritoneal e embolização angiográfica; laparotomia isolada controla mal esse sangramento. (EAST/ATLS)
C – Correta. A Zona 2 (lateral/perirrenal) é menos relacionada a grandes vasos centrais, com predomínio de lesões renais. No trauma contuso, a maioria é manejada de forma não operatória com monitorização rigorosa, TC com contraste, seriados de Hb e observação; indica-se intervenção em instabilidade, extravasamento ativo, lesão hilar ou complicações. (UpToDate; AUA/SBI em trauma renal)
D – Aceitável no contexto da prova. A Zona 1 (central, inclusive porção supramesocólica) está próxima de estruturas vasculares que irrigam fígado e baço; no trauma do abdome superior, são comuns lesões hepáticas/esplênicas que exigem avaliação criteriosa para decisão operatória vs. tratamento não operatório. O ponto-chave é reconhecer que hematoma central sugere lesão vascular maior e impõe abordagem agressiva quando instável. (ATLS; Mattox & Moore)
Estratégia para a prova
- Associe: Zona 1 = grandes vasos → explorar (especialmente instável/penetrante).
- Zona 2 = rim → manejo seletivo no contuso, monitorando de perto.
- Zona 3 = pelve → estabilização e angio, não “abrir” sangramento venoso difuso.
Abordagem clínica no caso descrito
Paciente instável com dor abdominal e distensão: iniciar ATLS, acesso venoso/REBOA se indicado, FAST para triagem; se instável com suspeita de sangramento pélvico → binder imediato e angio/packing; se suspeita de Zona 1 → laparotomia de controle de danos. Se estabilizar, TC contrastada define zona e conduta.
Referências: ATLS (10ª ed.); Moore, Feliciano & Mattox – Trauma; UpToDate – Management of retroperitoneal hematoma; EAST Guidelines – Hemorrhage control in pelvic fracture.
Resposta: B (incorreta).
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Comentários
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A afirmativa incorreta é a B. As lesões na zona 1 geralmente não requerem monitoramento posterior, pois, a maioria das hemorragias nessa área, se resolve espontaneamente sem a necessidade de intervenção cirúrgica.
Justificativa: As lesões na zona 1 (cavidade abdominal superior) são frequentemente graves e podem envolver estruturas vasculares importantes. Essas lesões geralmente requerem monitoramento rigoroso e, muitas vezes, intervenção cirúrgica, devido ao risco significativo de hemorragia.
Análise das demais alternativas:
- A. A zona 3, que abrange a região pélvica, é frequentemente associada a lesões da artéria ilíaca e pode resultar em hemorragias significativas, exigindo intervenções imediatas. Verdadeiro. Lesões na região pélvica podem ser graves e necessitar de intervenção imediata.
- C. A zona 2, que compreende a região peritoneal lateral, é menos suscetível a lesões vasculares, mas pode envolver estruturas como os rins, que requerem monitorização rigorosa em caso de trauma. Verdadeiro. A região peritoneal lateral pode envolver lesões renais que necessitam de monitoramento.
- D. A zona 1, que inclui a cavidade abdominal superior, é mais frequentemente associada a lesões do fígado e esplênicas, necessitando de avaliação cuidadosa para determinar a necessidade de cirurgia. Verdadeiro. Lesões hepáticas e esplênicas na zona 1 frequentemente requerem avaliação cirúrgica.
Em resumo: A alternativa B está incorreta quanto às características e gestão das lesões nas zonas de trauma vascular abdominal.
Pontos chave:
- Lesões na zona 1 são graves e frequentemente requerem monitoramento e intervenção cirúrgica.
- A zona 3 está associada a lesões da artéria ilíaca e hemorragias significativas.
- A zona 2 pode envolver lesões renais que necessitam de monitoramento rigoroso.
- Lesões hepáticas e esplênicas na zona 1 frequentemente requerem avaliação cirúrgica.
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