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Q3874395 Português

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A Escola como Território de Resiliência e Ética na Era da Complexidade

 

A função social da escola contemporânea tem sido tensionada por fenômenos que transcendem os muros da sala de aula, exigindo do fazer docente uma postura que vai além da mera transposição didática. No cenário atual, a instituição escolar não é apenas um espaço de instrução, mas um território estratégico de resiliência e mediação de conflitos globais e locais. Diante da emergência climática, por exemplo, a escola assume um papel ambivalente: ao mesmo tempo em que deve educar para a sustentabilidade e para a "continuidade da vida", ela se vê desafiada a estruturar-se como um porto seguro físico e emocional para comunidades impactadas por eventos extremos. Essa "pedagogia da resiliência" não se limita ao conteúdo programático de Ciências ou Geografia, mas permeia a gestão do cuidado e a formação de uma consciência coletiva sobre a interdependência entre os sistemas humanos e naturais.

Paralelamente, a aceleração tecnológica, materializada na onipresença da Inteligência Artificial e na ubiquidade dos dispositivos móveis, impõe novos dilemas éticos e pedagógicos. O debate sobre a restrição do uso de celulares no ambiente escolar, que culminou em normativas recentes no cenário brasileiro, reflete uma tentativa de resgatar a atenção e a interação humana como fundamentos do processo de aprendizagem. Contudo, a proibição isolada, desacompanhada de uma reflexão crítica sobre a literacia digital, corre o risco de ser um paliativo diante de uma realidade onde a tecnologia já reconfigurou as formas de pensar e se relacionar. O desafio do professor, portanto, reside em equilibrar a necessária desconexão para o foco com a indispensável inclusão digital ética, transformando a ferramenta técnica em instrumento de emancipação intelectual e não de mera passividade consumista.

Nesse contexto de múltiplas transições, a educação para a equidade — sustentada por marcos legais como as leis que tornam obrigatório o ensino da história e cultura afrobrasileira e indígena — deixa de ser uma efeméride para se tornar o cerne de uma prática antirracista e inclusiva. A escola que se pretende democrática deve enfrentar as desigualdades estruturais que se manifestam no cotidiano escolar, desde a escolha dos materiais didáticos até a sensibilidade no acolhimento das diversidades. Assim, o magistério hoje exige uma competência polifônica: a capacidade de articular o rigor do conhecimento científico com a sensibilidade das habilidades socioemocionais, compreendendo que o sucesso da aprendizagem está intrinsecamente ligado à capacidade da escola de se manter relevante, humana e ética em um mundo em constante e imprevisível transformação.

No primeiro parágrafo, o autor utiliza o termo "papel ambivalente" para descrever a atuação da escola diante da emergência climática. De acordo com a articulação de ideias do texto, essa ambivalência reside no fato de a escola: 
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: "Diante da emergência climática, por exemplo, a escola assume um papel ambivalente: ao mesmo tempo em que deve educar para a sustentabilidade e para a \"continuidade da vida\", ela se vê desafiada a estruturar-se como um porto seguro físico e emocional para comunidades impactadas por eventos extremos." O trecho decisivo define a ambivalência pela simultaneidade de duas funções da escola, o que torna correta apenas a alternativa que preserva essa dupla atuação.

Tema central: ambivalência da escola
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque cria uma hierarquia que o texto não estabelece. O enunciado textual não diz que a escola deve priorizar o ensino teórico de sustentabilidade "em detrimento" de ações práticas; ao contrário, a expressão "ao mesmo tempo em que" marca simultaneidade entre educar para a sustentabilidade e oferecer suporte físico e emocional.
B
Certa
A alternativa B está correta porque reformula com fidelidade as duas atribuições explícitas no primeiro parágrafo: a escola deve formar consciência voltada à sustentabilidade e, ao mesmo tempo, funcionar como espaço de proteção e acolhimento para comunidades afetadas. Isso corresponde exatamente ao sentido contextual de "papel ambivalente" no texto.
C
Errada
Está errada porque introduz duas ideias não sustentadas pelo texto: a restrição da atuação escolar ao ensino das causas científicas dos desastres e a "impossibilidade de mitigar seus efeitos reais". O texto atribui à escola uma função concreta de resiliência e acolhimento, não de impotência institucional.
D
Errada
Está errada porque transforma a ambivalência em escolha excludente. O texto não menciona necessidade de optar entre calendário letivo regular e abrigo temporário, nem fala em suspensão de atividades. A ambivalência apresentada é ampliação simultânea de funções, não dilema operacional entre ações incompatíveis.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre "ambivalente" e oposição excludente. No texto, porém, a expressão é resolvida pela própria formulação "ao mesmo tempo em que", que indica coexistência de funções e elimina alternativas baseadas em prioridade, impotência ou escolha forçada.
Dica para questões semelhantes
  • Quando o texto trouxer conectores como "ao mesmo tempo em que", verifique se a relação é de simultaneidade antes de aceitar alternativas com oposição excludente.
  • Em interpretação textual, preserve o desenho semântico do trecho-base: se o texto combina duas funções, a alternativa correta precisa manter as duas.
  • Elimine alternativas que acrescentem consequências não textualizadas, como incapacidade, prioridade absoluta ou necessidade de escolha, se o texto não afirmar isso.

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