A manhã, toldo de um tecido tão aéreo / que, tecido, se elev...
Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito que um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.
E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo* para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.
*neologismo
João Cabral de Melo Neto
(A educação pela pedra, Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar,
1995. p. 345)
Sobre os versos acima, é INCORRETO afirmar:
- Gabarito Comentado (1)
- Aulas (1)
- Comentários (4)
- Estatísticas
- Cadernos
- Criar anotações
- Notificar Erro
Gabarito comentado
Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores
Gabarito: E
Fundamento decisivo: O ponto decisivo é a coerência textual interna: o poema encadeia imagens da mesma rede semântica — teia, tela, tenda, toldo, tecido e luz —, de modo que a menção a "toldo" não interrompe, mas prolonga a construção metafórica da manhã. Por isso, é incorreta a alternativa E, que fala em ruptura abrupta.
- Em poema com muitas imagens, verifique se elas pertencem ao mesmo campo semântico antes de concluir que houve ruptura de sentido.
- Quando a alternativa afirma quebra de coerência, confronte a afirmação com a sequência exata das imagens do texto, não com uma palavra isolada.
- Observe termos repetidos ou derivados do mesmo eixo lexical, como "teia", "tecendo", "tecido", pois eles costumam revelar a continuidade interna do texto.
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Comentários
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Prezado Rodrigo Cópia Meyer,
Com todo respeito, seus comentários são desnecessários, pois já constam no enunciado da questão.
Reproduzem tão somente aquilo que está disponível para todos.
Favor verificar uma forma eficaz de contribuir.
Atenciosamente,
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo / que, tecido, se eleva por si: luz balão.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo que se eleva por si tecido: luz balão / ---> tecido = predicativo do objeto (se)
agora fica claro verificar que ELEVA É O VERBO PRINCIPAL DE AMBAS ORAÇÕES!
Letra a) Certa. Tecido aqui, não é o substantivo que se refere normalmente a roupas, mas particípio do verbo tecer.
Letra b) Certa. O que se eleva por si? A manhã. Manhã é o núcleo do sujeito da oração cujo verbo é eleva.
Letra c) Certa. Os dois pontos já dão sinais de que o autor está explicando em forma de síntese os versos anteriores. Os versos poderiam ser trocados pelo termo "luz balão", metáfora às manhãs ensolaradas.
Letra d) Certa. Sem as vírgulas ficaria "que tecido se eleva por si". Daria uma idéia de ambiguidade. Ademais, tecido vem entre vírgulas porque tem o sentido de agregar informação ao verso, sendo o oposto do sentido de restrição, onde aí sim, não caberiam vírgulas.
Letra e) Errado. Toldo não provoca ruptura abrupta nenhuma. É só conferir o contexto "toldo de um tecido tão aéreo". Mais uma metáfora para manhã.
Obs: Não faria sentido um termo de um poeta renomado como João Cabral de Melo Neto causar ruptura abrupta. Mesmo que o candidato não conseguisse captar o sentido de metáfora do texto, é de se desconfiar que um grande escritor dê um deliberado tiro no pé em seu próprio texto, como sugere a alternativa da banca. Bom-senso ajuda, e muito, nas questões! :)
Espero ter ajudado, bons estudos!
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