Uma mulher de 66 anos comparece para uma consulta cardiológ...

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Ano: 2013 Banca: NCE-UFRJ Órgão: UFRJ Prova: NCE-UFRJ - 2013 - UFRJ - Médico cardiologista |
Q2951659 Medicina
Uma mulher de 66 anos comparece para uma consulta cardiológica de “check-up”. Ela nega comorbidades ou qualquer tipo de sintoma, mas relata que fumou durante 30 anos, até os 60 anos de idade. Caminha 30 minutos 3 vezes por semana e utiliza cálcio com vitamina D como recomendação de sua ginecologista. Fez reposição hormonal durante 4 anos até os 55 anos de idade. Ao exame: eupneica, corada, acianótica, anictérica, afebril. Frequência cardíaca: 80 bpm; pressão arterial 130x80 mmHg; sopro carotídeo à direita 3+/6+; restante do exame físico sem alterações. Em seguida, foi solicitado uma ultrassonograia com doppler colorido das carótidas e vertebrais, que sugeriu uma obstrução de 70 a 99% na carótida interna direita. Em relação ao manejo da doença arterial carotídea assintomática, assinale a opção correta.
Alternativas

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Tema central: O caso aborda o manejo da doença arterial carotídea assintomática, especificamente em mulher assintomática com estenose significativa detectada ao Doppler (70-99%). Trata-se de uma situação clínica comum em cardiologia preventiva, especialmente em pacientes com fatores de risco como tabagismo.

Justificativa para a alternativa correta (C):

As mulheres apresentam um risco aumentado de complicações perioperatórias após endarterectomia carotídea, incluindo taxa de AVC e morte superiores às observadas em homens. Segundo a Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), "o benefício do procedimento pode ser anulado pelo maior risco de eventos adversos nas mulheres". Estudos como o ACAS e diretrizes internacionais, assim como a própria SBC, reforçam que, por esse motivo, mulheres assintomáticas são menos beneficiadas do que os homens por essa intervenção (II Diretrizes em Cardiogeriatria). Portanto, C é a resposta mais alinhada às evidências.

Análise das alternativas incorretas:

A) Fala de benefício masculino e limiar de complicações, mas não se refere ao sexo feminino e não se aplica ao caso apresentado (mulher).

B) A angioplastia NÃO é tão eficaz quanto a endarterectomia em pacientes assintomáticos, sendo associada a maior risco de AVC periprocedimento segundo os grandes estudos e diretrizes da SBACV.

D) O tratamento clínico rigoroso é fundamental, mas dupla antiagregação (AAS + clopidogrel) NÃO é indicada rotineiramente. O recomendado para prevenção é AAS isolado, exceto em casos específicos como AVC prévio ou intervenção recente.

E) Não existem evidências sólidas de que o Doppler subestime a gravidade da estenose em mulheres ou com oclusão contralateral. O método é o padrão ouro não invasivo para rastreamento e acompanhamento.

Dica para provas: Atenção ao perfil do paciente (sexo, sintomas, fatores de risco) e à personalização do risco/benefício nas indicações cirúrgicas! Palavras absolutas ou generalizações são pegadinhas frequentes.

Segundo a Diretriz SBACV (p. 15): “O maior risco de complicações intra-hospitalares deve ser considerado para mulheres assintomáticas, pois pode anular o benefício do procedimento.”

Conclusão: Em mulheres assintomáticas, o risco de complicações pode superar os benefícios da endarterectomia carotídea.

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