Em relação ao conteúdo da citação “O Estado-nação é passado....

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Q2714267 Português

Texto para responder às questões de 01 a 05.


O que há de errado com a globalização?

“Não é possível ter hiperglobalização, democracia e soberania nacional ao mesmo tempo”, afirma Dani Rodrik, em The globalization paradox.


O Reino Unido decide sair da União Europeia (UE), depois de uma campanha inflamada contra a imigração. A xenofobia cresce no continente, às voltas com a maior crise de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial. Nos Estados Unidos, Donald Trump leva a candidatura presidencial republicana com uma plataforma paranoica, que prevê proibir a entrada de muçulmanos no país, deportar 11 milhões de ilegais e erguer um gigantesco muro na fronteira com o México. Pela primeira vez desde a crise de 2008, a Organização Mundial do Comércio (OMC) registra, em 2015, queda no comércio global de mercadorias. O protecionismo se torna não apenas mais popular, mas também mais difícil de desarmar. Três em cada quatro das mais de 2.500 barreiras comerciais impostas desde 2008 continuam em vigor. O estoque cresce a um ritmo de quase 100 por ano, e as medidas de abertura de mercado mal as compensam. O que deu errado com a globalização? O livre-comércio não era o atalho mais rápido para o crescimento? Não era inevitável que o mundo se tornasse mais aberto, até alcançar o fluxo livre de mercadorias, serviços, dinheiro e até pessoas?

O plebiscito britânico mostra que não. Ele faz tremer a integração europeia, uma ideia que nasceu nos anos 1950 para evitar novas guerras e tragédias no continente. De início apenas econômico, o projeto ganhou forma política com a UE, em 1992. Era uma época em que a queda do Muro de Berlim e a globalização punham em questão as fronteiras e os Estados nacionais. A visão de mundo dominante pregava uma variante do seguinte discurso: “O Estado-nação é passado. As fronteiras desapareceram. A distância morreu. A Terra é plana. Nossas identidades não estão limitadas pelo lugar onde nascemos”. É assim, com certa ironia, que o economista turco Dani Rodrik, da Universidade Princeton, descreve os projetos de governança global, como a UE, em seu livro The globalization paradox: democracy and the future of the world economy (O paradoxo da globalização: democracia e o futuro da economia mundial). No mundo, a UE foi a instituição que levou mais longe, no plano político, o sonho global. Mas o Reino Unido sempre pensou diferente. “O interesse britânico na Europa sempre foi primariamente econômico”, dizia Rodrik já em 2011. “Sua abordagem minimalista diante da construção de instituições europeias contrasta agudamente com as metas federalistas mais ambiciosas, de França e Alemanha.”


(Helio Gurovitz, 26/06/2016. Disponível em: http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/helio-gurovitz/noticia/2016/06/o-que-ha-de-errado-comglobalizacao. html. Fragmento.)

Em relação ao conteúdo da citação “O Estado-nação é passado. As fronteiras desapareceram. A distância morreu. A Terra é plana. Nossas identidades não estão limitadas pelo lugar onde nascemos” (2º§), pode-se afirmar que

Alternativas

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Alternativa Correta: A

Tema central da questão: A questão avalia a capacidade de interpretação textual do aluno, especialmente sobre como citações em um texto reforçam, contradizem ou se relacionam com os argumentos e fatos apresentados.

Resumo teórico: Interpretar textos envolve identificar o contexto e a intenção das citações, percebendo se elas servem para apoiar, contradizer ou exemplificar ideias do texto. Segundo a cartilha de interpretação textual do CESPE/UnB, é essencial analisar a progressão argumentativa do texto e entender o papel de cada elemento textual (citações, exemplos, dados, etc.).

Justificativa da alternativa correta (A):

A citação “O Estado-nação é passado. As fronteiras desapareceram. A distância morreu. A Terra é plana. Nossas identidades não estão limitadas pelo lugar onde nascemos” exprime uma visão otimista e globalizante que se contrapõe aos fatos citados no começo do texto: crescimento da xenofobia, aumento do protecionismo, Brexit, entre outros. Ou seja, o fato gerador do texto são os retrocessos e desafios atuais à globalização, enquanto a citação retrata uma expectativa que não se realizou – por isso, há uma contraposição entre expectativa (citação) e realidade (fatos narrados).

Análise das alternativas incorretas:

B. A citação não responde objetivamente ao questionamento do título ("O que há de errado com a globalização?"), mas sim apresenta uma visão irônica que, posteriormente, será contrasta pelos fatos.

C. O objetivo da citação não é justificar a decisão do Reino Unido, mas sim apresentar o pensamento dominante à época da globalização – o foco não é na decisão britânica em si.

D. A citação não está em concordância com a afirmativa inicial do 2º parágrafo (o plebiscito britânico mostra que a globalização não era inevitável), mas sim em contraste, pois mostra uma crença que foi contestada pelos acontecimentos.

Dicas de Interpretação:
- Sempre identifique o papel de citações: reforço, contraposição ou explicação.
- Atenção a pegadinhas: nem toda citação serve para justificar uma decisão ou responder diretamente ao título.
- Observe a progressão argumentativa: o texto pode apresentar uma ideia só para, depois, desmontá-la com fatos.

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Comentários

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É uma afirmação irônica em relação à globalização. Portanto, contrapõe-se ao fato gerador do texto.

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