A morte cardiovascular súbita, definida como um evento ines...

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Q3155983 Medicina
A morte cardiovascular súbita, definida como um evento inesperado que culmina em colapso hemodinâmico e interrupção da atividade cardíaca, continua a ser um dos principais desafios na cardiologia moderna. Sobre os mecanismos subjacentes e fatores predisponentes para esse evento catastrófico, assinale a alternativa correta: 
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Tema central: Morte súbita cardíaca (MSC) resulta, na maioria dos casos, de arritmias ventriculares (taquicardia ventricular/ fibrilação ventricular), geralmente em corações com doença estrutural (ex.: cicatriz isquêmica) ou por canalopatias e miocardiopatias genéticas em jovens. Reconhecer os gatilhos (isquemia, distúrbios eletrolíticos) e os substratos (cicatriz, HCM, ARVC) é essencial.

Alternativa correta: C
A MSC em jovens atletas frequentemente decorre de condições genéticas, incluindo miocardiopatia arritmogênica do ventrículo direito (ARVC) e canalopatias como a síndrome de Brugada. Também entram nesse espectro a miocardiopatia hipertrófica (HCM), QT longo, CPVT e anomalias coronárias. O exercício pode precipitar arritmias nesses cenários. Isso está alinhado às diretrizes modernas de prevenção de MSC em atletas, que enfatizam rastreio clínico e estratificação de risco genética/estrutural.

Por que as demais estão incorretas?

A. Fibrilação atrial (FA) não é a principal arritmia da MSC. A causa típica é taquicardia ventricular/fibrilação ventricular. FA compromete o débito e eleva risco tromboembólico, mas raramente leva a MSC isoladamente. (Harrison’s; UpToDate)

B. HCM não é benigna. Costuma ser assimétrica (septal) e é uma das principais causas de MSC em jovens atletas, sobretudo quando há história familiar, síncope inexplicada, TV não sustentada ou hipertrofia acentuada. (Diretrizes ESC 2023 de cardiomiopatias; Harrison’s)

D. CDI não é limitado ao tratamento de arritmias já estabelecidas. Há indicações de prevenção primária (ex.: FEVE ≤35% em IC isquêmica ou não isquêmica, NYHA II–III, após terapia otimizada; cardiopatias genéticas de alto risco). Afirmar que não se recomenda para prevenção primária contraria as diretrizes. (ACC/AHA/HRS 2017; ESC 2022 de arritmias ventriculares/MSC)

E. Distúrbios eletrolíticos como hipocalemia e hipomagnesemia são gatilhos relevantes de TV/FV e torsades de pointes, especialmente em uso de fármacos que prolongam QT. Não são “menores”. Corrigir eletrólitos é medida-chave de prevenção. (UpToDate; ESC 2022)

Estratégia para a prova: desconfie de termos absolutos como “mais frequentemente”, “benigna” e “não recomendada”. Em MSC, lembre: ventricular > atrial; em jovens/atletas, pense em genética (HCM, ARVC, canalopatias); e CDI pode ser primário ou secundário conforme diretrizes.

Referências essenciais: ESC 2022 – Ventricular arrhythmias and sudden cardiac death; ACC/AHA/HRS 2017 – Ventricular Arrhythmias/SCD; UpToDate – Sudden cardiac death in athletes; Harrison’s Principles of Internal Medicine.

Gabarito: C

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