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Q3155974 Medicina
“A dor torácica pode ter múltiplas etiologias, e sua avaliação inicial deve priorizar causas potencialmente fatais” (Harrison’s Principles of Internal Medicine, 21ª edição, 2023). Considere o seguinte caso clínico:

Paciente masculino, 58 anos, hipertenso, tabagista, apresenta dor torácica súbita, intensa e lancinante, irradiada para a região dorsal. A pressão arterial é de 180/110 mmHg. Sobre o manejo inicial desse quadro, assinale a alternativa correta: 
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Tema central: Dor torácica súbita, intensa, “em rasgo”, com irradiação para dorso em hipertenso e tabagista é altamente sugestiva de dissecção aguda de aorta. Na abordagem inicial de dor torácica, priorizam-se causas fatais (SCA, TEP, dissecção de aorta, pneumotórax hipertensivo) conforme Harrison’s e diretrizes ACC/AHA/ESC.

Alternativa correta: B – O exame físico deve incluir ausculta cardíaca (busca de novo sopro diastólico por insuficiência aórtica) e avaliação de pulsos e PA em ambos os braços (déficit de pulso/diferença de PA). A investigação imediata deve confirmar dissecção: preferencialmente angio-TC de aorta; se instável, eco transesofágico. Radiografia pode mostrar mediastino alargado, mas não exclui. Referências: Harrison’s (21ª ed., 2023); ACC/AHA Aortic Disease Guideline 2022; ESC 2014; UpToDate.

Conduta inicial prática (resumo): monitorização, 2 acessos venosos, analgesia opioide; controle hemodinâmico com beta-bloqueador IV (esmolol/labetalol) visando FC ≈ 60 bpm, e depois vasodilatador (nitroprussiato) para PAS 100–120 mmHg, se necessário. Evitar vasodilatador isolado. Acionar cirurgia cardíaca se suspeita de tipo A. Não anticoagular até excluir dissecção.

Por que as demais estão incorretas?

A. Dor pleurítica típica piora com inspiração/tosse e é superficial; aqui a dor é lancinante com irradiação dorsal. Tratar com AINE sem excluir dissecção pode atrasar diagnóstico e ser fatal. Diretrizes não recomendam AINE como manejo inicial diante de suspeita de dissecção.

C. Hipotensão não é obrigatória na dissecção; muitos apresentam hipertensão na chegada. Logo, a ausência de hipotensão não exclui o diagnóstico (Harrison’s; ACC/AHA 2022).

D. Anamnese é crucial, mas o diagnóstico não deve ser exclusivamente clínico. Em suspeita alta, os exames devem ser imediatos e a estabilização hemodinâmica ocorre em paralelo.

E. Pneumotórax pode cursar com dor dorsal, mas exige investigação urgente (clínica + radiografia/US). Afirmar que “não exige investigação detalhada” contraria a abordagem de emergências torácicas.

Pontos-chave para prova:

- “Dor em rasgo para dorso” + hipertensão = pensar em dissecção.

- Procure déficit de pulso, diferença de PA, novo sopro diastólico, déficit neurológico.

- Peça angio-TC (ou ETE se instável) de imediato; não adie por exames menos específicos.

- Controle de FC e PA com beta-bloqueador antes do vasodilatador reduz estresse parietal e risco de extensão da dissecção.

Referências: Harrison’s Principles of Internal Medicine, 21ª ed., 2023; ACC/AHA Guideline for the Diagnosis and Management of Aortic Disease, 2022; ESC Guidelines on Aortic Diseases, 2014; UpToDate (Acute aortic syndromes).

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