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Q1072883 Português

Um pé de milho

     Os americanos, através do radar, entraram em contato com a lua, o que não deixa de ser emocionante. Mas o fato mais importante da semana aconteceu com meu pé de milho.

     Aconteceu que no meu quintal, em um monte de terra trazido pelo jardineiro, nasceu alguma coisa que podia ser um pé de capim – mas descobri que era um pé de milho. Transplantei-o para o exíguo canteiro na frente da casa. Secaram as pequenas folhas, pensei que fosse morrer. Mas ele reagiu. Quando estava do tamanho de um palmo veio um amigo e declarou desdenhosamente que na verdade aquilo era capim. Quando estava com dois palmos veio outro amigo e afirmou que era cana.

    Sou um ignorante, um pobre homem da cidade. Mas eu tinha razão. Ele cresceu, está com dois metros, lança as suas folhas além do muro – e é um esplêndido pé de milho. Já viu o leitor um pé de milho? Eu nunca tinha visto. Tinha visto centenas de milharais – mas é diferente. Um pé de milho sozinho, em um canteiro, espremido, junto do portão, numa esquina de rua – não é um número numa lavoura, é um ser vivo e independente. Suas raízes roxas se agarram no chão e suas folhas longas e verdes nunca estão imóveis. Detesto comparações surrealistas – mas na glória de seu crescimento, tal como o vi numa noite de luar, o pé de milho parecia um cavalo empinado, as crinas ao vento – e em outra madrugada parecia um galo cantando.

     Anteontem aconteceu o que era inevitável, mas que nos encantou como se fosse inesperado: meu pé de milho pendoou. Há muitas fores belas no mundo, e a for de milho não será a mais linda. Mas aquele pendão frme, vertical, beijado pelo vento do mar, veio enriquecer nosso canteirinho vulgar com uma força e uma alegria que fazem bem. É alguma coisa de vivo que se afrma com ímpeto e certeza. Meu pé de milho é um belo gesto da terra. E eu não sou mais um medíocre homem que vive atrás de uma chata máquina de escrever: sou um rico lavrador da Rua Júlio de Castilhos.

(BRAGA, Rubem. 200 crônicas escolhidas. 27. Ed. Rio de Janeiro:

Record, 2007. p.77)

Ao caracterizar—se, no terceiro parágrafo, como “um ignorante, um pobre homem da cidade”, o enunciador revela seu desconhecimento em relação:
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central da questão: Interpretação de texto, com foco na compreensão contextual de expressões utilizadas pelo narrador.

No terceiro parágrafo, o enunciador se descreve como “um ignorante, um pobre homem da cidade”. O que essa autocaracterização revela? Pela análise semântica e da situação exposta no texto, percebemos que o narrador não reconhece de imediato as plantas que crescem em seu quintal e, inclusive, admite confundir o pé de milho com capim e depois com cana.

De acordo com a norma-padrão e as gramáticas de referência, a interpretação de expressões dentro do contexto textual é fundamental para captar o sentido pretendido pelo autor (Cunha & Cintra, Cap. 10). Avaliar apenas o sentido literal, sem analisar o entorno, pode levar a erros comuns em provas de concurso.

Alternativa correta – C) “às variedades de plantas.”

Esta é a resposta certa pois, conforme destacado no próprio texto, o narrador manifesta desconhecimento sobre plantas e suas espécies. Isso é evidenciado no trecho: “descobri que era um pé de milho”, após ter cogitado que era capim ou cana. A dificuldade de distinguir as variedades vegetais fica clara, revelando exatamente o desconhecimento explicitado.

Análise das alternativas incorretas:

  • A) “à cultura e à educação formal.”Errada. O texto nunca faz referência à escolaridade ou formação cultural do narrador. O foco é o saber relacionado ao campo/botanica.
  • B) “ao trabalho informal da cidade.”Errada. O narrador não menciona ocupações urbanas informais. O enunciado trata da vivência relacionada ao reconhecimento de espécies vegetais.
  • D) “aos animais do campo.”Errada. Não há qualquer citação a animais rurais ou dificuldade em reconhecê-los; todo o contexto gira em torno de plantas.

Estratégia para provas: Leia atentamente as autodeclarações e observe sobre o que, no contexto, está sendo admitida a ignorância. Palavras-chave, como “pé de milho”, “capim”, “cana”, indicam claramente o universo do desconhecimento apresentado.

Em resumo, interpretar expressões no contexto é indispensável, como recomendam Celso Cunha & Lindley Cintra e Evanildo Bechara. Confie na leitura atenta do texto e evite extrapolações sem base textual.

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Comentários

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Gabarito C

“Sou um ignorante, um pobre homem da cidade. Mas eu tinha razão. Ele cresceu, está com dois metros, lança as suas folhas além do muro – e é um esplêndido pé de milho."

⇢ Conforme o trecho do texto, o homem não tinha muito conhecimento das variedades das plantas.

GABARITO: LETRA C

?  Sou um ignorante, um pobre homem da cidade. Mas eu tinha razão. 

? O autor se coloca com essas características pois não sabia se era realmente um pé de milho, ou seja, não tinha conhecimento acerca das variedades de plantas (=pé de milho, cana ou capim, nem o enunciador sabia).

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FORÇA, GUERREIROS(AS)!! 

Lembre-se tbm do trecho "Aconteceu que no meu quintal, em um monte de terra trazido pelo jardineiro, nasceu alguma coisa que podia ser um pé de capim – mas descobri que era um pé de milho."

Ele não sabia q tipo de planta era aquela

 Já viu o leitor um pé de milho? Eu nunca tinha visto

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