O poema Radical apresenta uma construção marcada pela repeti...

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Ano: 2026 Banca: FSA Órgão: FSA-SP Prova: FSA - 2026 - FSA-SP - Bibliotecário |
Q3988667 Português
Texto 1

Radical
Autor: Jéssica Iancoski


só há terra indígena

tudo é do índio


palavras são do índio

terra é do índio

canto é do índio

brasil é do índio


ídios- não há

só há índios


indioleto indioma

indílios indiovidual

indiolatria indiotipo


: tudo é índio- 
O poema Radical apresenta uma construção marcada pela repetição e pela criação de neologismos, como “indioma” e “indiolatria”. Essa estratégia reforça uma ideia central do texto.

Acerca do texto, avalie as afirmações a seguir: 

I. O texto sugere que a identidade indígena é fundadora e inseparável da própria noção de Brasil.

II. A repetição da expressão “tudo é do índio” enfatiza a ideia de pertencimento e resistência cultural.

III. Os neologismos criados pela autora indicam uma tentativa de dissolver a língua portuguesa na língua indígena, apagando a primeira.

IV. O poema apresenta uma crítica à invisibilidade dos povos indígenas, ao afirmar “ídios – não há / só há índios”.

É correto apenas o que se afirma em:  
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a inferência temática autorizada pela repetição lexical e pelos neologismos do poema: “palavras são do índio / terra é do índio / canto é do índio / brasil é do índio // ídios- não há / só há índios // indioleto indioma / indílios indiovidual / indiolatria indiotipo // : tudo é índio-”. Esse conjunto constrói centralidade e pertencimento indígenas, além de crítica ao apagamento, o que sustenta I, II e IV; já III erra porque transforma essa expansão poética em apagamento literal da língua portuguesa, conclusão que o texto não autoriza.

Tema central: centralidade indígena
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque exclui a IV, que é sustentada diretamente por “ídios- não há / só há índios”. Nesse trecho, a oposição enunciativa não é neutra: ela reafirma os sujeitos indígenas e produz crítica ao apagamento/invisibilidade. Portanto, não cabem apenas I e II.
B
Errada
Está errada porque exclui a I. O verso “brasil é do índio” não fica restrito a posse material; ele insere o indígena como matriz simbólica e fundadora do próprio Brasil. Assim, a ideia de que a identidade indígena é inseparável da noção de Brasil está autorizada pelo texto.
C
Certa
A alternativa C está correta porque reúne exatamente as afirmações sustentadas pelo texto. A I se apoia em “brasil é do índio”, verso que liga a identidade indígena à própria constituição simbólica do país. A II se sustenta na repetição de estruturas como “tudo é do índio” e “é do índio”, que reforçam pertencimento e afirmação identitária. A IV se confirma em “ídios- não há / só há índios”, passagem que rejeita uma forma esvaziada e reafirma a existência concreta dos povos indígenas, com efeito crítico contra o apagamento. A III fica de fora porque os neologismos com o radical “índio” expandem poeticamente essa presença em vários campos da linguagem e da experiência, mas não indicam substituição ou extinção da língua portuguesa.
D
Errada
Está errada porque inclui a III, e essa afirmação extrapola o que o poema permite concluir. Os neologismos “indioleto indioma / indílios indiovidual / indiolatria indiotipo” funcionam como reinscrição poética do radical “índio” em várias esferas semânticas, reforçando centralidade simbólica. Isso não autoriza dizer que haja tentativa de apagar a língua portuguesa.
Pegadinha da questão
A confusão real está em tomar os neologismos como prova de dissolução da língua portuguesa. O poema faz expansão poética do radical “índio” para afirmar centralidade e pertencimento, não para defender apagamento literal do português.
Dica para questões semelhantes
  • Em poema com repetição lexical, verifique que campo de sentido está sendo intensificado; aqui, a repetição de “é do índio” constrói pertencimento e afirmação identitária.
  • Quando houver neologismo, não conclua automaticamente mudança literal de língua; primeiro observe se ele funciona como recurso simbólico de reforço temático.
  • Versos curtos e aparentemente lúdicos, como “ídios- não há / só há índios”, podem carregar oposição crítica e denúncia de apagamento.
  • Se a alternativa afirma mais do que o texto mostra, elimine-a por extrapolação interpretativa, mesmo que ela pareça coerente com o tema geral.

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