A Síndrome Compartimental é uma complicação grave de fratur...

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Q3836607 Enfermagem
A Síndrome Compartimental é uma complicação grave de fraturas, especialmente em tíbia e antebraço. Assinale a alternativa que indica o sinal clínico precoce que o técnico de enfermagem deve identificar para alertar a equipe médica.
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: Na síndrome compartimental aguda, o achado clínico precoce mais importante é dor intensa desproporcional ao trauma, sobretudo quando piora com o estiramento passivo da musculatura do compartimento acometido; como o enunciado pede o sinal precoce em fraturas de risco, esse é o critério que sustenta o gabarito C.

Tema central: Sinal precoce da síndrome compartimental
Análise das alternativas
A
Errada
Paralisia motora completa não é sinal precoce típico da síndrome compartimental; é achado tardio de sofrimento neuromuscular por progressão isquêmica. Além disso, a alternativa erra ao atribuir esse déficit automaticamente a secção nervosa traumática no momento da fratura, o que confunde lesão nervosa primária com complicação compartimental progressiva.
B
Errada
Ausência de pulso distal é sinal tardio e pode nem estar presente mesmo quando há síndrome compartimental estabelecida. O mecanismo também está errado: o problema inicial não é oclusão total precoce das artérias principais por edema ósseo, mas comprometimento da perfusão capilar dentro do compartimento. Esperar pulselessness para suspeitar do quadro atrasa o reconhecimento.
C
Certa
A alternativa C está correta porque descreve o achado clínico precoce clássico da síndrome compartimental aguda: dor intensa, desproporcional ao aspecto da lesão, com agravamento ao estiramento passivo do grupo muscular acometido. Isso corresponde à fisiopatologia da elevação da pressão intracompartmental, que compromete primeiro a microperfusão e produz isquemia muscular e neural inicial antes dos sinais vasculares maiores. O ponto decisivo da alternativa é a dor desproporcional associada à dor ao estiramento passivo; a referência a não ceder a opioides não é, isoladamente, o critério definidor.
D
Errada
Palidez e cianose indicam hipoperfusão avançada, não o sinal precoce mais importante. A justificativa fisiopatológica da alternativa também é inadequada, porque a gravidade do quadro se relaciona à queda do gradiente de perfusão tecidual, e não à afirmação simplista de que a pressão intracompartimental superou a pressão arterial sistólica. Na fase em que o diagnóstico deve ser feito, o achado-chave ainda é a dor desproporcional com dor ao estiramento passivo.
E
Errada
Petéquias em tórax ou axila, confusão mental e hipoxemia apontam para síndrome da embolia gordurosa, que é outra complicação de fraturas. Esses achados não pertencem ao quadro local da síndrome compartimental aguda, portanto a alternativa mistura diagnósticos distintos.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre sinais precoces e sinais tardios da síndrome compartimental, especialmente induzindo o candidato a marcar ausência de pulso, palidez ou paralisia em vez de reconhecer que o alerta inicial é dor desproporcional com piora ao estiramento passivo.
Dica para questões semelhantes
  • Se a pergunta pedir sinal precoce de síndrome compartimental, priorize dor fora de proporção ao trauma e dor ao estiramento passivo do compartimento acometido.
  • Não use ausência de pulso, palidez ou paralisia como critério inicial de suspeição; esses achados tendem a ser tardios.
  • Em fraturas de tíbia e antebraço, mantenha a síndrome compartimental como complicação local de alto risco.
  • Se a alternativa trouxer petéquias, hipoxemia e alteração neurológica, pense em embolia gordurosa, não em síndrome compartimental.

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Comentários

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A alternativa correta é a C.

Vamos analisar cada opção:

A) Paralisia motora completa dos dedos, demonstrando que houve secção nervosa traumática no momento exato da fratura.

INCORRETO. A paralisia na síndrome compartimental é um sinal tardio, geralmente irreversível, causado pela isquemia dos nervos devido ao aumento da pressão dentro do compartimento, e não por uma secção nervosa traumática inicial.

B) Ausência de pulso distal (sinal de pulselessness), que ocorre nos estágios iniciais da síndrome devido à oclusão total das artérias principais pelo edema ósseo.

INCORRETO. A ausência de pulso é um sinal tardio e grave. A pressão necessária para ocluir uma artéria principal é muito alta. Nos estágios iniciais, a pressão compartimental já compromete a microcirculação e os nervos, mas pode não ser suficiente para obliterar o pulso arterial palpável. Esperar a ausência de pulso para diagnosticar pode resultar em danos permanentes.

C) Dor intensa, desproporcional à lesão aparente e que não cede aos analgésicos opioides comuns, agravando-se com a extensão passiva dos dedos do membro afetado (sinal de estiramento).

CORRETO. Este é o sinal clínico mais precoce e importante da síndrome compartimental. A dor é o primeiro sintoma, seguido pela parestesia. A dor à extensão passiva dos músculos do compartimento afetado é um achado fundamental que o técnico de enfermagem deve reconhecer e comunicar imediatamente.

D) Palidez cutânea e cianose de extremidades, indicando que a pressão intracompartimental já superou a pressão arterial sistólica do paciente.

INCORRETO. A palidez (pallor) também é um sinal tardio, assim como a ausência de pulso. A alteração da cor da pele não é um sinal precoce confiável.

E) Presença de petéquias na região axilar e torácica, associada a confusão mental e hipoxemia, características exclusivas da compressão muscular.

INCORRETO. Esta descrição não corresponde à síndrome compartimental. Petéquias na região torácica e confusão mental podem estar associadas a embolia gordurosa (complicação de fraturas de ossos longos) ou a outros quadros sistêmicos, não sendo características da síndrome compartimental.

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