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Q3055247 Medicina
Paciente Maria, 28 anos, procura a unidade de saúde com queixas de dor e sensibilidade na região anterior do pescoço, fadiga, ganho de peso e constatação de hipotireoidismo leve em exames anteriores. Ao exame físico, observa-se uma tireoide aumentada e dolorosa à palpação. Ela menciona que os sintomas começaram após uma infecção respiratória aguda.
Considerando o quadro clínico de Maria, assinale a alternativa correta sobre a tireoidite e seu manejo:
Alternativas

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Gabarito: B

Tema central: Quadros de tireoidite, especialmente a tireoidite subaguda (de Quervain), que é uma inflamação dolorosa da tireoide, geralmente pós-viral, cursando em fases (tireotóxica → hipotireóidea transitória → eutireoidismo).

Raciocínio clínico para a alternativa correta (B): A pista-chave é a dor e sensibilidade cervical anterior associada a infecção respiratória prévia e tireoide aumentada e dolorosa. Esse conjunto é típico de tireoidite subaguda. O manejo inicial é analgésico/anti-inflamatório (AINEs) para controle da dor e inflamação; em casos refratários, usar corticosteroide (ex.: prednisona). Podem-se usar betabloqueadores se houver sintomas tireotóxicos. Levotiroxina só é indicada na fase hipotireóidea se houver sintomas/TSH persistentemente elevado. Referências: Harrison’s, UpToDate, Diretrizes da American Thyroid Association (ATA 2016/2017).

Como fazer o diagnóstico na prova: Procure por dor cervical + pós-viral + tireoide dolorosa. Exames que reforçam: VHS/CRP elevados, captação de radioiodo baixa (processo destrutivo), US com áreas hipoecoicas e baixo fluxo Doppler. Anticorpos antitireoidianos geralmente ausentes ou baixos.

Análise das alternativas incorretas:

A) Hashimoto é de fato a tireoidite mais comum, porém é autoimune e geralmente indolor, com bócio firme e anticorpos anti-TPO/anti-Tg positivos. Não é tipicamente pós-viral e não costuma ser “frequentemente assintomática”; cursa com hipotireoidismo progressivo. Logo, a descrição não encaixa no caso.

C) Levotiroxina não é primeira linha na tireoidite subaguda. Na fase inicial, pode haver tireotoxicose por liberação hormonal, e dar hormônio seria inadequado. A reposição é reservada à fase hipotireóidea sintomática ou com TSH elevado persistente (geralmente transitória).

D) Biópsia não é “sempre necessária”. O diagnóstico é clínico-laboratorial. Puncionar/biopsiar só se houver nódulo suspeito ou dúvida diagnóstica (p.ex., descartar tireoidite supurativa/abscesso). Diretrizes ATA e literatura (Harrison’s, UpToDate) não recomendam biópsia de rotina.

Pegadinhas de prova: Dor intensa sugere subaguda ou supurativa (esta com febre alta, leucocitose e frequentemente abscesso). Hashimoto e tireoidite indolor (inclusive a pós-parto) tipicamente não cursam com dor.

Conduta resumida: AINEs como primeira linha; se falha ou dor intensa, corticosteroides. Betabloqueadores para sintomas adrenérgicos. Levotiroxina apenas na fase hipotireóidea sintomática/persistente, com reavaliação periódica, pois o quadro costuma ser auto-limitado em semanas a meses.

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Comentários

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A alternativa correta é:

B) A tireoidite subaguda, frequentemente desencadeada por infecções virais, é caracterizada por dor cervical e pode ser tratada com anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) para alívio da dor.

A tireoidite subaguda é uma inflamação transitória da tireoide geralmente desencadeada por uma infecção viral prévia.

Quadro clínico:

  • Dor cervical anterior, podendo irradiar para mandíbula ou ouvido
  • Sensibilidade à palpação da tireoide
  • Febre, fadiga, mal-estar
  • Hipotireoidismo leve ou hipertireoidismo transitório (em fases iniciais)

Diagnóstico:

  • Exames laboratoriais podem mostrar aumento de TSH e diminuição de T3/T4 na fase de hipotireoidismo transitório.
  • VHS e PCR geralmente elevados, sugerindo um processo inflamatório.
  • Cintilografia da tireoide mostra captação reduzida.

Tratamento:

  • AINEs são a primeira escolha para alívio da dor.
  • Corticosteroides (ex.: prednisona) são indicados em casos mais graves ou refratários.
  • A reposição de levotiroxina só é necessária se o paciente evoluir com hipotireoidismo persistente.

Por que as outras alternativas estão erradas?

A - ERRADO: A tireoidite de Hashimoto é a mais comum, mas é uma doença autoimune crônica, geralmente assintomática e não está associada a infecções virais.

C - ERRADO: O tratamento hormonal substitutivo (levotiroxina) não é a primeira linha na tireoidite subaguda. Ele só é indicado se houver hipotireoidismo prolongado.

D - ERRADO: A biópsia não é necessária para diagnosticar tireoidites na maioria dos casos, pois a clínica e os exames laboratoriais são suficientes.

ITAME gosta de endocrino :)

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