Homem de 54 anos, hipertenso e em uso irregular de medicação...

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Q3882755 Medicina

Homem de 54 anos, hipertenso e em uso irregular de medicação, procura o pronto atendimento referindo cefaleia leve e certa ansiedade há duas horas, sem dor torácica, sem dispneia, sem déficit neurológico focal.


PA na admissão: 194 × 108 mmHg, sem sinais de lesão aguda de órgão-alvo ao exame físico e à avaliação inicial (ECG e exame neurológico normais). Demais sinais vitais sem alterações.


Nesse cenário, assinale a opção que indica a melhor opção terapêutica.

Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: A ausência de lesão aguda de órgão-alvo define que não se trata de emergência hipertensiva; assim, não há indicação de redução rápida da pressão arterial com fármacos intravenosos. Nesse contexto, a conduta é redução gradual da PA com medicação oral e reavaliação, o que torna a clonidina VO a melhor alternativa.

Tema central: Urgência hipertensiva
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta porque propõe hidralazina intravenosa em bolus com redução rápida de pelo menos 30% na primeira hora, conduta incompatível com um quadro sem lesão aguda de órgão-alvo. O erro médico é tratar como emergência hipertensiva um paciente que não apresenta dano agudo a cérebro, coração ou outros órgãos. Além disso, uma queda abrupta da PA em hipertenso crônico pode levar a hipoperfusão cerebral, coronariana e renal.
B
Errada
Incorreta porque nitroprussiato em bomba com meta de PA menor que 120×80 mmHg em 30 minutos é estratégia de terapia intensiva para cenários graves específicos, não para paciente estável sem dano agudo de órgão-alvo. O problema não é só a via intravenosa, mas a meta de normalização imediata, que contraria o princípio de redução progressiva e aumenta o risco de isquemia por hipoperfusão.
C
Errada
Incorreta porque diálise de urgência não é tratamento principal de elevação pressórica isolada. Ela teria sentido em contexto de insuficiência renal grave, sobrecarga volêmica, distúrbios metabólicos ou uremia, nenhum deles descrito no enunciado. Falta indicação clínica e laboratorial para terapia dialítica emergencial.
D
Certa
A alternativa D corresponde ao manejo de elevação pressórica grave sem lesão aguda de órgão-alvo. Nessa situação, o objetivo não é normalizar imediatamente a pressão, mas reduzi-la progressivamente em horas, com observação e reavaliação clínica. A clonidina por via oral é compatível com essa estratégia porque reduz a descarga simpática por ação alfa-2 central, podendo também atenuar o componente ansioso/adrenérgico descrito no caso, sem impor a queda abrupta de pressão associada aos esquemas intravenosos inadequados neste cenário.
E
Errada
Incorreta porque ausência de emergência hipertensiva não significa ausência total de manejo. O paciente tem PA muito elevada e sintomas leves, de modo que a conduta adequada é observação, reavaliação e redução gradual da pressão, não omissão completa. Negar qualquer medida terapêutica ou monitorização contraria o critério clínico do caso.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre número pressórico muito alto e emergência hipertensiva: o valor da PA impressiona, mas o dado decisivo é a ausência de lesão aguda de órgão-alvo, que exclui tratamento intravenoso agressivo e meta de normalização rápida.
Dica para questões semelhantes
  • Antes de escolher a droga, classifique o quadro pela presença ou ausência de lesão aguda de órgão-alvo.
  • PA muito elevada isoladamente não basta para indicar anti-hipertensivo intravenoso ou queda rápida da pressão.
  • Sem dano agudo de órgão-alvo, a meta é redução progressiva em horas com medicação oral e reavaliação.
  • Desconfie de alternativas que proponham normalizar a PA em minutos em paciente sem sinais de emergência hipertensiva.

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