Analise as afirmativas a seguir no que se refere aos sentido...
INSTRUÇÃO: Leia o poema a seguir para responder às questões de 1 a 3.
Maldição
Olavo Bilac
Se por vinte anos, nesta furna escura,
Deixei dormir a minha maldição,
– Hoje, velha e cansada da amargura,
Minh’alma se abrirá como um vulcão.
E, em torrentes de cólera e loucura,
Sobre a tua cabeça ferverão
Vinte anos de silêncio e de tortura,
Vinte anos de agonia e solidão…
Maldita sejas pelo Ideal perdido!
Pelo mal que fizeste sem querer!
Pelo amor que morreu sem ter nascido!
Pelas horas vividas sem prazer!
Pela tristeza do que eu tenho sido!
Pelo esplendor do que eu deixei de ser!…
Disponível em: www.tudoepoema.com.br/olavo-bilac-maldicao/.
Acesso em: 4 fev. 2022.
Analise as afirmativas a seguir no que se refere aos sentidos contextuais das palavras no poema.
I. O verbo dormir, na primeira estrofe, tem o sentido de descansar.
II. A referência a vulcão é apresentada como uma comparação.
III. O substantivo torrentes, na segunda estrofe, exprime uma conotação de intensidade e não deve ser interpretado literalmente.
IV. O sentimento de amor ao qual o poema faz alusão deixou de ser recíproco com o passar do tempo.
Estão corretas as afirmativas
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Gabarito: C) II e III, apenas.
Tema central da questão: Interpretação de texto, abordagem do sentido contextual das palavras e figuras de linguagem (em especial, comparação, hipérbole e sentido conotativo).
Justificativa da alternativa correta:
II – Correta. O poema traz: "Minh’alma se abrirá como um vulcão". A expressão "como um vulcão" é um exemplo claro de comparação, pois utiliza o conectivo "como" para aproximar dois termos. Segundo Celso Cunha & Lindley Cintra, a comparação é uma figura de linguagem que aproxima dois seres ou situações por meio de um elemento comparativo (p. ex.: “como”, “tal qual”).
III – Correta. Em "em torrentes de cólera e loucura", ‘torrentes’ não remete a água, mas à grande intensidade. Trata-se de uso conotativo (sentido figurado), típico da hipérbole, enfatizando o volume de sentimentos. Como aponta Evanildo Bechara, termos empregados conotativamente devem ser interpretados segundo seu valor figurado dentro do contexto.
Por que as demais afirmativas estão erradas?
I – Incorreta. O termo "dormir", em "Deixei dormir a minha maldição", não tem o sentido literal de “descansar”, mas sim de ficar “adormecida”, “reprimida” ou “inativa”. Trata-se de uma expressão do sentido conotativo, não do sentido direto. A compreensão contextual é essencial neste caso!
IV – Incorreta. O enunciado afirma que o sentimento de amor “deixou de ser recíproco”. O poema, porém, diz: "Pelo amor que morreu sem ter nascido", indicando que nem sequer chegou a haver reciprocidade. Esse detalhe impede a afirmação de reciprocidade anterior, logo, a alternativa é equivocada. Importante atenção à interpretação literal e implícita dos versos!
Dicas de prova:
Fique atento sempre ao sentido real das palavras no contexto poético! Palavras como “dormir”, “vulcão” e “torrentes” são frequentemente usadas de forma figurada. Identifique conectivos comparativos (“como”, “tal qual”) para reconhecer comparações. Nas alternativas, desconfie de inferências ou conclusões não garantidas explicitamente pelo texto.
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