A organização científica do trabalho cria entre os trabalhad...

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Q2116335 Psicologia
A organização científica do trabalho cria entre os trabalhadores uma clivagem entre o corpo e o pensamento. Nesse sistema, o corpo fica submetido a diretivas elaboradas por uma vontade exterior ao sujeito. Nas tarefas de manutenção, assim como nas tarefas repetitivas de processamento de informações, o pensamento originado do processo de sublimação só dispõe de um espaço limitado. Os estudos clínicos mostram que não existe um meio simples à disposição do sujeito para deter seu pensamento, e que lhe é necessário recorrer a estratégias defensivas muito particulares, como a repressão pulsional, quando o trabalhador
Alternativas

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Alternativa correta: C

Tema central da questão: A questão aborda os efeitos psicossociais da organização científica do trabalho sobre o trabalhador, especialmente no que diz respeito à separação entre corpo e pensamento, às tarefas repetitivas, à limitação do espaço mental criativo e ao uso de mecanismos de defesa psíquicos diante do sofrimento psíquico.

Resumo teórico: A organização científica do trabalho, conceito de Taylor e aprofundado por Dejours (referência importante: Christophe Dejours, “A Loucura do Trabalho”), estrutura o trabalho de modo que o trabalhador executa tarefas controladas e repetitivas. Isso gera alienação e pode desencadear sofrimento mental devido à ausência de sentido e à restrição do uso do pensamento criativo. Muitos trabalhadores, para lidar com esse sofrimento, recorrem a estratégias defensivas como a repressão pulsional e o aumento do ritmo de trabalho até a exaustão, ocupando sua consciência com pressões sensomotoras e, por vezes, buscando a fadiga como fuga do sofrimento psíquico.

Justificativa da alternativa correta: Alternativa C descreve precisamente o mecanismo onde o trabalhador "acelera o ritmo de trabalho e se engaja freneticamente na aceleração, de maneira a ocupar todo o seu campo de consciência com as pressões sensomotoras de sua atividade, e com a ajuda da fadiga chega a paralisar o seu funcionamento psíquico". Esse é um mecanismo de defesa identificado por Dejours: o trabalhador restringe o espaço mental para evitar o contato com o sofrimento, usando a fadiga como barreira.

Análise das alternativas incorretas:

A: Fala de subversão do sofrimento por meio de fantasias e negação da realidade. Não é o principal mecanismo defensivo nessas situações, pois não explica a repressão do pensamento pela aceleração sensório-motora.

B: Sugere engajamento em relações interpessoais para reprimir pensamentos. Embora a socialização possa ser uma válvula de escape, o processo típico descrito por Dejours é a imersão no trabalho mecânico, não nas relações.

D: Menciona manipulação do contexto para obter vantagens. Não é um mecanismo defensivo clássico nem aborda a repressão do pensamento ou fadiga.

E: Trata de comportamentos contraditórios (ora frenético, ora paralisado), mas não conecta este processo à repressão psíquica pela fadiga, como na alternativa C.

Dica para interpretação: Busque termos-chave relacionados ao sofrimento psíquico, mecanismos de defesa e repressão do pensamento. Alternativas que fogem desse núcleo, mesmo que mencionem sofrimento, geralmente não são as corretas.

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Comentários

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C

É aquela coisa: vou trabalhar e trabalhar para não pensar nos meus problemas.

C) acelera o ritmo de trabalho e se engaja freneticamente na aceleração, de maneira a ocupar todo o seu campo de consciência com as pressões sensomotoras de sua atividade, e com a ajuda da fadiga chega a paralisar o seu funcionamento psíquico.

Essa alternativa descreve uma estratégia defensiva em que o trabalhador busca ocupar seu campo de consciência com o ritmo acelerado de trabalho, resultando em uma paralisia do funcionamento psíquico devido à sobrecarga e à fadiga.

Boa questão. A expressão “repressão pulsional” está associada ao trabalho do psiquiatra e psicanalista francês Christophe Dejours.

Ele é conhecido por suas contribuições na área da psicodinâmica do trabalho, que explora as relações entre saúde mental e o ambiente de trabalho.

Dejours argumenta que o sofrimento no trabalho não é apenas resultado de fatores individuais, mas também está profundamente enraizado nas condições sociais e psicológicas de cada pessoa

Ele enfatiza que o sofrimento não é uniforme e depende da construção social e psíquica de cada indivíduo.

Nesse contexto, a “repressão pulsional” se refere à supressão das pulsões ou desejos naturais do indivíduo no ambiente de trabalho. Os trabalhadores muitas vezes reprimem seus sentimentos, agressividade e criatividade para se adaptarem às exigências organizacionais. Essa repressão pode levar a consequências negativas para a saúde mental, como ansiedade, desânimo e frustração e como no caso da questão um travamento psíquico. :(

Em resumo, Dejours nos alerta sobre a importância de considerar não apenas os aspectos biológicos, mas também os fatores psicossociais e emocionais no ambiente de trabalho. A compreensão desses elementos é fundamental para promover a saúde mental dos trabalhadores e criar ambientes mais saudáveis e produtivo.

Bons estudos.

Rm 12:12

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