Sobre o poema é possível afirmar: 1- O poema é um soneto qu...

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Q4110465 Literatura

BUSCANDO A CRISTO CRUCIFICADO


A vós correndo vou, braços sagrados,

Nessa cruz sacrossanta descobertos,

Que, para receber-me, estais abertos,

E, por não castigar-me, estais cravados.


A vós, divinos olhos, eclipsados

De tanto sangue e lágrimas cobertos,

Pois, para perdoar-me, estais despertos,

E, por não condenar-me, estais fechados.


A vós, pregados pés, por não deixar-me,

A vós, sangue vertido, para ungir-me,

A vós, cabeça baixa, pra chamar-me.


A vós, lado patente, quero unir-me,

A vós, cravos preciosos, quero atar-me,

Para ficar unido, atado e firme.


Gregório de Matos



Sobre o poema é possível afirmar:
1- O poema é um soneto que ilustra uma característica típica do Barroco: o uso de situações ambivalentes, que possibilitam dupla interpretação.
2- A imagem de Cristo crucificado dá origem às metonímias que constituirão os argumentos apresentados por Gregório de Matos Guerra.
3- Cada uma das partes do corpo de Cristo representa uma atitude acolhedora, magnânima, uma manifestação de bondade e comiseração. 
4- Os versos 5, 9, 10, 11, 12 e 13 constroem-se com a omissão do verbo, já referido no 1º verso – correndo vou. Em todos eles ocorre o procedimento estilístico denominado zeugma.
É ou são verdadeira (s).
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: A decisão depende da contagem das proposições verdadeiras: 1, 2 e 3 se sustentam no poema, enquanto a 4 é a única invalidada. Isso conduz à alternativa C, que corresponde a três proposições verdadeiras.

Tema central: traços barrocos no soneto
Análise das alternativas
A
Errada
Errada porque a contagem não fecha em uma só proposição verdadeira. As proposições 1, 2 e 3 encontram apoio no texto.
B
Errada
Errada porque não são apenas duas proposições verdadeiras. O confronto com o poema confirma três: 1, 2 e 3.
C
Certa
A alternativa C está certa porque a leitura técnica do poema confirma três proposições. A 1 procede: trata-se de um soneto e há jogo de contrários/paradoxos característico do Barroco, como braços abertos e cravados, olhos despertos e fechados, pés pregados para não deixar o eu lírico. A 2 também procede: o texto fragmenta Cristo em partes e elementos contíguos à crucificação — braços, olhos, pés, sangue, cabeça, lado, cravos —, recurso que sustenta a leitura metonímica. A 3 igualmente se sustenta: essas partes são interpretadas como sinais de perdão, acolhimento, chamada, unção e permanência. Já a 4 não se sustenta integralmente, porque a generalização de que todos os versos listados dependem de "correndo vou" é excessiva, e por isso a proposição não se mantém.
D
Errada
Errada porque a proposição 4 falha ao generalizar que todos os versos 5, 9, 10, 11, 12 e 13 omitem o verbo do 1º verso e realizam o mesmo zeugma. Basta essa falsidade para excluir a hipótese de todas serem verdadeiras.
E
Errada
Errada porque não são todas falsas. As proposições 1, 2 e 3 são compatíveis com a forma, a semântica e a construção do poema.
Pegadinha da questão
A armadilha está em perceber elipse em alguns trechos e concluir, sem distinguir as estruturas, que todos os versos indicados dependem uniformemente de "correndo vou" e configuram o mesmo zeugma.
Dica para questões semelhantes
  • Em questão com proposições numeradas, primeiro valide uma a uma no texto antes de contar a alternativa final.
  • Para reconhecer Barroco, não fique só no tema religioso; procure paradoxos, ambivalências e contrastes internos.
  • Na análise de figura sintática, desconfie de enunciados que dizem "em todos" quando os versos listados não têm a mesma estrutura.

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