A eficácia e a segurança dos anestésicos locais na prática ...
()A articaína, por apresentar maior lipossolubilidade e ligação proteica do que a lidocaína, não deve ser associada a vasoconstritores, pois isso reduziria sua difusão tecidual e sua eficácia clínica.
()A lidocaína é um anestésico local do grupo das amidas, com início de ação rápido e duração intermediária, sendo frequentemente combinada com adrenalina para prolongar seu efeito.
()A bupivacaína é indicada quando se deseja analgesia prolongada, possuindo longa duração de ação tanto em tecidos moles quanto em tecidos pulpares.
()A prilocaína, quando usada em altas doses, pode estar associada ao risco de meta-hemoglobinemia, especialmente em pacientes suscetíveis.
Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos itens acima, de cima para baixo:
Gabarito comentado
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Tema central: Farmacologia clínica e toxicologia dos anestésicos locais em Odontologia, com foco em início/duração de ação, associação a vasoconstritores e efeitos adversos específicos.
Gabarito: Alternativa B — sequência: F, V, V, V.
Análise item a item
(1) Articaína e vasoconstritor — Falso: A articaína 4% tem alta lipossolubilidade (anel tiofênico) e alta ligação proteica, o que favorece difusão e potência. A associação com epinefrina é a apresentação mais comum (1:100.000 ou 1:200.000) e não reduz a eficácia; ao contrário, prolonga a duração e reduz a absorção sistêmica, aumentando a segurança e a profundidade do bloqueio. Cuidado apenas com a dose total e o uso em bloqueio do alveolar inferior devido a relatos de parestesia com soluções a 4% (dado observacional). Referência: Malamed, Handbook of Local Anesthesia, 7ª ed.
(2) Lidocaína — Verdadeiro: Amida, início rápido e duração intermediária. Frequentemente combinada com adrenalina para prolongar o efeito e diminuir toxicidade sistêmica. Padrão-ouro em Odontologia. Referências: Malamed; UpToDate (Local anesthetics: pharmacology and clinical use).
(3) Bupivacaína — Verdadeiro: Indicada quando se deseja analgesia prolongada. Em Odontologia, 0,5% com epinefrina 1:200.000: duração pulpar prolongada (≈90–180 min) e de tecidos moles muito longa (até 6–12 h), útil para controle pós-operatório. Atenção à maior cardiotoxicidade relativa. Referência: Malamed.
(4) Prilocaína e meta-hemoglobinemia — Verdadeiro: Em doses altas, seus metabólitos (p.ex., o-toluidina) podem oxidar a hemoglobina, causando meta-hemoglobinemia, sobretudo em suscetíveis (deficiência de G6PD, lactentes, uso de oxidantes). Sinais: cianose refratária a O₂. Referências: UpToDate (Methemoglobinemia); Malamed.
Por que as outras alternativas estão erradas?
A) F, F, V, V: erra o item 2 (lidocaína é verdadeira).
C) V, V, V, F: erra o item 1 (articaína com vasoconstritor é segura e eficaz) e o item 4 (prilocaína pode, sim, causar meta-hemoglobinemia).
D) V, F, F, V: erra os itens 1 e 2.
Estratégia de prova: identifique rapidamente: (a) grupo químico (amida/éster), (b) início/duração, (c) efeito do vasoconstritor (prolonga e reduz toxicidade), (d) efeito adverso típico (prilocaína → meta-Hb; bupivacaína → maior cardiotoxicidade).
Pegadinha clássica: “Vasoconstritor reduz difusão e eficácia” — na prática, a vasoconstrição mantém o anestésico no sítio, aumentando a profundidade e duração e diminuindo a absorção sistêmica.
Referências essenciais: Malamed SF. Handbook of Local Anesthesia, 7ª ed.; UpToDate: Local anesthetics; Diretrizes ADA/ASA para sedação e uso de vasoconstritores em cardiopatas (limitar epinefrina, p.ex., até 0,036–0,04 mg em ASA III/IV).
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