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Q3507477 Odontologia
A cárie dentária é uma doença de natureza biofilme-dependente e dinâmica, caracterizada pela desmineralização dos tecidos dentários mediada pela ação de ácidos orgânicos produzidos por microrganismos cariogênicos. Diversos fatores biológicos interagem com elementos ambientais e comportamentais, influenciando a instalação e a progressão das lesões cariosas. Sobre esses aspectos, analise as afirmativas a seguir.
I.A presença de Streptococcus mutans e Lactobacillus, associada a um fluxo salivar reduzido, aumenta o risco de cárie devido à maior produção de ácidos e à menor capacidade de tamponamento e remineralização.
II.A composição genética do indivíduo, embora tenha influência secundária, não interfere diretamente na susceptibilidade à cárie, uma vez que fatores como dieta e higiene bucal são predominantes.
III.Fatores morfológicos dentários, como fóssulas e fissuras profundas, podem evitar a retenção de biofilme, tornando essas regiões menos propensas ao desenvolvimento de lesões de cárie.
Está correto o que se afirma em:
Alternativas

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Tema central: cárie como doença biofilme-dependente e dinâmica, resultante do desequilíbrio entre desmineralização (ácidos do biofilme) e remineralização (saliva/fluoreto). Fatores biológicos (microbiota, saliva, morfologia e genética) interagem com dieta e comportamento, modulando o risco.

Gabarito: D — I apenas.

Justificativa da correta (I): A associação de Streptococcus mutans e Lactobacillus com fluxo salivar reduzido eleva o risco, pois favorece biofilme acidogênico/acidúrico e reduz o tamponamento e a capacidade remineralizadora da saliva (bicarbonato, cálcio e fosfato). Isso mantém pH crítico por mais tempo, promovendo perda mineral. Evidências: hipótese ecológica do biofilme (Marsh), papel da saliva (Dawes), e manuais de referência (Fejerskov, Nyvad & Kidd; AAPD Caries Risk Assessment; OMS—Saúde Bucal).

Por que as demais estão incorretas?

II. Afirma que a genética não interfere diretamente. Falso. A genética pode influenciar formação do esmalte (ex.: AMELX, ENAM), composição/fluxo salivar, resposta imune e até preferências gustativas (p. ex., TAS2R38), modulando susceptibilidade intrínseca. Embora dieta e higiene tenham peso grande, negar a ação direta genética contraria a literatura (Fejerskov & Kidd; revisões em risco de cárie; AAPD—Caries Risk Assessment). O ponto-chave da prova é o termo absoluto “não interfere diretamente”.

III. Diz que fóssulas e fissuras profundas evitam retenção e reduzem cárie. Inversão conceitual. Morfologia profunda e estreita retém biofilme e dificulta a limpeza, aumentando risco em oclusais. Por isso, diretrizes recomendam selantes como prevenção em superfícies com risco (ADA/AAPD; OMS). Logo, a afirmação é oposta ao evidenciado clinicamente.

Estratégia de prova:

  • Desconfie de termos absolutos (“não interfere diretamente”). Em cárie, fatores são multifatoriais e graduais.
  • Lembre o triângulo ecológico: biofilme/bactérias, substrato fermentável, tempo e hospedeiro (saliva/morfologia/genética).
  • Fissuras profundas = maior retenção → pense em selante e flúor como condutas preventivas.

Aplicação prática rápida: Paciente com hipossialia + alta ingestão de açúcares: intensificar fluoretação, controle dietético, selantes em oclusais de risco e manejo da xerostomia (hidratação, sialogogos quando indicados).

Referências essenciais: Fejerskov, Nyvad & Kidd. Dental Caries; AAPD—Caries Risk Assessment; ADA/AAPD—Sealants; OMS—Relatórios de Saúde Bucal; Marsh PD—Ecological plaque hypothesis; Dawes C—Saliva and oral health.

Resposta: D — I apenas.

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Letra D

Genes podem influenciar a estrutura do esmalte e dentina.

Duas pessoas com a mesma dieta e hábitos de higiene bucal podem ter níveis de cárie muito diferentes, e isso pode ser explicado, em parte, por suas diferenças genéticas. A influência genética não substitui a importância de uma boa higiene oral e de uma dieta equilibrada, mas mostra que o controle da cárie vai além do comportamento individual.

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