Diga como andas que te direi quem és Saia, calça, maiô, ber...

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Q2039778 Português
Diga como andas que te direi quem és
Saia, calça, maiô, bermuda, salto, sapato, homem, cintura, silhueta, cabelo, eu, tu, eles, elas, elxs. Se a moda é moda, ela vai abarcar todos os substantivos e pronomes acima e mais um pouco. Óbvio? Nem para todo mundo. [...] Segundo o Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, moda é: “O uso passageiro que rege, de acordo com o gosto do momento, a maneira de viver, de vestir, etc; o modo de vestir; modo, costume, vontade.” Se seguirmos essa definição, provavelmente conseguiríamos apontar algumas tendências do universo fashion que nos regem por agora. Uns diriam algumas cores da estação, outros citariam os cortes e costuras do momento, e nós, com certeza, comentaríamos sobre gênero. Sim, para quem ainda não entendeu, estamos falando sobre a moda agender, genderless ou gender-bender. Apesar de um grande panorama histórico que levou a moda agender a existir, seu auge aconteceu em 2015, quando Alessandro Michele assumiu a linha criativa da Gucci e apresentou na temporada de inverno da Europa uma coleção misturando modelagens e silhuetas até o público não conseguir identificar o gênero de cada um dos modelos que entrasse na passarela. A partir daí, o universo da moda abriu espaço total para que essa desconstrução de padrão tomasse os holofotes das passarelas e da mídia. [...] A partir do fim do século 19, tornou-se quase impossível dissociar a revolução de costumes da moda. Hoje, quando os questionamentos acerca dos padrões da sociedade patriarcal estão cada vez mais pungentes, a moda agender é um dos maiores gritos que a sociedade produz em relação à liberdade de ser o que se é. “Vivemos em uma época em que aceitar as diferenças – ou lutar pela igualdade – é impositivo. A moda reflete isso. [...] São convenções da cultura ocidental que estão sendo questionadas”, comenta Lilian Pacce. Por ser algo que podemos considerar recente, tanto a luta pela liberdade de gênero como a moda agender ainda têm um longo caminho a ser trilhado até de que, de fato, alguns padrões sejam quebrados. No entanto, já se questiona qual é o papel dessa moda em nossa sociedade atual. “A moda agender, por ser muito recente, ainda não respondeu 'de qual lado está'. [...] trata-se de perguntar: quais gêneros, eles também construídos cultural e socialmente, estão sendo revisitados na composição de determinado vestuário?”, questiona Brunno Almeida. Sendo ainda uma ponta do iceberg a respeito da liberdade, a moda vem ganhando força como uma das principais armas contra o preconceito e a intolerância. (Renata Vomero, In: Revista da Cultura, abril/2017, p. 37-41. Grifos da autora)

A respeito do percurso argumentativo do Texto 5, é CORRETO afirmar que
Alternativas

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Gabarito: B

Tema central: Interpretação de Texto – Percurso Argumentativo

Esta questão cobra a sua capacidade de identificar a sequência lógica das ideias e argumentos apresentados pela autora no texto. Para isso, é essencial observar coesão (conexão linguística) e coerência textual (consistência e lógica das ideias), conceitos detalhados por Bechara e Koch.

Justificativa da alternativa correta (B):

A autora ouve e apresenta definições para “moda” e “moda agender” e, em seguida, traz duas vozes importantes: Lilian Pacce, que corrobora o papel da moda agender na quebra de padrões (defende sua relevância social), e Brunno Almeida, que problematiza – ou seja, levanta questões sobre até onde essa moda pode chegar e que padrões realmente são rompidos. Isso demonstra claramente diversidade de argumentos no texto, tornando a alternativa B a única que reproduz fielmente o percurso argumentativo apresentado.

Por que as outras estão erradas?

  • A: Erro ao dizer que ambos os depoimentos usam os mesmos argumentos – Pacce e Almeida têm posições distintas.
  • C: Almeida não afirma que a moda agender “não tem papel relevante”; ele questiona e propõe reflexão.
  • D: Pacce defende a moda agender como fator de mudança, não “contraria” sua relevância.
  • E: Os depoimentos não contradizem a tese de papel social relevante; há apoio e questionamento (problematização), não negação frontal.

Dica de ouro para provas: Ao analisar depoimentos de terceiros em textos argumentativos, observe com atenção se eles sustentam, ampliam, problematizam ou contradizem a tese. Palavras como “questiona”, “corrobora”, “problematiza” e “contraria” diferenciam funções argumentativas!

Estratégia de leitura: Foque nas palavras de ligação entre parágrafos e nos verbos usados para apresentar as ideias de outrem. Isso evita confusões com pegadinhas de sentido próximas, muito comuns em provas de concurso.

Lembre: segundo Bechara, “A coesão e a coerência são essenciais para compreensão e produção de textos em alto nível” – dominar essa análise garante vantagem real na prova!

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