De acordo com o texto, a lignina:
Pesquisadores do Centro de Componentes Semicondutores e Nanotecnologia (CCS Nano) da Unicamp, em Campinas (SP), criaram uma forma de conter deslizamentos de terra e melhorar a qualidade do solo com lignina, um subproduto da indústria de papel geralmente descartado.
A lignina é um material que ajuda na união das fibras de celulose de uma planta e é eliminada na produção de papel. A principal produtora de papel no Brasil produz cerca de 1 milhão de toneladas por ano.
Segundo os pesquisadores, o produto desenvolvido tem sustentabilidade ambiental por ser feito a partir de um material que é biocompatível, ou seja, que é totalmente absorvido na natureza sem deixar resíduos.
Para entender como foi descoberto e funciona o composto, o g1 conversou com os pesquisadores do CCS Nano, o físico Stanislav Mochkalev, coordenador das pesquisas e a química Silvia Vaz Guerra Nista. Confira os detalhes abaixo.
Contenção de deslizamento
Mochkalev trabalha no processamento de nanomateriais há dez anos e utiliza micro-ondas na fabricação de sensores, baterias de lítio e supercapacitores. Recentemente, passou a testar a lignina para responder a uma demanda da indústria de papel que quer dar um destino ao resíduo.
“Um rejeito da indústria, de fato, um lixo que não custa praticamente nada [...] a maior parte de uso acontece em caldeiras com o pó de lignina quando ela seca, aí ela consegue produzir calor em caldeiras. Mas esse uso é muito poluente”, diz.
Durante os testes, que envolvem outros aditivos além da lignina e o aquecimento do composto com micro-ondas, ele conta que se formaram estruturas em três dimensões no formato de cápsulas de 1 a 2 cm³ que não estavam previstas.
"A gente conseguiu fazer cápsulas. Essa descoberta foi, de fato fenomenal", conta. Pois foi a partir deste formato, que revelou ter boa estrutura mecânica e alta porosidade, que o grupo conseguiu ampliar as aplicações do produto. Essas cápsulas são capazes de absorver até cinco vezes o seu peso em água, então surgiu a ideia dos "poços de absorção" para áreas de encosta.
Ele explica que a ideia é colocar as cápsulas em pequenos poços cilíndricos em uma profundidade de 3 a 5 m no topo de uma área de encosta. No momento que cair a chuva, essa água é absorvida de forma muito rápida, evitando o acúmulo na superfície, e que depois libera gradualmente.
"A gente tem experimentos no laboratório que mostram que as cápsulas seguram semanas a água, diminuindo o risco de deslizamentos", explica.
A pesquisadora Nista inclusive falou de uma possibilidade que ainda não foi testada, mas o produto tem potencial para ser utilizado em áreas de risco de enchente absorvendo o excesso de água como uma "esponja".
Solo biocompatível
Outra aplicação para o composto que a equipe observou é a capacidade de emular as propriedades da ‘terra preta’ que é um solo fértil e rico em matéria orgânica encontrado na Amazônia. Dentre os elementos mais comuns, há o grafite e óxido de grafite oriundo das fogueiras e outras coisas da floresta.
"A terra preta é muito produtiva, quatro a cinco vezes mais produtiva se comparada com a terra comum que é usada na agricultura", explica o físico.
Segundo os pesquisadores, o objetivo inicial era fazer um pó de lignina, mas ao passar pelo processo de micro-ondas e com a criação das estruturas em forma de cápsulas, perceberam a propriedade de imitar as características físicas de porosidade e absorção de água do solo amazônico.
Assim, explica que o produto de lignina tem a capacidade de aumentar a produtividade agrícola e reduzir a dependência de fertilizantes químicos. Com o tempo, o solo com o composto deve favorecer a formação de um bioma como um fertilizante natural.
Além disso, os pesquisadores também ressaltam que é um produto que será absorvido totalmente na natureza sem deixar resíduos.
(“Pesquisa da Unicamp testa o uso de ‘lixo’ da indústria de papel para evitar deslizamentos de terra e melhorar solo para agricultura”. Marcelo Gaudio, 16/03/2025. Disponível em: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2025/03/16/pesquisa-da-unicamp-testa-uso-de-lixo da-industria-de-papel-para-evitar-deslizamentos-de-terra-e-melhorar-solo-para-agricultura.ghtml. Adaptado)
Gabarito comentado
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Tema central da questão: Interpretação de Texto e Semântica. O foco está em identificar informações explícitas no texto, ou seja, aquilo que foi afirmado de forma clara e direta.
Justificativa da alternativa correta (B):
No texto, a lignina é apresentada como “um rejeito da indústria, de fato, um lixo que não custa praticamente nada”. Com isso, percebe-se que a alternativa B – “É um rejeito da indústria, que não tem quase custo algum” – traz fielmente o que está expresso no texto.
Para resolver este tipo de questão, é importante usar a técnica de leitura atenta em busca de palavras-chave e comparação direta entre o que está nas alternativas e o que está no texto. Esse é um princípio fundamental da interpretação, como traz Domingos Cegalla: “ler corretamente é buscar, no texto, o significado pretendido pelo autor e expresso por seus termos”.
Análise das alternativas incorretas:
A) “Não é biocompatível, sendo nociva à natureza.”
O texto diz exatamente o contrário: afirma que a lignina é biocompatível e pode ser absorvida na natureza sem deixar resíduos. Por isso, a alternativa está em contradição direta com o texto.
C) “Deixa resíduos na natureza, não podendo ser utilizada no solo.”
Também está equivocada. O texto afirma que o produto feito à base de lignina é totalmente absorvido pela natureza e não deixa resíduos, o que permite seu uso no solo.
D) “É eliminada na produção de fertilizantes.”
O texto menciona que a lignina é eliminada na produção de papel, não de fertilizantes. A alternativa distorce um dado factual, sendo incorreta.
Estratégia para evitar erros: Sempre localize no texto as informações que sustentam ou negam as opções dadas. Cuidado com pegadinhas ligadas à troca de palavras (como “papel” por “fertilizantes”) e a negações sutis (“biocompatível” versus “não é biocompatível”).
Regra central: A interpretação exige comparar rigorosamente o conteúdo das alternativas com o que está explícito no texto, sem aceitar generalizações ou trocas semânticas, conforme orienta Cegalla em “Novíssima Gramática da Língua Portuguesa”.
Conclusão: A alternativa B é a correta. Aproveite este método de análise para acertar questões similares!
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