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MINISTÉRIO DA CULTURA
Fundação Biblioteca Nacional
Departamento Nacional do Livro
O MULATO (fragmento)
Aluísio de Azevedo
Em todas as direções cruzavam-se homens esbofados e rubros; cruzavam-se os negros no carreto e os caixeiros que estavam em serviço na rua; avultavam os paletós-sacos, de brim pardo, mosqueados nas espáduas e nos sovacos por grandes manchas de suor. Os corretores de escravos examinavam, à plena luz do sol, os negros e moleques que ali estavam para ser vendidos; revistavam-lhes os dentes, os pés e as virilhas; faziam-lhes perguntas sobre perguntas, batiam-lhes com a biqueira do chapéu nos ombros e nas coxas, experimentando-lhes o vigor da musculatura, como se estivessem a comprar cavalos.
(Disponível em: : http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bn000166.pdf)
Nesse fragmento, o narrador acentua
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Comentário do Gabarito – Interpretação de Texto (Naturalismo e Ironia em "O Mulato")
Tema central: Interpretação de texto, com enfoque na análise do foco narrativo e nos recursos expressivos do Naturalismo no fragmento apresentado.
No trecho de "O Mulato", de Aluísio de Azevedo, observamos uma ênfase nos aspectos físicos dos personagens: as manchas de suor, a inspeção dos corpos, a comparação dos escravos com animais. Essa objetividade e detalhamento compõem a descrição naturalista, que, segundo Bechara e Cunha & Cintra, retrata o ser humano sob a ótica biológica e animalizada. A ironia aparece ao comparar criaturas humanas a animais, evidenciando o olhar crítico à desumanização típica da sociedade escravista do século XIX.
Justificativa da alternativa C (correta):
A alternativa C destaca “os aspectos fisiológicos do homem, seu parentesco com os animais, e o retrata de maneira irônica, lúgubre e nos seus aspectos sórdidos e vis.” O fragmento detalha a animalização dos escravizados e a crítica à prática, correspondendo à essência do texto naturalista: objetividade, materialidade e crítica social via ironia.
Análise das alternativas incorretas:
A) Traz foco romântico (amor e preconceito), que não aparece no fragmento.
B) Fala em “amor-próprio” e “arbítrio da fortuna”, conceitos alheios ao foco objetivo do texto.
D) Aponta “moralismo”, que não é exposto pelo narrador, que se mantém descritivo, sem julgar explicitamente.
E) Relaciona temas de poder, libido e prestígio social, ausentes da cena descrita, que se centra unicamente no tratamento dos escravos.
Estratégia para provas: Sempre identifique palavras-chave no fragmento que apontem para o tema central – neste caso, os termos que remetem à fisiologia, animalização e crítica indireta. Evite ser levado por temas secundários próprios da obra, mas não presentes no trecho.
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GABARITO LETRA C
"..., experimentando-lhes o vigor da musculatura, como se estivessem a comprar cavalos."
Em que lugar o texto fala sobre parentesco com animais?
Os corretores de escravos examinavam, à plena luz do sol, os negros e moleques que ali estavam para ser vendidos; revistavam-lhes os dentes, os pés e as virilhas; faziam-lhes perguntas sobre perguntas, batiam-lhes com a biqueira do chapéu nos ombros e nas coxas, experimentando-lhes o vigor da musculatura, como se estivessem a comprar cavalos.
C os aspectos fisiológicos do homem, seu parentesco com os animais, e o retrata de maneira irônica, lúgubre e nos seus aspectos sórdidos e vis.
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